Terror à brasileira

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\"Sucesso\" nas rodinhas intelectuais
\"Sucesso\" nas rodinhas intelectuais

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Publicada em 31/07/2018 às 07:36:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Um amigo conta da 
esposa, que jamais 
entrou numa sala de cinema sem consultar a opinião da crítica nos jornais. Se o filme é recomendado pelos especialistas, ela dá meia volta, trata de ir comer pipoca bem longe, em qualquer outro lugar.
A anedota me veio à lembrança por conta do terror 'As Boas Maneiras' (2017). Exibido pelo Cine Vitória, último fim de semana, a fábula dos diretores Marco Dutra e Juliana Rojas dividiu opiniões. Entendidos de um lado, o resto da platéia do outro. Mais do que sensibilidade, o Cinema celebrado pela 'intelligentsia' formada nas universidades tupiniquins exige teorias e credenciais.
Procurem nos jornalões, ninguém impôs uma única vírgula aos feitos deste terror à brasileira. Os críticos enumeram referências, exaltam a ousadia da dupla de realizadores, convencem os leitores da originalidade da brava gente. Para a distribuidora Globo Filmes, entretanto, importa fazer dinheiro. Apesar de premiado, mundo afora, 'As Boas Maneiras' teve a circulação restrita a um circuito alternativo de exibição, apreciado exclusivamente pelos muito doutos, os poucos e bons das rodinhas intelectuais.
Para Inácio Araújo (Folha de São Paulo), há algo de profundamente brasileiro neste filme de lobisomem. O crítico talvez se refira à tensão social que permeia o primeiro turno da obra, quando patroa e empregada, rica e pobre, branca e negra, tornam-se amantes. Mas, a bem da verdade, este algo talvez esteja mais aparente na disposição de nossos críticos e realizadores, capazes de virar as costas para o grosso das platéias, refastelando-se em malabarismos narrativos e muitas citações à história da sétima arte.
Ninguém defende, naturalmente, a sujeição da ambição criativa aos parâmetros mais rasteiros do gosto médio, o tal do senso comum. Tampouco é negada aqui a necessidade de repertório na fruição completa de uma obra cinematográfica. Mas há um quê de elitismo no ânimo de exclusividade atravessando a defesa do filme 'As Boas Maneiras'. Os sabidões esquecem que todo exercício artístico consiste em um esforço de comunicação. E, nesse sentido, também precisa lograr êxito.

Um amigo conta da  esposa, que jamais  entrou numa sala de cinema sem consultar a opinião da crítica nos jornais. Se o filme é recomendado pelos especialistas, ela dá meia volta, trata de ir comer pipoca bem longe, em qualquer outro lugar.
A anedota me veio à lembrança por conta do terror 'As Boas Maneiras' (2017). Exibido pelo Cine Vitória, último fim de semana, a fábula dos diretores Marco Dutra e Juliana Rojas dividiu opiniões. Entendidos de um lado, o resto da platéia do outro. Mais do que sensibilidade, o Cinema celebrado pela 'intelligentsia' formada nas universidades tupiniquins exige teorias e credenciais.
Procurem nos jornalões, ninguém impôs uma única vírgula aos feitos deste terror à brasileira. Os críticos enumeram referências, exaltam a ousadia da dupla de realizadores, convencem os leitores da originalidade da brava gente. Para a distribuidora Globo Filmes, entretanto, importa fazer dinheiro. Apesar de premiado, mundo afora, 'As Boas Maneiras' teve a circulação restrita a um circuito alternativo de exibição, apreciado exclusivamente pelos muito doutos, os poucos e bons das rodinhas intelectuais.
Para Inácio Araújo (Folha de São Paulo), há algo de profundamente brasileiro neste filme de lobisomem. O crítico talvez se refira à tensão social que permeia o primeiro turno da obra, quando patroa e empregada, rica e pobre, branca e negra, tornam-se amantes. Mas, a bem da verdade, este algo talvez esteja mais aparente na disposição de nossos críticos e realizadores, capazes de virar as costas para o grosso das platéias, refastelando-se em malabarismos narrativos e muitas citações à história da sétima arte.
Ninguém defende, naturalmente, a sujeição da ambição criativa aos parâmetros mais rasteiros do gosto médio, o tal do senso comum. Tampouco é negada aqui a necessidade de repertório na fruição completa de uma obra cinematográfica. Mas há um quê de elitismo no ânimo de exclusividade atravessando a defesa do filme 'As Boas Maneiras'. Os sabidões esquecem que todo exercício artístico consiste em um esforço de comunicação. E, nesse sentido, também precisa lograr êxito.