Juiz ouve frentista e oficiais sobre desvios na PM

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O sargento Robertson chegou a audiência escondendo o rosto
O sargento Robertson chegou a audiência escondendo o rosto

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Publicada em 07/08/2018 às 05:17:00

O juiz Edno Aldo Ribeiro Santana, da 6ª Vara Criminal de Aracaju (Auditoria Militar), presidiu ontem uma nova audiência de instrução do processo que apura um suposto esquema de desvio de dinheiro da verba usada para a compra de combustíveis na Polícia Militar. Durante toda a manhã, quatro testemunhas indicaras pelo Ministério Público foram ouvidas em depoimento no Fórum Gumersindo Bessa, na presença do sargento Robertson Souza Santos, arrolado como principal réu do processo e que está preso desde fevereiro deste ano, sob acusação de ser o principal mentor dos desvios.

Entre as testemunhas ouvidas, estão dois cabos e um major que trabalharam com Robertson na Central de Suprimentos e Manutenção (CSM), onde o réu estava lotado na época em que os desvios aconteceram. O depoimento considerado mais importante foi o de uma frentista que trabalhava no posto de combustíveis onde foram registrados boa parte dos abastecimentos considerados suspeitos. Ela contou em juízo que o esquema foi praticado durante cerca de dois anos e envolveu principalmente o uso de cartões do sistema eletrônico que gerencia o abastecimento das viaturas da PM, que eram repassados por policiais e usados para abastecer carros que não pertenciam à frota.

Na prática, o dinheiro do abastecimento era descontado dos créditos do cartão de abastecimento e “devolvido” em espécie para os policiais, com o dinheiro do caixa do posto, enquanto a viatura atrelada ao cartão não era abastecida. A testemunha disse ainda que uma colega estava diretamente envolvida com o esquema e que só soube dele depois que ela foi processada e o esquema foi divulgado pela imprensa. Outra informação revelada é de que uma outra funcionária, responsável pelo caixa, recebia um pagamento de até R$ 90 por mês, para que não revelasse nada sobre o esquema. E que ela mesmo chegou a receber um pagamento, mas não sabia da origem do dinheiro.

O advogado de defesa do sargento Robertson, Aloísio Vasconcelos, disse que o depoimento da frentista não comprova a participação do cliente no suposto desvio, pois ela não citou nominalmente quem seriam os policiais diretamente envolvidos com os abastecimentos irregulares. Ele informou ainda que pediu a revogação da prisão preventiva do policial, por falta de provas concretas que o ligariam aos desvios.

O Ministério Público Militar denunciou o sargento pelos desvios e afirma que eles causaram um prejuízo de cerca de R$ 50 mil aos cofres da corporação. Ele se baseou em um Inquérito Policial Militar instaurado em 11 de dezembro de 2017 pela Corregedoria da PM, o qual resultou no indiciamento de Robertson e da frentista apontado como responsável pelo esquema. Outros dois oficiais deveriam ter sido ouvidos na audiência de ontem, mas em virtude da demora dos depoimentos realizados eles deverão prestar depoimento em outubro.