Ossos do ofício

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Paulinho Araújo já estreou intocável
Paulinho Araújo já estreou intocável

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Publicada em 27/07/2018 às 08:03:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Cantor e compositor 
de recursos muito li-
mitados, Paulinho Araújo já estreou intocável. 'Vibramundo' (2016), o seu primeiro disco, foi dignificado com a atenciosa apreciação crítica desta página. Mas como o artigo não engrossou o coro dos contentes, ele subiu nos tamancos. Julgava-se uma unanimidade, o coitado.
Paulinho passou um ano inteiro afogado em ressentimento. E depois de remoer cada palavra do artigo, ferido no orgulho de vaca sagrada, resolveu partir para o ataque. Montou palanque no hospício do Facebook, lembrando que os fins se conformam aos meios, e emporcalhou o seu lirismo namastê com a mais franca hostilidade. Caía a máscara.
Diante do exposto, o leitor poderia se perguntar se há algo de grosseiro na referida avaliação, a ponto de motivar uma revanche. Pois eu digo e repito: 'Vibramundo' promete mover céus e terras sob o apelo primitivo de um tambor. A fé empenhada em compromisso tão ambicioso, contudo, não anima nem o mais modesto dos acidentes geográficos. Pobre de verdade e força nos pulmões, o trabalho de Paulinho Araújo não comove nem convence ninguém.
A incongruência é flagrante. Se por um lado, o compositor vive de olho pregado às estrelas, atento à respiração do universo, em reverência quase religiosa, por outro se mostra incapaz de lidar com uma simples crítica, ossos do ofício de artista, e responde à vaia mostrando a língua, como se fosse um João Gilberto realmente desafinado. Menino, despreparado para os tropeços da vida, Paulinho Araújo só reconhece alguma justiça no aplauso. 
Agora, ele volta a investir na pose de um compositor muito sábio, movido pelas melhores intenções do mundo, e emprega a voz pouca em 'Aroma das rosas', um single deletério, a disposição dos curiosos nas principais plataformas de streaming (confira por sua conta e risco). O espinho cravado em sua vaidade, entretanto, não vai deixar de doer nunca. Jornalistas não escrevem para fazer amigos. Paulinho Araújo, ao contrário, já demonstrou que se dedica às canções mais sofríveis com o único fim de ser adulado.

Cantor e compositor  de recursos muito li- mitados, Paulinho Araújo já estreou intocável. 'Vibramundo' (2016), o seu primeiro disco, foi dignificado com a atenciosa apreciação crítica desta página. Mas como o artigo não engrossou o coro dos contentes, ele subiu nos tamancos. Julgava-se uma unanimidade, o coitado.
Paulinho passou um ano inteiro afogado em ressentimento. E depois de remoer cada palavra do artigo, ferido no orgulho de vaca sagrada, resolveu partir para o ataque. Montou palanque no hospício do Facebook, lembrando que os fins se conformam aos meios, e emporcalhou o seu lirismo namastê com a mais franca hostilidade. Caía a máscara.
Diante do exposto, o leitor poderia se perguntar se há algo de grosseiro na referida avaliação, a ponto de motivar uma revanche. Pois eu digo e repito: 'Vibramundo' promete mover céus e terras sob o apelo primitivo de um tambor. A fé empenhada em compromisso tão ambicioso, contudo, não anima nem o mais modesto dos acidentes geográficos. Pobre de verdade e força nos pulmões, o trabalho de Paulinho Araújo não comove nem convence ninguém.
A incongruência é flagrante. Se por um lado, o compositor vive de olho pregado às estrelas, atento à respiração do universo, em reverência quase religiosa, por outro se mostra incapaz de lidar com uma simples crítica, ossos do ofício de artista, e responde à vaia mostrando a língua, como se fosse um João Gilberto realmente desafinado. Menino, despreparado para os tropeços da vida, Paulinho Araújo só reconhece alguma justiça no aplauso. 
Agora, ele volta a investir na pose de um compositor muito sábio, movido pelas melhores intenções do mundo, e emprega a voz pouca em 'Aroma das rosas', um single deletério, a disposição dos curiosos nas principais plataformas de streaming (confira por sua conta e risco). O espinho cravado em sua vaidade, entretanto, não vai deixar de doer nunca. Jornalistas não escrevem para fazer amigos. Paulinho Araújo, ao contrário, já demonstrou que se dedica às canções mais sofríveis com o único fim de ser adulado.