Dom Bosco - 203 anos

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Publicada em 16/08/2018 às 08:30:00

 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB
Neste dia 16 de agosto comemoram-
se 203 anos do nascimento do Santo 
fundador da Família Salesiana, hoje presente nos cinco continentes, com milhões de ex-alunos e ex-alunas. Nasceu João Bosco - ou Dom Bosco, como ficou conhecido - num humilde casebre na colina dos Becchi, povoado de Castelnuovo d'Asti, hoje Castelnuovo Don Bosco, no então reino do Piemonte, no norte da Itália. Réplica perfeita da casa de sua infância pode ser visitada na Colônia Salesiana, em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Era ele filho de Francisco Bosco e Margarida Occhiena e tinha um irmão, Giuseppe, e outro meio-irmão, Antônio, filho do primeiro matrimônio de seu pai Francisco que, viúvo, casara-se com sua mãe.
Aos nove anos, ainda semianalfabeto, teve um sonho extraordinário, em que uma Senhora, "de aspecto majestoso", como ele disse, o encarregara de cuidar de seus filhos, que deveriam converter-se de animais ferozes em mansos cordeirinhos. Tarefa primeira sua era "tornar-se humilde, forte e robusto", porque "a seu tempo, tudo compreenderás"... dizia a Senhora. No café da manhã, contou aos seus o sonho que lhe parecia prognóstico de seu futuro. O irmão José opinou que ele seria pastor de ovelhas, o irmão Antônio, que o detestava, achou que o sonho indicava que ele seria chefe de bandidos. Mamãe Margarida, alisando os cabelos do filho querido, prognosticou: "Quem sabe se meu filho não será Padre!". A avó cortou a conversa, definindo: "Não se deve dar importância a sonhos". Joãozinho, na hora aderiu à sentença da avó, mas na maturidade confessa que nunca esqueceu o sonho dos 9 anos, nem o revelou a ninguém, até que o Papa Pio IX lhe impusesse a obrigação de escrevê-lo em suas Memórias, para conhecimento de seus filhos espirituais.
Com imensos sacrifícios, trabalhos e humilhações, João Bosco conseguiu estudar e ordenar-se sacerdote em 1841, pela unção episcopal de seu primeiro benfeitor, o arcebispo Fransoni. Ainda com sacrifícios, trabalhos e perseguições, cumpriu a missão que a Senhora do sonho dos 9 anos lhe confiara. Aos 75 anos incompletos, em 31 de janeiro de 1888, prematuramente esgotado de forças físicas, faleceu no berço de sua obra, em Valdocco, então bairro da periferia de Turim.
Iniciada por Dom Bosco com os Salesianos, as Filhas de Maria Auxiliadora, a ADMA (Associação dos Devotos de Maria Auxiliadora) e os Salesianos Cooperadores (espécie de Ordem Terceira), a grande Família Salesiana tem hoje mais de trinta agregados nos cinco continentes. No Brasil, além das quatro instituições do tempo de Dom Bosco, temos a Canção Nova, com grande trabalho de evangelização pelos meios de comunicação. Ainda fora dos quadros institucionais, cultuam o carisma salesiano obras de grande valor pedagógico e evangelizador, como é o caso, em Maceió, da Casa Dom Bosco, dirigida pelo Pe. Tito Regis Rodrigues.
No dia 8 de dezembro de 1841, ano de sua ordenação sacerdotal, festa da Imaculada, na hora de sua Missa na Igreja de São Francisco de Assis, em Turim, Dom Bosco encontrou seu primeiro aluno, Bartolomeu Garelli. Era um pobre ajudante de pedreiro, vindo do interior, analfabeto, sem nenhum conhecimento da doutrina cristã. Dom Bosco deu-lhe a primeira aula de catecismo, começando aí o Oratório São Francisco de Sales.
O Oratório peregrinou por vários pontos da capital do Piemonte, até estabelecer-se em Valdocco, bairro de periferia.  E assim, a vida de Dom Bosco foi toda ela marcada por incompreensões, perseguições e sofrimentos. Os padres da arquidiocese o julgavam doido, as autoridades civis um elemento perigoso para a ordem pública. Até um arcebispo, Dom Gastaldi, o considerou insubordinado à autoridade diocesana. No fim da vida, foi consolado pela amizade e apoio do Cardeal Alimonda, seu último bispo.
A aprovação definitiva das Constituições Salesianas custou-lhe penosas viagens a Roma, enfrentando ferrenha oposição da Cúria Romana, não obstante o carinho paterno e o apoio pessoal do santo Papa Pio IX.
A expansão mundial de sua obra começou com as missões na Patagônia, "o fim do mundo", como a chamou o Papa argentino. E logo, sua Congregação estabeleceu-se em outros países da América Latina.  A vez do Brasil foi em 1883, Niterói, e 1885, São Paulo.
