Conversa com a presidenta.

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Publicada em 19/06/2012 às 11:48:00

Hieda Lucia Dias, 66 anos, professora aposentada em Brasília (DF) - Sou mãe e avó e me preocupo com a questão do meio ambiente. Qual será a defesa do Brasil na Rio+20 no sentido de garantir que as futuras gerações tenham acesso aos recursos naturais e a uma sociedade mais igualitária?

Presidenta Dilma - O Brasil, Hieda, vai aproveitar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, para reafirmar que o desenvolvimento deve ser sempre sustentável - deve combinar crescimento econômico, inclusão social e proteção ambiental. Nós temos adotado esta estratégia e de forma bem sucedida. Na última década, nosso Produto Interno Bruto (PIB) cresceu mais de 40%, 40 milhões de brasileiros ascenderam à classe média e outras dezenas de milhões saíram da pobreza. Tudo isso respeitando o meio ambiente, pois entre 2004 e 2011, o desmatamento na região Amazônica caiu 77% e hoje, mais de 80% da vegetação original da região permanece intacta, um exemplo para o mundo. Estas conquistas nos dão a base para defender, na Rio+20, que o caminho da sustentabilidade é o melhor que podemos adotar para as atuais gerações e também em benefício de nossos descendentes. O modelo do Brasil não é o único, mas demonstra que, com vontade política, o desenvolvimento sustentável é possível.

Alisson Edvard Almeida Costa, 32 anos, servidor público federal em Nova Lima (MG) - O que o governo pode fazer para agilizar a melhoria de nossas rodovias federais? Considerando o elevado número de mortes em algumas dessas estradas, poderíamos repensar este tema, não apenas como uma deficiência de infraestrutura, mas também como um problema social?

Presidenta Dilma - Alisson, a redução dos acidentes nas rodovias exige ações em várias áreas. A Polícia Rodoviária Federal mostra que 71% das mortes nas estradas ocorrem por falha humana. Por isso, vamos continuar investindo para melhorar as rodovias, mas também para mudar o comportamento dos motoristas. O Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade, por exemplo, instalará sensores e radares até 2014, incluindo áreas rurais. Já no Parada - Pacto Nacional pela Redução de Acidentes, lançado em 2011, estamos engajando toda a sociedade pela segurança no trânsito, como parte da iniciativa da ONU de proclamar 2011 a 2020 como a Década de Ações de Segurança do Trânsito. Com base na Lei Seca, conseguimos avançar muito na redução de acidentes, inclusive nas estradas. Temos, em andamento, 2.105 quilômetros de obras de adequação e duplicação de rodovias, que eliminam pontos críticos das pistas. A mudança de atitude de toda a sociedade e os investimentos que estamos fazendo no PAC para melhorar as rodovias certamente permitirão que o número de vítimas do trânsito seja cada vez menor.

Lucivânia Silva de Andrade Lima, 41 anos, assistente de recursos humanos em Nazaré da Mata (PE) - O governo federal dispõe de algum órgão competente para atender a nossa comunidade, através da associação de moradores, com projetos desportivos, culturais e profissionalizantes, principalmente para jovens que estão expostos às drogas nas escolas e nas ruas?

Presidenta Dilma - Lucivânia, há várias ações federais em seu município com este objetivo, desenvolvidas em parceria com o governo de Pernambuco e com a prefeitura. E que estão, também, nos demais Estados do Brasil. Em Nazaré da Mata já existem, por exemplo, três Pontos de Cultura, que estimulam as manifestações populares e culturais de raiz. Para manter os alunos na escola em tempo integral, temos o programa Mais Educação, com acompanhamento pedagógico e atividades de esporte e lazer, cultura e promoção da saúde. No seu município, a escola Dom Vieira já funciona em regime semi-integral. O Projeto Esporte e Lazer da Cidade (Pelc), que estimula práticas esportivas e de lazer entre a população, é também uma oportunidade, e receberá projetos de universidades federais ou prefeituras até o próximo dia 13 de julho (http://www.esporte.gov.br/snelis/esporteLazer/comoParticipar.jsp).  Manter nossos jovens afastados das drogas é um desafio para todos nós, Lucivânia, governo e sociedade. Lançamos no ano passado o programa "Crack, É possível vencer!, com ações de atenção de cuidado em saúde para os usuários, prevenção ao uso e enfrentamento ao tráfico de drogas, ao qual o estado de Pernambuco já aderiu. E há também em sua cidade um Centro de Referência de Assistência Social (Cras), responsável pela acolhida e prestação de serviços socioassistenciais às pessoas mais vulneráveis.