Arte sacra do século XVII é restaurada após atuação do MPF em Sergipe

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Imagem de Nossa Senhora do Socorro, a primeira restaurada após TAC
Imagem de Nossa Senhora do Socorro, a primeira restaurada após TAC

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Publicada em 25/08/2018 às 07:44:00

 

Após atuação do Ministério Público Federal (MPF) em Sergipe foi possível restaurar dez imagens da Paróquia Nossa Senhora do Socorro, localizada no município de Tomar do Geru, distante 130 km da capital Aracaju. A igreja, construída em 1688, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O trabalho de restauração das peças durou três anos e foi executado em um ateliê autorizado pelo Iphan, sediado em São Cristóvão (SE). O serviço, cujo custo ficou em R$ 100 mil, foi pago por empresa mineradora, após Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o MPF em Sergipe.
Segundo o atual pároco, padre José Adinaldo Pereira, a igreja foi construída há 330 anos e é herança da passagem dos jesuítas pela região, no século XVII. "Foi construída num esforço conjunto entre os jesuítas e os índios kiriris, o que se reflete na representação das imagens que, diferentemente das representações tradicionais, possuem explícitos traços e referências indígenas", explicou. As obras foram produzidas em madeira e terracota (argila), em 1688.
"Quem visita a igreja, que está belissimamente adornada pelas imagens restauradas, pode perceber que os índios talharam anjos, com olhos amendoados e vestes representativas da cultura indígena", afirmou a procuradora da República Lívia Tinôco. "As imagens revelam a cultura brasileira sincrética, nascida do contato e de um convívio que deixou as marcas da identidade, da ação e da memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira", acrescentou.
Compensação ambiental - O dinheiro para pagar a restauração das esculturas sacras foi proveniente de empresa mineradora que funcionava sem licença ambiental e minerária. Além disso, havia dano ambiental com o barulho causado pelas explosões que provocava. A empresa adquiriu decibelímetros, aparelhos utilizados pelo Pelotão Ambiental da Polícia Militar de Sergipe para medir a poluição sonora.
No acordo, a mineradora também ficou responsável por contratar um profissional engenheiro de minas e revisar o plano de lavra e de fogo da pedreira, de modo que seja prevista a recuperação do ambiente degradado pela exploração dos recursos minerais.
"O MPF resolveu dois problemas que existiam em Tomar do Geru a um só tempo: o funcionamento ilegal da pedreira, que afetava a população e o meio ambiente, e o péssimo estado de conservação dos bens culturais tombados, da Igreja Nossa Senhora do Socorro, que é um testemunho expressivo da presença jesuíta em Sergipe e da influência indígena na produção da arte sacra no século XVII", conclui a procuradora Lívia Tinôco.

Após atuação do Ministério Público Federal (MPF) em Sergipe foi possível restaurar dez imagens da Paróquia Nossa Senhora do Socorro, localizada no município de Tomar do Geru, distante 130 km da capital Aracaju. A igreja, construída em 1688, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O trabalho de restauração das peças durou três anos e foi executado em um ateliê autorizado pelo Iphan, sediado em São Cristóvão (SE). O serviço, cujo custo ficou em R$ 100 mil, foi pago por empresa mineradora, após Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o MPF em Sergipe.
Segundo o atual pároco, padre José Adinaldo Pereira, a igreja foi construída há 330 anos e é herança da passagem dos jesuítas pela região, no século XVII. "Foi construída num esforço conjunto entre os jesuítas e os índios kiriris, o que se reflete na representação das imagens que, diferentemente das representações tradicionais, possuem explícitos traços e referências indígenas", explicou. As obras foram produzidas em madeira e terracota (argila), em 1688.
"Quem visita a igreja, que está belissimamente adornada pelas imagens restauradas, pode perceber que os índios talharam anjos, com olhos amendoados e vestes representativas da cultura indígena", afirmou a procuradora da República Lívia Tinôco. "As imagens revelam a cultura brasileira sincrética, nascida do contato e de um convívio que deixou as marcas da identidade, da ação e da memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira", acrescentou.

Compensação ambiental - O dinheiro para pagar a restauração das esculturas sacras foi proveniente de empresa mineradora que funcionava sem licença ambiental e minerária. Além disso, havia dano ambiental com o barulho causado pelas explosões que provocava. A empresa adquiriu decibelímetros, aparelhos utilizados pelo Pelotão Ambiental da Polícia Militar de Sergipe para medir a poluição sonora.
No acordo, a mineradora também ficou responsável por contratar um profissional engenheiro de minas e revisar o plano de lavra e de fogo da pedreira, de modo que seja prevista a recuperação do ambiente degradado pela exploração dos recursos minerais.
"O MPF resolveu dois problemas que existiam em Tomar do Geru a um só tempo: o funcionamento ilegal da pedreira, que afetava a população e o meio ambiente, e o péssimo estado de conservação dos bens culturais tombados, da Igreja Nossa Senhora do Socorro, que é um testemunho expressivo da presença jesuíta em Sergipe e da influência indígena na produção da arte sacra no século XVII", conclui a procuradora Lívia Tinôco.