Tiro, bomba e porrada

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O tom é de confronto
O tom é de confronto

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Publicada em 18/08/2018 às 07:35:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A Banda dos Corações 
Partidos jamais soou 
tão pra frente. Ao invés do acento circense da primeira hora, a gastação remete agora à guitarrada, o arrocha e o partido alto. Logo se vê que 'Desamor' (2018) não economiza na pegada. A maior surpresa do registro, entretanto, não reside no aspecto formal das canções, mas no discurso berrado com toda a força por Diane Veloso. O tom é de confronto. Aparentemente, o amor romântico foi sepultado de vez, ferindo de morte o tal do patriarcado.
Sinal dos tempos. E ai de quem derramar uma lágrima pelo finado. Não por acaso, as canções mais fortes do EP chegam às vias de fato. 'Veneno' (Alex Sant'Anna) e 'Morra' (Alex Sant'Anna e Diane Veloso), talvez  as melhores faixas já gravadas pela turma, pedem a cabeça de um algoz sem face. Não tem mais dor de cotovelo. Mimimi e chororô cessaram. Diane canta e até grita, insurgente. Parece anunciar que daqui pra frente resolverá tudo com tiro, bomba e porrada.
As razões para tamanha beligerância são de domínio público. A idealização amorosa é sim dos instrumentos de perpetuação do machismo, o mais cabeludo palavrão hodierno. E, embora A Banda dos Corações Partidos nunca tenha perdido tempo com a trilha sonora dos contos de fadas, o eu lírico das composições assinadas antes por Alex passavam longe de modelo ou reflexo do mulherio empoderado.
Alguém poderia questionar a razão de transformação tão radical em um intervalo mais ou menos breve, desde quando A Banda dos Corações Partidos lançou o seu primeiro disco, há quatro anos. Quem quiser arrisque uma resposta. Convém notar, contudo, que a guinada não é solitária. Elza Soares é uma que percorreu trajetória parecida, abrindo caminhos. Em certa medida e com algumas ressalvas, Anitta é outra. Dedo no cu e gritaria para mudar o mundo, contra a caretice e os reacionários.
O momento realmente tem um quê de odiento. E certa qualidade de artista não pode se dar ao luxo de pairar acima dos embates travados pelas pessoas de carne e osso, como uma diva sem buracos. A prova é um pixo, chamando atenção numa avenida do Augusto Franco. "Machos pebas, morram!", ameaça o desabafo riscado no muro. 'Desamor' faz o mesmo, com a autoridade própria de um produto de arte.

A Banda dos Corações  Partidos jamais soou  tão pra frente. Ao invés do acento circense da primeira hora, a gastação remete agora à guitarrada, o arrocha e o partido alto. Logo se vê que 'Desamor' (2018) não economiza na pegada. A maior surpresa do registro, entretanto, não reside no aspecto formal das canções, mas no discurso berrado com toda a força por Diane Veloso. O tom é de confronto. Aparentemente, o amor romântico foi sepultado de vez, ferindo de morte o tal do patriarcado.
Sinal dos tempos. E ai de quem derramar uma lágrima pelo finado. Não por acaso, as canções mais fortes do EP chegam às vias de fato. 'Veneno' (Alex Sant'Anna) e 'Morra' (Alex Sant'Anna e Diane Veloso), talvez  as melhores faixas já gravadas pela turma, pedem a cabeça de um algoz sem face. Não tem mais dor de cotovelo. Mimimi e chororô cessaram. Diane canta e até grita, insurgente. Parece anunciar que daqui pra frente resolverá tudo com tiro, bomba e porrada.
As razões para tamanha beligerância são de domínio público. A idealização amorosa é sim dos instrumentos de perpetuação do machismo, o mais cabeludo palavrão hodierno. E, embora A Banda dos Corações Partidos nunca tenha perdido tempo com a trilha sonora dos contos de fadas, o eu lírico das composições assinadas antes por Alex passavam longe de modelo ou reflexo do mulherio empoderado.
Alguém poderia questionar a razão de transformação tão radical em um intervalo mais ou menos breve, desde quando A Banda dos Corações Partidos lançou o seu primeiro disco, há quatro anos. Quem quiser arrisque uma resposta. Convém notar, contudo, que a guinada não é solitária. Elza Soares é uma que percorreu trajetória parecida, abrindo caminhos. Em certa medida e com algumas ressalvas, Anitta é outra. Dedo no cu e gritaria para mudar o mundo, contra a caretice e os reacionários.
O momento realmente tem um quê de odiento. E certa qualidade de artista não pode se dar ao luxo de pairar acima dos embates travados pelas pessoas de carne e osso, como uma diva sem buracos. A prova é um pixo, chamando atenção numa avenida do Augusto Franco. "Machos pebas, morram!", ameaça o desabafo riscado no muro. 'Desamor' faz o mesmo, com a autoridade própria de um produto de arte.