Aborto em pauta

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 03/08/2018 às 08:30:00

 

Às vésperas de um pleito eleito
ral, nada mais natural do que o 
fato de todas as atenções se voltarem para o embate nas urnas. Não é justo admitir, no entanto, que a agenda política do País permaneça refém dos interesses partidários. No Brasil real, povoado por pelo menos 13 milhões de desempregados, a necessidade de avanços é urgente.
Hoje, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve debater em plenário a descriminalização do aborto, uma questão importantíssima na vida de milhões de brasileiras. E que, no entanto, permanecia adormecida em berço esplêndido, um sono que muitos queriam eterno.
Os ministros têm às mãos uma ação protocolada há mais de um ano pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), pleiteando que a interrupção da gravidez por decisão da mulher grávida nas 12 primeiras semanas de gestação não seja mais considerada um crime. Antes de chegar a uma decisão, a relatora Rosa Weber e os seus pares do Supremo terão ouvido mais de 40 pessoas ligadas às áreas de saúde, ciências, direitos humanos e religião, previamente convidadas a participar dos debates.
A bem da verdade, no Brasil, o aborto só é arriscado para quem não pode pagar pela intervenção adequada. Segundo a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA) realizada há alguns anos, a interrupção da gravidez é prática tão comum no Brasil que, até completar 40 anos, mais de uma em cada cinco mulheres o comete. De acordo com as estimativas mais conservadoras, pelo menos 330 mil brasileiras abortaram apenas no segundo semestre do ano passado. Além disso, pesquisas revelam que as mulheres negras, com baixa escolaridade e renda são mais vulneráveis ao aborto com risco.
Os valores envolvidos na peleja já foram confrontados diante da Justiça, no próprio STF. Coube ao ministro Carlos Ayres Britto proferir o voto que garantiu às mulheres o direito de interromper a gravidez de anencéfalos. O problema é que por onde passa boi passa boiada. A maior preocupação dos setores religiosos representados pela bancada da bíblia é que a decisão do STF abra um precedente progressista e crie um ambiente favorável à descriminalização sob qualquer circunstância. Uma revolução que certamente ainda terá tempo de vingar.

Às vésperas de um pleito eleito ral, nada mais natural do que o  fato de todas as atenções se voltarem para o embate nas urnas. Não é justo admitir, no entanto, que a agenda política do País permaneça refém dos interesses partidários. No Brasil real, povoado por pelo menos 13 milhões de desempregados, a necessidade de avanços é urgente.
Hoje, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve debater em plenário a descriminalização do aborto, uma questão importantíssima na vida de milhões de brasileiras. E que, no entanto, permanecia adormecida em berço esplêndido, um sono que muitos queriam eterno.
Os ministros têm às mãos uma ação protocolada há mais de um ano pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), pleiteando que a interrupção da gravidez por decisão da mulher grávida nas 12 primeiras semanas de gestação não seja mais considerada um crime. Antes de chegar a uma decisão, a relatora Rosa Weber e os seus pares do Supremo terão ouvido mais de 40 pessoas ligadas às áreas de saúde, ciências, direitos humanos e religião, previamente convidadas a participar dos debates.
A bem da verdade, no Brasil, o aborto só é arriscado para quem não pode pagar pela intervenção adequada. Segundo a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA) realizada há alguns anos, a interrupção da gravidez é prática tão comum no Brasil que, até completar 40 anos, mais de uma em cada cinco mulheres o comete. De acordo com as estimativas mais conservadoras, pelo menos 330 mil brasileiras abortaram apenas no segundo semestre do ano passado. Além disso, pesquisas revelam que as mulheres negras, com baixa escolaridade e renda são mais vulneráveis ao aborto com risco.
Os valores envolvidos na peleja já foram confrontados diante da Justiça, no próprio STF. Coube ao ministro Carlos Ayres Britto proferir o voto que garantiu às mulheres o direito de interromper a gravidez de anencéfalos. O problema é que por onde passa boi passa boiada. A maior preocupação dos setores religiosos representados pela bancada da bíblia é que a decisão do STF abra um precedente progressista e crie um ambiente favorável à descriminalização sob qualquer circunstância. Uma revolução que certamente ainda terá tempo de vingar.