SUKITA NÃO É UM REFRIGERANTE

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 19/08/2018 às 00:47:00

Refrigerante, no Brasil, não sendo da Coca- Cola ou da Ambev está condenado a ter vida curta. Resistem as chamadas tubaínas, mas a sobrevivência é uma maratona de obstáculos. Concorrer com as duas gigantes que têm uma tentacular logística, e até podem impor ao cliente os seus próprios pacotes de produtos, é uma sacrificada maratona de obstáculos. A maior parte vai ficando pelo caminho.
O refrigerante Sukita foi um desses, que surgiu, cresceu e morreu assim, quase de morte súbita.  Um xarope amarelo e que efetivamente tinha  gosto forte de laranja. Era a reedição quase perfeita de um outro,  o Crush, feito em Pernambuco, e  que foi a melhor ¨laranja química¨ até hoje fabricada. Sumiu com a falência da fábrica.
Nos tempos em que o refrigerante , aquela laranjada artificialíssima estava em alta, um menino,  flanelinha e lavador de carro nas ruas de Aracaju, ganhou o apelido de Sukita. Ganhou e gostou, e então, como fazem os flanelinhas mais espertos começou a intermediar a venda de carros usados. Deu tão certo que logo aparecia o Sukita empresário, despontando numa área em que a  concorrência é acirrada, e tem,  entre alguns competidores, lances que se assemelham ou equivalem às praticas mafiosas.
Faz algum tempo um jornalista estava na sede aracajuana do PSB, conversando com o senador Valadares, quando foi anunciada a chegada de Sukita, então, no auge da sua escalada no comércio de veículos usados em Aracaju, chegando ao patamar em que a desenvoltura empresarial se faz mais importante do que a simples intuição para tocar o negócio.
O jovem Sukita foi à escola, também dedicou-se às artes marciais, e chegou a ser campeão nordestino de karatê na classe em que competia. Vaidoso, tem o rosto permanentemente maquiado.
Na conversa no PSB ele manifestou o desejo de ser candidato a prefeito da sua terra, Capela.   O jornalista que o conheceu naquela ocasião, fez a ele uma indagação dura: ¨ Sukita, você é traficante,  ou é ¨laranja¨?¨
Sukita respondeu com segurança  que não era uma coisa nem outra, e acrescentou uma sucinta história da sua vida, desde o nascimento pobre em Capela, à ascensão nos negócios.  Confiantemente disse que teria na politica uma carreira de sucessos.
O jornalista um tanto cético observou: ¨Se você for mesmo isso que diz, seu sucesso empresarial parece garantido, mas tenha muito cuidado, faça uma avaliação cuidadosa, a política é repleta de armadilhas e de muitas tentações.¨
Elegendo-se prefeito Sukita logo  ¨caiu em tentação ¨.
Em contraste com a miséria que o rodeava, distribuiu esmolas ao povo e foi morar numa casa quase suntuosa, uma espécie de castelo, a revelar o poder dos que lá moravam, e a distancia que os separavam da antiga pobreza.  Sukita circulava em carros de luxo, mas essas ostentações não lhe afetaram eleitoralmente, pelo contrário, lhe renderam cada vez mais votos.
 Reelegeu-se, e passou a sonhar muito mais alto. Todavia, contra ele chovem acusações e processos, foi condenado passou duas vezes pela cadeia, mas permanece candidato a deputado federal.
Condenado em segunda instancia, a ele prometeram  os aliados que iriam livrá-lo, tanto da prisão como da inelegibilidade.  
 O  desembargador Ricardo Múcio, presidente do Tribunal Eleitoral não fez pré-julgamento  quando detalhou o rito até a execução da pena a que Sukita já foi condenado. Assim, ele teria o sucesso interrompido,  tal como o refrigerante do qual herdou o nome. Mas, se ficar elegível  e disputar a eleição poderá ser o nosso deputado federal mais votado.
É a prova mais conclusiva de que o nosso eleitorado necessita urgente tomar um banho de escola .