Uma valsa à beira do abismo

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De jumento batizado a poeta
De jumento batizado a poeta

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Publicada em 03/08/2018 às 07:40:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Ciro Gomes, quem di
ria!, revelou-se um 
poeta. A manobra realizada pelo Partido dos Trabalhadores, com o fim de isolar a candidatura do PDT, rendeu a mais bela imagem do laudatório eleitoral, até agora.
O assunto é sério. O tiro no pé disparado pelo PT tem o potencial de fazer sangrar todo o bloco político da esquerda. Estratégias furadas à parte, "uma valsa à beira do abismo", palavras do dito cujo, não apenas define as implicações práticas do malfeito com acurada sensibilidade, como ainda revela uma face completamente inesperada do candidato Ciro Gomes - justamente conhecido como um jumento batizado.
Verdade seja dita: Eu mesmo não o julgava capaz de um rasgo lírico tão brilhante. Culto, sim. Ambicioso, sem dúvida. Sensível, nem a pau, como talvez o próprio Ciro admitiria.
Falando em abismo... - O episódio sublinha um dado incômodo, a falta de atenção com os bordados da Arte e da Cultura, da parte de todos os que oferecem a cara à tapa na disputa eleitoral. Eles inventam números e reivindicam a idoneidade de uma vida aberta ao escrutino público, supostamente sem máculas. E dão a impressão de nunca ter tempo para ouvir um disco inteiro, de cabo a rabo, sem pular nenhuma faixa.
Pois deviam. De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, o investimento em Cultura pode ser excelente negócio. Levantamento realizado durante a edição mais recente da Feira Literária Internacional de Paraty constatou que o evento gerou um retorno econômico da ordem de R$ 47 milhões, além de R$ 4,7 milhões em impostos. Tudo isso a partir de um investimento de apenas R$ 3,5  milhões. Mais ou menos o que foi mal empregado nos festejos juninos de Sergipe.
Eu, de minha parte, só confio plenamente em alguém depois de saber dos seus gostos, quais os seus livros, como come e como bebe. Não precisamos, em absoluto, cultivar as mesmas admirações - o mundo é grande e a minha ignorância maior ainda. Mas a disposição para as palpitações do espírito sempre redunda em um olhar avesso às aparências. Sem nenhuma frescura.

Ciro Gomes, quem di ria!, revelou-se um  poeta. A manobra realizada pelo Partido dos Trabalhadores, com o fim de isolar a candidatura do PDT, rendeu a mais bela imagem do laudatório eleitoral, até agora.
O assunto é sério. O tiro no pé disparado pelo PT tem o potencial de fazer sangrar todo o bloco político da esquerda. Estratégias furadas à parte, "uma valsa à beira do abismo", palavras do dito cujo, não apenas define as implicações práticas do malfeito com acurada sensibilidade, como ainda revela uma face completamente inesperada do candidato Ciro Gomes - justamente conhecido como um jumento batizado.
Verdade seja dita: Eu mesmo não o julgava capaz de um rasgo lírico tão brilhante. Culto, sim. Ambicioso, sem dúvida. Sensível, nem a pau, como talvez o próprio Ciro admitiria.
Falando em abismo... - O episódio sublinha um dado incômodo, a falta de atenção com os bordados da Arte e da Cultura, da parte de todos os que oferecem a cara à tapa na disputa eleitoral. Eles inventam números e reivindicam a idoneidade de uma vida aberta ao escrutino público, supostamente sem máculas. E dão a impressão de nunca ter tempo para ouvir um disco inteiro, de cabo a rabo, sem pular nenhuma faixa.
Pois deviam. De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, o investimento em Cultura pode ser excelente negócio. Levantamento realizado durante a edição mais recente da Feira Literária Internacional de Paraty constatou que o evento gerou um retorno econômico da ordem de R$ 47 milhões, além de R$ 4,7 milhões em impostos. Tudo isso a partir de um investimento de apenas R$ 3,5  milhões. Mais ou menos o que foi mal empregado nos festejos juninos de Sergipe.
Eu, de minha parte, só confio plenamente em alguém depois de saber dos seus gostos, quais os seus livros, como come e como bebe. Não precisamos, em absoluto, cultivar as mesmas admirações - o mundo é grande e a minha ignorância maior ainda. Mas a disposição para as palpitações do espírito sempre redunda em um olhar avesso às aparências. Sem nenhuma frescura.