Um dia a casa cai

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
Fibra de vidro e gosto duvidoso, ao custo de uns bons milhões de reais
Fibra de vidro e gosto duvidoso, ao custo de uns bons milhões de reais

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 22/08/2018 às 07:31:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O Teatro Tobias Bar-
reto, o teto impo-
nente que serve de abrigo para os bramidos do tempo presente nas terras de Sergipe Del Rey, deve passar por reforma. Até o fim do ano, o carpete fedendo a mofo e as poltronas quebradas, as maiores queixas sussurradas na plateia, entre pigarros e muxoxos mal educados, devem ser finalmente substituídos. De outro modo, um dia a casa cai.
A intervenção chega em momento oportuno, antes tarde do que nunca. Convém mencionar, contudo, que se o Governo de Sergipe demonstra merecida preocupação com a integridade e a conservação dos prédios e espaços públicos sob a sua responsabilidade, o mesmo não pode ser dito da atenção dedicada à sensibilidade nativa. No fim das contas, a classe política local tem uma sensibilidade de pedra. 
Justiça seja feita: Ao fim da atual gestão, as reformas do Cacique Chá, Rua do Turista, Centro de Criatividade e Arquivo Público terão consumido alguns bons milhões em recursos, um investimento bem razoável no patrimônio arquitetônico e material do lugar Serigy. Mas sem os papocos da Cultura local, sem o tum tum de um coração batendo acelerado, sem ocupação criativa, tanto dinheiro é gasto pra nada.
Foi neste sentido que aqui se questionou o investimento milionário realizado no Largo da Gente Sergipana, o mais cafona dos nossos cartões postais. Os turistas tiram fotos, porque turistas fotografam qualquer coisa. Mas os grupos folclóricos representados pelo artista baiano seguem à míngua, metidos em molambos, mortos de fome, tratados feito indigentes. Uma coisa é o monumento em fibra de vidro e gosto duvidoso realizado por Tati Moreno, recompensado com alguns milhões de reais. Outra, muito diferente, é a vida e a luta de Dona Nadir da Mussuca.
Segunda-feira, o Teatro Tobias Barreto fecha as portas para o grande público, pronto para receber a prometida reforma. E está muito bem empregado. Desse modo, o próximo governo não vai precisar mover nem uma pedra para adequar os espaços à reverberação dos tambores em silêncio na aldeia. Bastará os encher de gente, derramar luz e música, os colorir e povoar.

O Teatro Tobias Bar- reto, o teto impo- nente que serve de abrigo para os bramidos do tempo presente nas terras de Sergipe Del Rey, deve passar por reforma. Até o fim do ano, o carpete fedendo a mofo e as poltronas quebradas, as maiores queixas sussurradas na plateia, entre pigarros e muxoxos mal educados, devem ser finalmente substituídos. De outro modo, um dia a casa cai.
A intervenção chega em momento oportuno, antes tarde do que nunca. Convém mencionar, contudo, que se o Governo de Sergipe demonstra merecida preocupação com a integridade e a conservação dos prédios e espaços públicos sob a sua responsabilidade, o mesmo não pode ser dito da atenção dedicada à sensibilidade nativa. No fim das contas, a classe política local tem uma sensibilidade de pedra. 
Justiça seja feita: Ao fim da atual gestão, as reformas do Cacique Chá, Rua do Turista, Centro de Criatividade e Arquivo Público terão consumido alguns bons milhões em recursos, um investimento bem razoável no patrimônio arquitetônico e material do lugar Serigy. Mas sem os papocos da Cultura local, sem o tum tum de um coração batendo acelerado, sem ocupação criativa, tanto dinheiro é gasto pra nada.
Foi neste sentido que aqui se questionou o investimento milionário realizado no Largo da Gente Sergipana, o mais cafona dos nossos cartões postais. Os turistas tiram fotos, porque turistas fotografam qualquer coisa. Mas os grupos folclóricos representados pelo artista baiano seguem à míngua, metidos em molambos, mortos de fome, tratados feito indigentes. Uma coisa é o monumento em fibra de vidro e gosto duvidoso realizado por Tati Moreno, recompensado com alguns milhões de reais. Outra, muito diferente, é a vida e a luta de Dona Nadir da Mussuca.
Segunda-feira, o Teatro Tobias Barreto fecha as portas para o grande público, pronto para receber a prometida reforma. E está muito bem empregado. Desse modo, o próximo governo não vai precisar mover nem uma pedra para adequar os espaços à reverberação dos tambores em silêncio na aldeia. Bastará os encher de gente, derramar luz e música, os colorir e povoar.