Custou-lhe imensos sacrifícios a construção de suas duas basílicas: a de Maria Auxiliadora, em Turim-Valdocco, berço de sua obra mundial, onde está gravada a inscrição que ele vira em sonhos, referindo-se à sua celestial patrona: "Aqui é minha casa, daqui a minha glória". A outra basílica é a do Sagrado Coração de Jesus, em Roma, no bairro do Castro Pretório, pedido do Papa Leão XIII, seu grande protetor. Esse trabalho, com viagens à França e pela Itália, implorando os recursos necessários, foi o consumidor das últimas energias físicas de Dom Bosco. A Missa que ele celebrou na inauguração dessa igreja foi o marco do encerramento de suas atividades, quando ele proclamou da Senhora de seus sonhos: "Foi Ela que tudo fez!". 
"Razão, religião e carinho" - é o trinômio-base do seu sistema educativo, chamado Sistema Preventivo. Não de um pedagogo ou teórico da educação, mas de um Santo e um dos maiores educadores do século 19, é que estamos comemorando dois séculos e três anos de nascimento.
* * *
E.T. - Esta edição de hoje bem que se poderia intitular 'comemorativa', pois, com este artigo, Dom Edvaldo completa 3 anos ininterruptos de publicações semanais às quintas-feiras aqui no 'Jornal do Dia'. Daí o texto de hoje ser uma reprodução da primeira publicação, datada de 15/08/2015, artigo antecedido por um caloroso "Boas-vindas!", escrito por meu pai, o 'Memorialista Raymundo Mello', por generosa delegação do nosso Editor geral, 'Jornalista Gilvan Manoel'. 
Um ciclo se completa! Como curador dos artigos de Dom Edvaldo 'para publicação em Aracaju', expresso um agradecimento especial à direção do jornal por ter presenteado o público leitor sergipano com seus artigos durante estes três anos, semana-a-semana, numa feliz iniciativa, saúdo com devotada estima, Dom Edvaldo, meu particular amigo desde a infância, "por estender seu apostolado jornalístico às ovelhas do seu primeiro rebanho como bispo e parabenizo os leitores que, entre outros textos de valor aqui publicados, [puderam] sorver palavras escritas "na Fé e na Verdade", íntegras da Igreja de Jesus Cristo, de Maria Santíssima e do Papa", no dizer de meu pai.
Os que desejarem a cópia de algum dos artigos aqui publicados, impressa ou digitalizada, poderão solicitar-me através de e-mail (raymundinhomello@gmail.com) ou correspondência (CxP. 3001 - 49.015-250 - Aracaju-SE). Terei imensa alegria em disponibilizar.
Dom Edvaldo, hoje com 91 anos, reside em Recife-PE, no Colégio Salesiano Sagrado Coração. (Raymundinho Mello)
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió
(foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)
dedvaldo@salesianorecife.com.br 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB

Neste dia 16 de agosto comemoram- se 203 anos do nascimento do Santo  fundador da Família Salesiana, hoje presente nos cinco continentes, com milhões de ex-alunos e ex-alunas. Nasceu João Bosco - ou Dom Bosco, como ficou conhecido - num humilde casebre na colina dos Becchi, povoado de Castelnuovo d'Asti, hoje Castelnuovo Don Bosco, no então reino do Piemonte, no norte da Itália. Réplica perfeita da casa de sua infância pode ser visitada na Colônia Salesiana, em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Era ele filho de Francisco Bosco e Margarida Occhiena e tinha um irmão, Giuseppe, e outro meio-irmão, Antônio, filho do primeiro matrimônio de seu pai Francisco que, viúvo, casara-se com sua mãe.
Aos nove anos, ainda semianalfabeto, teve um sonho extraordinário, em que uma Senhora, "de aspecto majestoso", como ele disse, o encarregara de cuidar de seus filhos, que deveriam converter-se de animais ferozes em mansos cordeirinhos. Tarefa primeira sua era "tornar-se humilde, forte e robusto", porque "a seu tempo, tudo compreenderás"... dizia a Senhora. No café da manhã, contou aos seus o sonho que lhe parecia prognóstico de seu futuro. O irmão José opinou que ele seria pastor de ovelhas, o irmão Antônio, que o detestava, achou que o sonho indicava que ele seria chefe de bandidos. Mamãe Margarida, alisando os cabelos do filho querido, prognosticou: "Quem sabe se meu filho não será Padre!". A avó cortou a conversa, definindo: "Não se deve dar importância a sonhos". Joãozinho, na hora aderiu à sentença da avó, mas na maturidade confessa que nunca esqueceu o sonho dos 9 anos, nem o revelou a ninguém, até que o Papa Pio IX lhe impusesse a obrigação de escrevê-lo em suas Memórias, para conhecimento de seus filhos espirituais.
Com imensos sacrifícios, trabalhos e humilhações, João Bosco conseguiu estudar e ordenar-se sacerdote em 1841, pela unção episcopal de seu primeiro benfeitor, o arcebispo Fransoni. Ainda com sacrifícios, trabalhos e perseguições, cumpriu a missão que a Senhora do sonho dos 9 anos lhe confiara. Aos 75 anos incompletos, em 31 de janeiro de 1888, prematuramente esgotado de forças físicas, faleceu no berço de sua obra, em Valdocco, então bairro da periferia de Turim.
