Ausência de seguros em academias prejudica milhares de sergipanos

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Grávida de cinco meses, a nutricionista Laís Nascimento malha em academia que tem seguro disponível aos clientes: garantia de segurança
Grávida de cinco meses, a nutricionista Laís Nascimento malha em academia que tem seguro disponível aos clientes: garantia de segurança

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Publicada em 05/08/2018 às 00:21:00

Milton Alves Júnior

Uma pesquisa de campo realizada pelo JORNAL DO DIA entre os dias 13 de julho e 03 de agosto deste ano revela que apenas 13,8% das academias e centros de treinamento devidamente licenciados no Estado de Sergipe dispõem de algum tipo de seguro destinado ao desportista em caso de acidente. Apesar da vulnerabilidade física pessoal presente nestes estabelecimentos, das 29 unidades pesquisadas, apenas quatro se mostraram precavidas quanto a saúde dos clientes e adquiriram apólices formuladas especialmente para este setor. As demais 86,2% academias, responsáveis por receber milhares de sergipanos, seguem contando com a sorte a fim de evitar lesões.
Como se não bastasse a falta de seguros, a mínima, ou nenhuma presença de profissionais da área de saúde diariamente com os consumidores, resulta em amplitude dos riscos os quais atingem diretamente todos aqueles que buscam estes espaços pensando na qualidade de vida. No decorrer dos 21 dias de análise e diálogo com gestores foi possível se deparar com justificativas direcionadas ao valor das mensalidades e à ampla concorrência protagonizada em Sergipe - em especial na região metropolitana de Aracaju, ao longo dos últimos cinco anos. O receio em perder cliente para a concorrência foi apresentado como fator primordial para permanecer sem assistência.
Na ótica do Sindicato dos Corretores de Seguro do Estado de Sergipe (Sincor), esta medida transparece de forma leal do pensamento capitalista adotado por muitos empresários. Por se tratar de serviços integralmente conectados à integridade física e mental dos desportistas, é de fundamental importância que o zelo pelo bem estar do próximo, e a garantia de assistência em caso de acidentes, estejam sempre em primeiro lugar. Essa postura deve prevalecer mesmo diante da concorrência de mercado; uma oportunidade a mais, inclusive, de garantir ao público alvo que aquele espaço se preocupa com os seus clientes.
Para Érico Melo, presidente do Sincor/SE, é mito acreditar que as apólices alcançam tetos altos ao ponto de onerar em grande escala no lucro da empresa. O especialista destaca que em alguns caso o acidente pode ser protagonizado não apenas por irresponsabilidade administrativa da academia, mas também por negligência dos professores. "Acontece! As vezes essas academias estão repletas de alunos e os professores não conseguem acompanhar passo a passo de todos. O seguro é uma segurança do próprio empresário caso ele necessite arcar com os gastos com acompanhamento médico, hospitalar e até óbito de um cliente", destacou.
Conforme previamente definido pelo JORNAL DO DIA, por não se tratar de um item legislativamente obrigatório aos estabelecimentos, nesta reportagem não serão divulgados os nomes das academias sem proteção, tampouco as quatro asseguradas. A proposta deste conteúdo não é difamar, ou enaltecer marcas empresariais. A ideia é apresentar ao leitor uma espécie de 'raio x' do cenário frequentado por inúmeros sergipanos preocupados, por exemplo, em fugir do sedentarismo. Os dados seguem guardados no arquivo do JD e somente serão repassados - caso pleiteado, aos órgãos de fiscalização e proteção ao consumidor.
"É compreensivo e justo manter essa linha. Esse conteúdo serve para que os empresários se deparem com essa ação de utilidade pública e busquem um corretor de seguros para adquirir o seguro empresarial. Este mercado de seguro é muito extenso e podem ter certeza que possui opções para todas as demandas. Se tratando de bem patrimonial e preservação da integridade dos clientes e funcionários, contar apenas com a sorte não trata-se de uma medida inteligente", afirmou Érico Melo.

Suporte - Seguindo nesta linha de raciocínio defendida pelo presidente do Sindicato dos Corretores, a nutricionista Laís Nascimento, com cinco meses de gestação, antes de reiniciar as atividades físicas após descobrimento da gestação buscou filtrar as academias que apresentassem algum tipo de segurança. Além de obter a garantia de acompanhamento especializado, a certeza de ser amparada assistencialmente em caso de complicações se tornou item indispensável. Questionada sobre o valor mensal em virtude da cobertura proporcionada, ela destacou ser fator secundário.
"Se tem uma coisa que não abro mão é adotar todas as medidas que proporcionem segurança a mim e ao meu filho. Tenho plena convicção da necessidade de não ficar parada mesmo neste momento de gestação, e por isso busquei um local onde eu receba acompanhamento de qualidade e que me garanta assistência caso precise", declarou a nutricionista que concluiu dizendo: "evidentemente a mensalidade é um pouco maior se comparada a outras academias, mas não me restam dúvidas que fiz a escolha certa. Quando eu entro e saio dessa academia eu me sinto protegida e isso é o que mais me importa".
Apesar do baixo índice de centros de treinamento ainda sem cobertura de seguros, o educador físico Eduardo Pereira acredita que em breve haverá uma mudança positiva neste cenário. Atuante nesta área desde novembro de 2009, ele enaltece os locais assegurados. "São os locais onde a gente percebe que a direção se preocupa com os servidores e os clientes. No contexto geral é nítido perceber que os gestores conseguem com gestos como esses fidelizar o público alvo. Nesse período de experiência poucas (academias) que trabalhei ofertavam seguro, mas todas elas seguem em atuação e com grande número de clientes", afirmou.

Registro - A pesquisa elaborada pelo JORNAL DO DIA foi realizada nos municípios sergipanos de Aracaju, Itabaiana, São Cristóvão, Barra dos Coqueiros e Nossa Senhora do Socorro. O critério do estudo foi apurar a situação nas cinco cidades com maior número de habitantes de acordo com o último levantamento produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todos os dados foram oficializados junto ao Cartório Pierete do 8º Ofício de Notas e Registros, zona central de Aracaju, sob a inscrição: 201829527165241.