"Se tenho uma história pra contar, eu sento e escrevo"

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Publicada em 06/09/2018 às 11:12:00

 

Histórias de personagens das ilhas cabo-verdianas, em especial São Vicente, onde nasceu, marcam a obra do escritor e poeta Germano Almeida, vencedor da 30ª edição do Prêmio Camões de Literatura. 
Em 'O Testamento do Sr. Nepomuceno', obra de estreia do escritor, Germano conta a história de um homem que foi "apanhado pelas coisas". Desembarcou descalço em São Vicente e não só comprou sapato, como enriqueceu. Já em 'Dois Irmãos', uma de suas obras mais famosas, o drama de uma família marcada por um crime de fratricídio é descrito de forma rica e minuciosa, com suas diferentes nuances.
Para Germano, escrever é algo natural, como comer, ou respirar. "Eu escrevo desde sempre; publiquei com quase 50 anos de idade por acaso, pois nunca escrevi com a ideia de publicar. Se tenho uma história pra contar, eu sento e escrevo", diz ele. Talvez essa naturalidade justifique o espanto do escritor ao receber a notícia de que tinha sido o agraciado com o Prêmio Camões de Literatura. 
"Eu recebi a ligação do ministro da Cultura e fiquei muito feliz, mas logo pensei: tanta gente que poderia estar recebendo este prêmio".
Na noite desta terça-feira, na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, ladeado pelos ministros da Cultura de três países, o cabo-verdiano recebeu o maior galardão dedicado a escritores de língua portuguesa. Ouviu palavras carinhosas e elogiosas das autoridades e em seu discurso de agradecimento, dedicou a honraria ao povo de Cabo Verde. "Povo que me deu a conhecer suas histórias. Eram histórias encantadoras, muitas encantadas, que desafiavam nossa imaginação por mundos incógnitos", lembrou.
O ministro da Cultura do Brasil, Sérgio Sá Leitão, disse que Germano Almeida elevou com sua obra a língua portuguesa e que seus livros precisam ser mais conhecidos e divulgados em todos os países lusófonos. Já o ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, orgulhoso do escritor de sua terra, parabenizou Germano e disse que essa é uma honraria celebrada por todos os cabo-verdianos. Luis Filipe de Castro Mendes, ministro de Portugal, enfatizou a importância da língua portuguesa, "primeira mais falada no hemisfério Sul, quinta mais falada no mundo".
O Prêmio Camões foi instituído entre os governos de Portugal e do Brasil em 1988 e é considerado o mais importante da literatura em língua portuguesa. O objetivo é o de consagrar, anualmente, um autor da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que, pelo conjunto de sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua. A comissão julgadora é composta por representantes do Brasil, de Portugal e de países africanos de língua oficial portuguesa. O vencedor recebe 100 mil euros, sendo 50 mil euros arcados pelo Ministério da Cultura do Brasil.
O Brasil teve 12 representantes premiados nas 30 edições do evento. Os vencedores brasileiros foram: João Cabral de Melo Neto (1990), Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), Antonio Candido (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles (2005), João Ubaldo Ribeiro (2008), Ferreira Gullar (2010), Dalton Trevisan (2012), Alberto da Costa e Silva (2014) e Raduan Nassar (2016).
Antes de Almeida, outro cabo-verdiano recebeu a premiação. O poeta e ensaísta Arménio Vieira foi o vencedor da edição de 2009.
Vida e Obra - Germano Almeida estudou Direito na Universidade de Lisboa e dedica-se à advocacia na ilha cabo-verdiana de São Vicente. Estreou como contista no início da década de 1980. Seu primeiro romance, O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo, teve os direitos vendidos para vários países e foi adaptado ao cinema. As suas obras foram também editadas no Brasil, França, Espanha, Itália, Alemanha, Suécia, Holanda, Noruega e Dinamarca.

Histórias de personagens das ilhas cabo-verdianas, em especial São Vicente, onde nasceu, marcam a obra do escritor e poeta Germano Almeida, vencedor da 30ª edição do Prêmio Camões de Literatura. 
Em 'O Testamento do Sr. Nepomuceno', obra de estreia do escritor, Germano conta a história de um homem que foi "apanhado pelas coisas". Desembarcou descalço em São Vicente e não só comprou sapato, como enriqueceu. Já em 'Dois Irmãos', uma de suas obras mais famosas, o drama de uma família marcada por um crime de fratricídio é descrito de forma rica e minuciosa, com suas diferentes nuances.
Para Germano, escrever é algo natural, como comer, ou respirar. "Eu escrevo desde sempre; publiquei com quase 50 anos de idade por acaso, pois nunca escrevi com a ideia de publicar. Se tenho uma história pra contar, eu sento e escrevo", diz ele. Talvez essa naturalidade justifique o espanto do escritor ao receber a notícia de que tinha sido o agraciado com o Prêmio Camões de Literatura. 
"Eu recebi a ligação do ministro da Cultura e fiquei muito feliz, mas logo pensei: tanta gente que poderia estar recebendo este prêmio".
Na noite desta terça-feira, na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, ladeado pelos ministros da Cultura de três países, o cabo-verdiano recebeu o maior galardão dedicado a escritores de língua portuguesa. Ouviu palavras carinhosas e elogiosas das autoridades e em seu discurso de agradecimento, dedicou a honraria ao povo de Cabo Verde. "Povo que me deu a conhecer suas histórias. Eram histórias encantadoras, muitas encantadas, que desafiavam nossa imaginação por mundos incógnitos", lembrou.
O ministro da Cultura do Brasil, Sérgio Sá Leitão, disse que Germano Almeida elevou com sua obra a língua portuguesa e que seus livros precisam ser mais conhecidos e divulgados em todos os países lusófonos. Já o ministro da Cultura de Cabo Verde, Abraão Vicente, orgulhoso do escritor de sua terra, parabenizou Germano e disse que essa é uma honraria celebrada por todos os cabo-verdianos. Luis Filipe de Castro Mendes, ministro de Portugal, enfatizou a importância da língua portuguesa, "primeira mais falada no hemisfério Sul, quinta mais falada no mundo".
O Prêmio Camões foi instituído entre os governos de Portugal e do Brasil em 1988 e é considerado o mais importante da literatura em língua portuguesa. O objetivo é o de consagrar, anualmente, um autor da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que, pelo conjunto de sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua. A comissão julgadora é composta por representantes do Brasil, de Portugal e de países africanos de língua oficial portuguesa. O vencedor recebe 100 mil euros, sendo 50 mil euros arcados pelo Ministério da Cultura do Brasil.
O Brasil teve 12 representantes premiados nas 30 edições do evento. Os vencedores brasileiros foram: João Cabral de Melo Neto (1990), Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), Antonio Candido (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles (2005), João Ubaldo Ribeiro (2008), Ferreira Gullar (2010), Dalton Trevisan (2012), Alberto da Costa e Silva (2014) e Raduan Nassar (2016).
Antes de Almeida, outro cabo-verdiano recebeu a premiação. O poeta e ensaísta Arménio Vieira foi o vencedor da edição de 2009.
Vida e Obra - Germano Almeida estudou Direito na Universidade de Lisboa e dedica-se à advocacia na ilha cabo-verdiana de São Vicente. Estreou como contista no início da década de 1980. Seu primeiro romance, O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo, teve os direitos vendidos para vários países e foi adaptado ao cinema. As suas obras foram também editadas no Brasil, França, Espanha, Itália, Alemanha, Suécia, Holanda, Noruega e Dinamarca.