Cada um no seu quadrado

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Atento e forte, Chico Buarque se expressa como bem entende, em verso e prosa
Atento e forte, Chico Buarque se expressa como bem entende, em verso e prosa

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Publicada em 28/07/2018 às 04:53:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A esquerda festiva, 
em sua expressão 
mais rasteira, pretende transformar o próprio palanque em palco de artistas populares. A intenção é a de animar comícios políticos modorrentos, pouco atraentes para o cidadão menos politizado. Sob o pretexto de inflamar a massa de eleitores carentes de lazer e cultura, entretanto, os partidos admitem o próprio fracasso, incapazes de se comunicar com uma fatia mais expressiva da população, senão pela via do espetáculo. 
Os showmícios foram muito comuns, até serem proibidos pela legislação eleitoral, há doze anos. Artistas de todos os calibres atraíam, então, verdadeiras multidões para atos políticos de propósito duvidoso. Primeiro, um candidato cansava o prezado público com um palavrório enfadonho e promessas realizadas da boca pra fora. A educação, a saúde, a segurança pública... Depois, Chitãozinho e Xororó recompensavam a paciência do populacho com um exagero de falsetes e trinados.
Aparentemente, PT e PSOL, além do PSB, querem autorização para fazer uma festa daquelas. Tanto que foram às barras dos tribunais para contestar a constitucionalidade da Lei 9.504/1997, em defesa da liberdade de expressão. Fingem não saber que, fora o impedimento de fazer um show em cima do palanque, os artistas de Terra Brasílis são livres para se manifestar em verso e prosa, como bem entenderem.
Oportunidade para reafirmar a importância da liberdade de expressão, em uma democracia ainda claudicante como a brasileira, nunca falta. No entanto, nenhum partido político recorreu ao Supremo Tribunal Federal para garantir a realização de exposições, peças de teatro e performances interditadas recentemente pela sensibilidade organizada de uns e outros, por exemplo. Liberais de araque, conservadores declarados, grupos religiosos e movimentos identitários dizem o que pode e o que não pode em matéria de arte. As lideranças partidárias não dão um pio.
O STF está com a palavra. Mas, a bem da verdade, os artistas brasileiros nunca se declararam politicamente de maneira tão explícita desde a abertura democrática ainda em curso, muito lenta. Quem duvida tem de ouvir o disco mais recente de Elza Soares, 'As Caravanas' de Chico Buarque, abrir os olhos e os ouvidos para o funk bombando nas periferias do País. Cada um no seu quadrado, os artistas tupiniquins jamais estiveram em seu conjunto tão engajados.

A esquerda festiva,  em sua expressão  mais rasteira, pretende transformar o próprio palanque em palco de artistas populares. A intenção é a de animar comícios políticos modorrentos, pouco atraentes para o cidadão menos politizado. Sob o pretexto de inflamar a massa de eleitores carentes de lazer e cultura, entretanto, os partidos admitem o próprio fracasso, incapazes de se comunicar com uma fatia mais expressiva da população, senão pela via do espetáculo. 
Os showmícios foram muito comuns, até serem proibidos pela legislação eleitoral, há doze anos. Artistas de todos os calibres atraíam, então, verdadeiras multidões para atos políticos de propósito duvidoso. Primeiro, um candidato cansava o prezado público com um palavrório enfadonho e promessas realizadas da boca pra fora. A educação, a saúde, a segurança pública... Depois, Chitãozinho e Xororó recompensavam a paciência do populacho com um exagero de falsetes e trinados.
Aparentemente, PT e PSOL, além do PSB, querem autorização para fazer uma festa daquelas. Tanto que foram às barras dos tribunais para contestar a constitucionalidade da Lei 9.504/1997, em defesa da liberdade de expressão. Fingem não saber que, fora o impedimento de fazer um show em cima do palanque, os artistas de Terra Brasílis são livres para se manifestar em verso e prosa, como bem entenderem.
Oportunidade para reafirmar a importância da liberdade de expressão, em uma democracia ainda claudicante como a brasileira, nunca falta. No entanto, nenhum partido político recorreu ao Supremo Tribunal Federal para garantir a realização de exposições, peças de teatro e performances interditadas recentemente pela sensibilidade organizada de uns e outros, por exemplo. Liberais de araque, conservadores declarados, grupos religiosos e movimentos identitários dizem o que pode e o que não pode em matéria de arte. As lideranças partidárias não dão um pio.
O STF está com a palavra. Mas, a bem da verdade, os artistas brasileiros nunca se declararam politicamente de maneira tão explícita desde a abertura democrática ainda em curso, muito lenta. Quem duvida tem de ouvir o disco mais recente de Elza Soares, 'As Caravanas' de Chico Buarque, abrir os olhos e os ouvidos para o funk bombando nas periferias do País. Cada um no seu quadrado, os artistas tupiniquins jamais estiveram em seu conjunto tão engajados.