Servidores da Prefeitura de Aracaju fazem uma paralisação de 72 horas

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Adelmo, presidente do Sindipema: Falta de diálogo
Adelmo, presidente do Sindipema: Falta de diálogo

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Publicada em 29/07/2018 às 00:50:00

Milton Alves Júnior

As próximas 72 horas prometem ser conturbada para gestores públicos e aracajuanos que porventura necessitem de alguma assistência ofertada por órgãos administrados pela Prefeitura de Aracaju. Conforme deliberado no último dia 18, profissionais de 11 categorias vão cruzar os braços e suspender até 70% das atividades como forma de pressionar o prefeito Edvaldo Nogueira a conceder, entre outros pleitos trabalhistas, reajuste salarial, equiparação financeira e qualificação imediata das condições de trabalho. Caso as reivindicações não sejam atendidas, a direção do Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Aracaju (Sepuma) não descarta a possibilidade de deflagrar greve por tempo indeterminado.

Confirmará participação no ato os profissionais de enfermagem , farmacêuticos, psicológicos, nutricionistas e técnicos em nutrição, fisioterapeutas, agentes comunitários e de combate as endemias, trabalhadores do Detran, professores, guardas municipais e educadores sociais. Essas classes trabalhadoras se unem aos médicos que desde a segunda-feira da semana passada estão com os serviços básicos suspensos. Apenas casos de urgência e emergência seguem sem alteração. Os profissionais da medicina também reivindicam reajuste salarial, melhores condições de trabalho e contratação de novos profissionais através de concurso público.

Paralelo às reivindicações coletivas, existem ainda pautas específicas, a exemplo dos psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, farmacêuticos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais que desde 2014 cobram a correção do edital do concurso que impôs um salário abaixo dos demais trabalhadores da saúde; já o magistério reivindica o cumprimento da lei do piso salarial. Semelhantemente à gestão passada, administrada pelo então prefeito João Alves Filho, os servidores municipais alegam encontrar dificuldades constantes para se reunir com o atual chefe do poder executivo municipal, Edvaldo Nogueira. Os trabalhadores garantem que o comunista não tem recebido os profissionais para debater assuntos de amplo interesse.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Professores do Município de Aracaju (Sindipema), Adelmo Meneses, a falta de diálogo atrelado ao não repasse de direitos aos trabalhadores resultou na unificação das classes trabalhadoras e desejo de promover a greve até a próxima terça-feira. "A prefeitura está criando o burocratismo para dificultar os processos e acessos dos professores. Não temos reuniões cara a cara com o prefeito conforme prometido na campanha de 2012. Quando candidato, ele ou o grupo dele era quem nos procurava para marcar reuniões; desde que assumiu isso não ocorre. Reuniões só com secretários, com Edvaldo, não", protestou.

Com a paralisação também dos professores, cerca de 30 mil estudantes do ensino fundamental ficam sem aulas. O que chama a atenção é que em abril deste ano os professores já haviam garantido que não participariam mais de reuniões sem a presença de Edvaldo. Naquele momento a categoria recusava participar de encontros com a secretária da Educação, Cecília Tavares, segundo o sindicato, em virtude de ela não possuir força de decisão. Uma conclusão que teria ficado clara nos três momentos em que estiveram reunidos com a secretária para discutir os anseios da categoria.

"De lá pra cá nada mudou e o que percebemos é que o problema só tem se agravado. Para quem achava que somente os professores e estudantes da rede sofriam com o desprezo desta gestão, as 12 categorias envolvidas nessa greve (incluindo os próprios professores e os médicos) é a melhor prova de quem está com a verdade. Existem propagandas demais e ações reais de menos", pontuou Adelmo Meneses. Uma nova assembleia unificada deve ocorrer na tarde da próxima terça-feira para definir os encaminhamentos democráticos a serem adorados posteriormente.