Fora dos trilhos

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Publicada em 21/08/2018 às 07:46:00

 

O Brasil pagou muito caro pela 
última greve dos caminhonei-
ros. E, apesar de a população fazer das tripas coração para liquidar a fatura, nada garante que uma nova mobilização volte a ocorrer, sem aviso prévio. Em um cenário ideal, com dinheiro sobrando no cofre, bastaria ao governo federal reconhecer a dependência industrial da malha viária como um problema sério e investir em outras alternativas de transporte, por via férrea e fluvial, por exemplo. Em contexto de crise econômica, entretanto, com o País fora dos trilhos, a maior esperança de consenso reside nos tribunais.
O direito de greve é sagrado. E o ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está atento à letra constitucional. Em sua opinião, todavia, as lideranças de classe, sindicais e populares, precisam levar em conta a repercussão das próprias ações no conjunto da sociedade. O bloqueio de estradas e rodovias, por exemplo, sempre na opinião do ministro, é gesto extremo, levado às últimas consequências, longe demais.
Durante a greve mais recente, é imperativo lembrar, Moraes concedeu liminar ao governo autorizando o uso das forças policiais para desobstruir as estradas e a aplicação de multas às empresas e motoristas que bloqueavam as vias públicas. Ao todo, foram multadas 151 empresas, em valores que ultrapassam R$ 715 milhões. Ante uma cifra assim tão expressiva, as empresas multadas foram obrigadas a contestar os valores pelas meios cabíveis. E o ministro enxergou na querela uma oportunidade.
A esperança é de que novas mobilizações, quando fatalmente ocorrerem, preservem o interesse público, evitando uma crise de abastecimento, em nome da civilidade. Seria a primeira consequência virtuosa da greve. Fonte de muita lições e algumas advertências, a paralisação não teve a força de promover qualquer transformação estrutural no escoamento do PIB brasileiro. Apesar de um potencial o mais diverso, a rodovia é ainda a único caminho e paisagem.

O Brasil pagou muito caro pela  última greve dos caminhonei- ros. E, apesar de a população fazer das tripas coração para liquidar a fatura, nada garante que uma nova mobilização volte a ocorrer, sem aviso prévio. Em um cenário ideal, com dinheiro sobrando no cofre, bastaria ao governo federal reconhecer a dependência industrial da malha viária como um problema sério e investir em outras alternativas de transporte, por via férrea e fluvial, por exemplo. Em contexto de crise econômica, entretanto, com o País fora dos trilhos, a maior esperança de consenso reside nos tribunais.
O direito de greve é sagrado. E o ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está atento à letra constitucional. Em sua opinião, todavia, as lideranças de classe, sindicais e populares, precisam levar em conta a repercussão das próprias ações no conjunto da sociedade. O bloqueio de estradas e rodovias, por exemplo, sempre na opinião do ministro, é gesto extremo, levado às últimas consequências, longe demais.
Durante a greve mais recente, é imperativo lembrar, Moraes concedeu liminar ao governo autorizando o uso das forças policiais para desobstruir as estradas e a aplicação de multas às empresas e motoristas que bloqueavam as vias públicas. Ao todo, foram multadas 151 empresas, em valores que ultrapassam R$ 715 milhões. Ante uma cifra assim tão expressiva, as empresas multadas foram obrigadas a contestar os valores pelas meios cabíveis. E o ministro enxergou na querela uma oportunidade.
A esperança é de que novas mobilizações, quando fatalmente ocorrerem, preservem o interesse público, evitando uma crise de abastecimento, em nome da civilidade. Seria a primeira consequência virtuosa da greve. Fonte de muita lições e algumas advertências, a paralisação não teve a força de promover qualquer transformação estrutural no escoamento do PIB brasileiro. Apesar de um potencial o mais diverso, a rodovia é ainda a único caminho e paisagem.