Iniciada por Dom Bosco com os Salesianos, as Filhas de Maria Auxiliadora, a ADMA (Associação dos Devotos de Maria Auxiliadora) e os Salesianos Cooperadores (espécie de Ordem Terceira), a grande Família Salesiana tem hoje mais de trinta agregados nos cinco continentes. No Brasil, além das quatro instituições do tempo de Dom Bosco, temos a Canção Nova, com grande trabalho de evangelização pelos meios de comunicação. Ainda fora dos quadros institucionais, cultuam o carisma salesiano obras de grande valor pedagógico e evangelizador, como é o caso, em Maceió, da Casa Dom Bosco, dirigida pelo Pe. Tito Regis Rodrigues.
No dia 8 de dezembro de 1841, ano de sua ordenação sacerdotal, festa da Imaculada, na hora de sua Missa na Igreja de São Francisco de Assis, em Turim, Dom Bosco encontrou seu primeiro aluno, Bartolomeu Garelli. Era um pobre ajudante de pedreiro, vindo do interior, analfabeto, sem nenhum conhecimento da doutrina cristã. Dom Bosco deu-lhe a primeira aula de catecismo, começando aí o Oratório São Francisco de Sales.
O Oratório peregrinou por vários pontos da capital do Piemonte, até estabelecer-se em Valdocco, bairro de periferia.  E assim, a vida de Dom Bosco foi toda ela marcada por incompreensões, perseguições e sofrimentos. Os padres da arquidiocese o julgavam doido, as autoridades civis um elemento perigoso para a ordem pública. Até um arcebispo, Dom Gastaldi, o considerou insubordinado à autoridade diocesana. No fim da vida, foi consolado pela amizade e apoio do Cardeal Alimonda, seu último bispo.
A aprovação definitiva das Constituições Salesianas custou-lhe penosas viagens a Roma, enfrentando ferrenha oposição da Cúria Romana, não obstante o carinho paterno e o apoio pessoal do santo Papa Pio IX.
A expansão mundial de sua obra começou com as missões na Patagônia, "o fim do mundo", como a chamou o Papa argentino. E logo, sua Congregação estabeleceu-se em outros países da América Latina.  A vez do Brasil foi em 1883, Niterói, e 1885, São Paulo.
Custou-lhe imensos sacrifícios a construção de suas duas basílicas: a de Maria Auxiliadora, em Turim-Valdocco, berço de sua obra mundial, onde está gravada a inscrição que ele vira em sonhos, referindo-se à sua celestial patrona: "Aqui é minha casa, daqui a minha glória". A outra basílica é a do Sagrado Coração de Jesus, em Roma, no bairro do Castro Pretório, pedido do Papa Leão XIII, seu grande protetor. Esse trabalho, com viagens à França e pela Itália, implorando os recursos necessários, foi o consumidor das últimas energias físicas de Dom Bosco. A Missa que ele celebrou na inauguração dessa igreja foi o marco do encerramento de suas atividades, quando ele proclamou da Senhora de seus sonhos: "Foi Ela que tudo fez!". 
"Razão, religião e carinho" - é o trinômio-base do seu sistema educativo, chamado Sistema Preventivo. Não de um pedagogo ou teórico da educação, mas de um Santo e um dos maiores educadores do século 19, é que estamos comemorando dois séculos e três anos de nascimento.
* * *
E.T. - Esta edição de hoje bem que se poderia intitular 'comemorativa', pois, com este artigo, Dom Edvaldo completa 3 anos ininterruptos de publicações semanais às quintas-feiras aqui no 'Jornal do Dia'. Daí o texto de hoje ser uma reprodução da primeira publicação, datada de 15/08/2015, artigo antecedido por um caloroso "Boas-vindas!", escrito por meu pai, o 'Memorialista Raymundo Mello', por generosa delegação do nosso Editor geral, 'Jornalista Gilvan Manoel'. 
Um ciclo se completa! Como curador dos artigos de Dom Edvaldo 'para publicação em Aracaju', expresso um agradecimento especial à direção do jornal por ter presenteado o público leitor sergipano com seus artigos durante estes três anos, semana-a-semana, numa feliz iniciativa, saúdo com devotada estima, Dom Edvaldo, meu particular amigo desde a infância, "por estender seu apostolado jornalístico às ovelhas do seu primeiro rebanho como bispo e parabenizo os leitores que, entre outros textos de valor aqui publicados, [puderam] sorver palavras escritas "na Fé e na Verdade", íntegras da Igreja de Jesus Cristo, de Maria Santíssima e do Papa", no dizer de meu pai.
Os que desejarem a cópia de algum dos artigos aqui publicados, impressa ou digitalizada, poderão solicitar-me através de e-mail (raymundinhomello@gmail.com) ou correspondência (CxP. 3001 - 49.015-250 - Aracaju-SE). Terei imensa alegria em disponibilizar.
Dom Edvaldo, hoje com 91 anos, reside em Recife-PE, no Colégio Salesiano Sagrado Coração. (Raymundinho Mello)

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió(foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)dedvaldo@salesianorecife.com.br