Império da Lei

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Publicada em 23/08/2018 às 08:12:00

 

Excessos à parte, a verdade é que a 
operação Lava Jato, da Polícia Fe
deral, feriu de morte a cultura da impunidade que resguardava políticos e poderosos de bolsos cheios eventualmente surpreendidos em malfeito. Jamais se viu tamanha disposição dos agentes públicos encarregados de zelar pela Lei e a Ordem, a ponto de adquirirem um indesejável ar heróico, extrapolando muitas vezes as suas funções. Os efeitos perversos, no entanto, são ainda marginais. Hoje, os criminosos do colarinho branco temem o tratamento dispensado a qualquer ladrão de galinha. Com algum entusiasmo, já se admite a chance de finalmente passar o Brasil a limpo.
Em Sergipe, por exemplo, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal criam um grupo de trabalho para combater os crimes de lavagem de dinheiro, contra a ordem tributária, contra a administração pública e outras práticas correlatas conhecidas como crimes do colarinho branco. A portaria de criação do Grupo de Coordenação Interinstitucional (GCI) foi assinada ontem pelas três instituições.
O esforço conjunto sepulta de vez qualquer sombra de dúvida porventura remanescente sobre o afastamento da delegada Daniele Garcia, substituída no Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), ao fim do ano passado. Suspeita parecida foi ventilada quando Raquel Dodge assumiu o comando da Procuradoria Geral da República, empossada pelo presidente Michel Temer. Tanto em um caso, como em outro, no entanto, a sucessão dos eventos obedeceu aos ritos previstos em Lei e preservou as instituições de um indesejável acesso de personalismo.
A esta altura dos acontecimentos, ninguém em sã consciência acredita poder barrar o curso normal de qualquer investigação sob a responsabilidade dos entes públicos. Políticos que ocuparam as mais altas posições no primeiro escalão da República, bem como empresários milionários, estão vendo o sol nascer quadrado, uma exceção que periga virar regra. Submetidos ao império da Lei, estes sabem melhor do que ninguém o quão robustas são hoje as instituições democráticas brasileiras.

Excessos à parte, a verdade é que a  operação Lava Jato, da Polícia Fe deral, feriu de morte a cultura da impunidade que resguardava políticos e poderosos de bolsos cheios eventualmente surpreendidos em malfeito. Jamais se viu tamanha disposição dos agentes públicos encarregados de zelar pela Lei e a Ordem, a ponto de adquirirem um indesejável ar heróico, extrapolando muitas vezes as suas funções. Os efeitos perversos, no entanto, são ainda marginais. Hoje, os criminosos do colarinho branco temem o tratamento dispensado a qualquer ladrão de galinha. Com algum entusiasmo, já se admite a chance de finalmente passar o Brasil a limpo.
Em Sergipe, por exemplo, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal criam um grupo de trabalho para combater os crimes de lavagem de dinheiro, contra a ordem tributária, contra a administração pública e outras práticas correlatas conhecidas como crimes do colarinho branco. A portaria de criação do Grupo de Coordenação Interinstitucional (GCI) foi assinada ontem pelas três instituições.
O esforço conjunto sepulta de vez qualquer sombra de dúvida porventura remanescente sobre o afastamento da delegada Daniele Garcia, substituída no Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), ao fim do ano passado. Suspeita parecida foi ventilada quando Raquel Dodge assumiu o comando da Procuradoria Geral da República, empossada pelo presidente Michel Temer. Tanto em um caso, como em outro, no entanto, a sucessão dos eventos obedeceu aos ritos previstos em Lei e preservou as instituições de um indesejável acesso de personalismo.
A esta altura dos acontecimentos, ninguém em sã consciência acredita poder barrar o curso normal de qualquer investigação sob a responsabilidade dos entes públicos. Políticos que ocuparam as mais altas posições no primeiro escalão da República, bem como empresários milionários, estão vendo o sol nascer quadrado, uma exceção que periga virar regra. Submetidos ao império da Lei, estes sabem melhor do que ninguém o quão robustas são hoje as instituições democráticas brasileiras.