'Piedade, a seu dispô'

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Isabel Santos na pele da Senhora dos Restos: Diva \"pé no chão\".
Isabel Santos na pele da Senhora dos Restos: Diva \"pé no chão\".

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Publicada em 10/08/2018 às 08:16:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Coberta de louros, 
atriz aplaudida nos 
quatro cantos do País, a toda poderosa Isabel Santos não pensou duas vezes antes de ligar para Euler Lopes, uma das poucas vozes autorais pronunciadas hoje no ambiente agreste do teatro Serigy. Ela queria um monólogo e não faria a menor cerimônia para encomendar o texto.
Euler não conseguiu acreditar no que ouvia. O ambiente tumultuado do mercado municipal de Aracaju, onde se deu o encontro, era o cenário de um esboço ainda sem rumo, em fase de gestação, em vias de ganhar uma forma mais ou menos definida. Uma coincidência. Mas, antes mesmo de sentar à mesa do bar, ele sabia que diria sim a Isabel, a grande dama do teatro revelada pelo Imbuaça. Pouco importava a sua proposta.
'Senhora dos restos' era então pouco mais de uma página. Mas a oportunidade de assumir um ponto de vista diverso do adotado no grupo 'A tua lona', o canal habitual de sua produção teatral, serviu de incentivo para Euler colocar a mão na massa. Da inesperada união entre uma atriz consagrada e um jovem dramaturgo na flor da idade surgiu um dos espetáculos mais bem sucedidos do teatro sergipano recente. E uma amizade que ainda deve render muitos aplausos.
Euler brinca: "Hoje, somos íntimos". Mas, no que diz respeito ao grande público, a mais pura verdade não passa de mero detalhe. Interessa saber, isso sim, dos frutos amadurecendo nos galhos criativos da dupla. 'Piedade, a seu dispô', outro monólogo escrito sob medida para a diva "pé no chão", já tem diretor, produtor e até previsão de estréia. "Só falta a grana", diz Isabel, sem fazer arrodeios, sem papas na língua.
A atriz está mais uma vez à frente do projeto e espera levantar os recursos necessários para a montagem por meio de campanhas de financiamento coletivo e nas redes sociais. A ausência de uma Lei de incentivo à Cultura em vigor no âmbito local, entretanto, dificulta a abordagem junto aos empresários eventualmente sensíveis à causa artística.
Segundo ela, que nos primórdios da própria trajetória andava com um "livro de ouro" embaixo do braço, batendo as sete freguesias, engolindo a seco muitos "nãos", fazer teatro nunca foi fácil, mas também não precisa ser assim tão sofrido. 
"Nós somos meio doidos. E a maior louca sou eu. A gente ainda não tem um centavo no caixa do projeto, mas o diretor (José Maciel, da Paraíba) já tem data marcada para chegar aqui", revela, com um bom humor muito característico, às gargalhadas.
Por enquanto, Piedade é menos um personagem de carne e osso, mais uma ideia. Os pais da criança, no entanto, já vislumbram os contornos mais salientes da sua criação. Sabe-se desde já, por exemplo, o lugar de fala "marginal" assumido pela empregada doméstica que batiza o espetáculo. O tom do grito liberto no palco, no entanto, tende a ser outro, diferente do lamento alucinado da Senhora dos Restos. Euler e Isabel encaram o teatro como um exercício de revelação. E jamais se dariam a tanto trabalho se não tivessem nada de novo para dividir com as platéias.

Coberta de louros,  atriz aplaudida nos  quatro cantos do País, a toda poderosa Isabel Santos não pensou duas vezes antes de ligar para Euler Lopes, uma das poucas vozes autorais pronunciadas hoje no ambiente agreste do teatro Serigy. Ela queria um monólogo e não faria a menor cerimônia para encomendar o texto.
Euler não conseguiu acreditar no que ouvia. O ambiente tumultuado do mercado municipal de Aracaju, onde se deu o encontro, era o cenário de um esboço ainda sem rumo, em fase de gestação, em vias de ganhar uma forma mais ou menos definida. Uma coincidência. Mas, antes mesmo de sentar à mesa do bar, ele sabia que diria sim a Isabel, a grande dama do teatro revelada pelo Imbuaça. Pouco importava a sua proposta.
'Senhora dos restos' era então pouco mais de uma página. Mas a oportunidade de assumir um ponto de vista diverso do adotado no grupo 'A tua lona', o canal habitual de sua produção teatral, serviu de incentivo para Euler colocar a mão na massa. Da inesperada união entre uma atriz consagrada e um jovem dramaturgo na flor da idade surgiu um dos espetáculos mais bem sucedidos do teatro sergipano recente. E uma amizade que ainda deve render muitos aplausos.
Euler brinca: "Hoje, somos íntimos". Mas, no que diz respeito ao grande público, a mais pura verdade não passa de mero detalhe. Interessa saber, isso sim, dos frutos amadurecendo nos galhos criativos da dupla. 'Piedade, a seu dispô', outro monólogo escrito sob medida para a diva "pé no chão", já tem diretor, produtor e até previsão de estréia. "Só falta a grana", diz Isabel, sem fazer arrodeios, sem papas na língua.
A atriz está mais uma vez à frente do projeto e espera levantar os recursos necessários para a montagem por meio de campanhas de financiamento coletivo e nas redes sociais. A ausência de uma Lei de incentivo à Cultura em vigor no âmbito local, entretanto, dificulta a abordagem junto aos empresários eventualmente sensíveis à causa artística.
Segundo ela, que nos primórdios da própria trajetória andava com um "livro de ouro" embaixo do braço, batendo as sete freguesias, engolindo a seco muitos "nãos", fazer teatro nunca foi fácil, mas também não precisa ser assim tão sofrido. 
"Nós somos meio doidos. E a maior louca sou eu. A gente ainda não tem um centavo no caixa do projeto, mas o diretor (José Maciel, da Paraíba) já tem data marcada para chegar aqui", revela, com um bom humor muito característico, às gargalhadas.
Por enquanto, Piedade é menos um personagem de carne e osso, mais uma ideia. Os pais da criança, no entanto, já vislumbram os contornos mais salientes da sua criação. Sabe-se desde já, por exemplo, o lugar de fala "marginal" assumido pela empregada doméstica que batiza o espetáculo. O tom do grito liberto no palco, no entanto, tende a ser outro, diferente do lamento alucinado da Senhora dos Restos. Euler e Isabel encaram o teatro como um exercício de revelação. E jamais se dariam a tanto trabalho se não tivessem nada de novo para dividir com as platéias.