ONDE A VALE BOTA O PÉ, NÃO NASCE GRAMA

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Publicada em 05/08/2018 às 00:21:00

A Vale guarda alguma semelhança com as patas dos cavalos de guerreiros mongóis ou hunos. Onde ela, a terceira maior empresa do Brasil põe o seu pé, vai deixando atrás de si um rastro de destruição.
Não precisa ir muito longe em busca de destroços, eles estão aqui mesmo,  em Sergipe, de onde agora a Vale se afasta sem deixar saudades, mas, nos legando um passivo ambiental gigantesco, uma ferrovia destruída,  e muitas duvidas sobre as possíveis vantagens que auferimos com a intensiva exploração da mina de potássio Taquari-Vassoura.  
A Vale ganhou todas as isenções possíveis e imagináveis, gerou empregos, tornou-se operadora exclusiva do nosso único porto marítimo, o Terminal Inácio Barbosa, na Barra dos Coqueiros. A Vale já privatizada saiu a comprar "ferro velho" estatal.
Um deles foi a ferrovia Leste Brasileiro, que nos toca de muito perto, porque, ainda que precariamente, nos servia. Surgiu então a Ferrovia Atlântica, nome suntuoso para adornar uma farsa.
Em pouco tempo, os trens que ainda sacolejavam lentos pelos trilhos saíram de circulação. Não transportavam passageiros naquela época, década dos oitenta, mas nos traziam gasolina da refinaria de Mataripe, levavam o potássio da própria Vale, a amônia e Ureia da Fafen. Havia uma composição que por aqui transitava, trazendo sal do Rio Grande do Norte para o Polo Petroquímico de Camaçari. Parece um devaneio, mas é verdade. Existia uma linha férrea que interligava seis estados nordestinos: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Era obsoleta, mas ainda operante.
 A Leste já era sucata quando surgiu a Ferrovia Atlântica,  comprada pela Vale, que apresentou planos ousados para a ampliação e modernização da rede. Mas, o que era esperança, transformou-se no desalento de estações abandonadas, a maior delas o prédio enorme no bairro Siqueira Campos, servindo de abrigo a bandidos e drogados. Tudo está sendo saqueado, só não retiraram ainda os pesados trilhos. Um trecho daquela ferrovia morta passa estrategicamente por dentro das instalações da Fafen, a grande indústria que a quadrilha de Temer quer fechar, para reeditar a mesma estória de transformar patrimônio público em monturo, e depois vendê-lo como se fosse lixo.
Há em Sergipe, também, a obra inacabada de uma ferrovia, essa, iniciada e abandonada no governo do marechal Dutra, o primeiro eleito pelo voto após o fim da ditadura de Getúlio (1930-1945).
A hidrelétrica de Paulo Afonso estava em construção e imaginou-se uma linha de ferro estratégica, por onde passaria quase todo o material para a obra.  Depois, seria uma ligação permanente entre Aracaju, um porto, e Paulo Afonso, o polo de desenvolvimento surgindo no sertão. Para comandar a construção veio a Sergipe o engenheiro mineiro Zair Moreira.  Faltou verba e a ferrovia parou nas proximidades da cidade de Simão Dias, em frente à casa do grande fazendeiro e proprietário de terras José de Almeida Dória, Dorinha.
 Morreu a estrada, morreu a ideia.

PS - A imprevidência, irresponsabilidade e ganância da Vale, causaram em Minas e Espírito Santo a maior tragédia ambiental do mundo. Com a devastação de terras, propriedades, vidas, biomas, e do rio Doce. No Pará, o crime ambiental da Vale assume proporções assustadoras.