O FOGO E AS CINZAS DA NOSSA REPUTAÇÃO

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Publicada em 07/09/2018 às 07:07:00

 

Nossa imagem pelo mundo não anda lá muito 
boa. De fato a nossa reputação vai derreten
do a cada dia que passa. Primeiro os calamitosos experimentos na área econômica da ex-presidente Dilma, depois o tumulto nas ruas, em seguida um processo de impeachment que deixou no ar incontáveis suspeitas. Já tínhamos a sucessão de escândalos e, em consequência deles, o possível colapso da PETROBRÁS e de várias outras empresas, entre elas, as grandes construtoras com sólida imagem internacional.  Imaginou-se, até, e de certa forma houve, um retemperar de um mínimo de credibilidade em virtude do novo governo que chegava, por via transversa, é verdade, mas, afinal, tratava-se de um político experiente, um professor de Direito Constitucional e, isso, de alguma maneira disfarçava a ideia de que seria ele apenas um farsante corrupto, cercado de uma quadrilha faminta e sedenta de poder.
Temer transmitiu boa sinalização ao mercado, obedeceu à exigência de colocar nos postos chave gente ungida pela FEBRABAN e prometeu fazer as tão ansiadas reformas, que seriam as pílulas azuis para as nossas decepcionantes impotências.
Meireles, o "guarda costas" do sistema financeiro, deixou no vazio a promessa de fazer o PIB brasileiro voltar a crescer três por cento ao ano e meteu-se na aventura proposta por Temer, tornando-se candidato  sem ter conseguido, até agora, sair dos dois por cento, apesar de negar, de pés juntos, que é o candidato do malvisto presidente.
A imensa crise brasileira permanece insolúvel. E, então, espalham-se pelo país as cinzas tristes de um museu abandonado, que pegou fogo. A nossa reputação, como país responsável, vai perdendo mais uns pontinhos no ranking da civilização.
E surgem os indícios fortes das causas da nossa desdita.
Em primeiro lugar um presidente desacreditado, vaidosão e antiquado, que agora, debaixo de um terceiro pedido de investigação feito pela Polícia Federal, que devassou suas ligações tenebrosas, resolveu envolver-se, de forma abjeta, no processo eleitoral e isso lhe retira qualquer resto de condição moral para o trânsito delicado nesse período de graves conturbações.
Depois, existe a soma das nossas coletivas deficiências. Um diretor do Museu que acabou em cinzas, não assume culpas, transfere-as para todo mundo, menos para ele mesmo. Mas o Museu da Quinta da Boa Vista, uma rara preciosidade, um núcleo importante de pesquisas e um acervo monumental de raridades, não tinha licença dos Bombeiros para funcionar, não tinha, sequer, extintores em condições de serem acionados, não tinha vigilantes que pudessem dar o alerta em caso de fogo. Ou seja, era uma Casa abandonada pelos seus responsáveis diretos e indiretos. Era a soma fatal das nossas omissões como povo.
Já o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivela, um energúmeno que considera a ciência como "coisa do diabo", faz uma nota lamentando a perda do belo edifício onde viveram dom João VI, Pedro I e Pedro II. E só, nenhuma referência mais, enquanto pelo mundo todo surgem as manifestações de quem enxerga a importância da Instituição para as pesquisas científicas e para a cultura de um modo geral.
Não esperemos que, para espalhar as cinzas que agora nos recobrem, venha algum ensandecido que se diz "instrumento de Deus" e espalha odiosidade, preconceito e incultura.
As cinzas são nossas, resultam de uma omissão coletiva, permanecerão enquanto continuarmos presos à ideia covarde de que somos apenas expectadores, ausentes de um palco que, coletivamente, poderíamos ocupar.
Existem agora as cinzas, porque deixamos, indiferentes, que o incêndio acontecesse e, até, sobre ele jogamos algum combustível.

Nossa imagem pelo mundo não anda lá muito  boa. De fato a nossa reputação vai derreten do a cada dia que passa. Primeiro os calamitosos experimentos na área econômica da ex-presidente Dilma, depois o tumulto nas ruas, em seguida um processo de impeachment que deixou no ar incontáveis suspeitas. Já tínhamos a sucessão de escândalos e, em consequência deles, o possível colapso da PETROBRÁS e de várias outras empresas, entre elas, as grandes construtoras com sólida imagem internacional.  Imaginou-se, até, e de certa forma houve, um retemperar de um mínimo de credibilidade em virtude do novo governo que chegava, por via transversa, é verdade, mas, afinal, tratava-se de um político experiente, um professor de Direito Constitucional e, isso, de alguma maneira disfarçava a ideia de que seria ele apenas um farsante corrupto, cercado de uma quadrilha faminta e sedenta de poder.
Temer transmitiu boa sinalização ao mercado, obedeceu à exigência de colocar nos postos chave gente ungida pela FEBRABAN e prometeu fazer as tão ansiadas reformas, que seriam as pílulas azuis para as nossas decepcionantes impotências.
Meireles, o "guarda costas" do sistema financeiro, deixou no vazio a promessa de fazer o PIB brasileiro voltar a crescer três por cento ao ano e meteu-se na aventura proposta por Temer, tornando-se candidato  sem ter conseguido, até agora, sair dos dois por cento, apesar de negar, de pés juntos, que é o candidato do malvisto presidente.
A imensa crise brasileira permanece insolúvel. E, então, espalham-se pelo país as cinzas tristes de um museu abandonado, que pegou fogo. A nossa reputação, como país responsável, vai perdendo mais uns pontinhos no ranking da civilização.
E surgem os indícios fortes das causas da nossa desdita.
Em primeiro lugar um presidente desacreditado, vaidosão e antiquado, que agora, debaixo de um terceiro pedido de investigação feito pela Polícia Federal, que devassou suas ligações tenebrosas, resolveu envolver-se, de forma abjeta, no processo eleitoral e isso lhe retira qualquer resto de condição moral para o trânsito delicado nesse período de graves conturbações.
Depois, existe a soma das nossas coletivas deficiências. Um diretor do Museu que acabou em cinzas, não assume culpas, transfere-as para todo mundo, menos para ele mesmo. Mas o Museu da Quinta da Boa Vista, uma rara preciosidade, um núcleo importante de pesquisas e um acervo monumental de raridades, não tinha licença dos Bombeiros para funcionar, não tinha, sequer, extintores em condições de serem acionados, não tinha vigilantes que pudessem dar o alerta em caso de fogo. Ou seja, era uma Casa abandonada pelos seus responsáveis diretos e indiretos. Era a soma fatal das nossas omissões como povo.
Já o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivela, um energúmeno que considera a ciência como "coisa do diabo", faz uma nota lamentando a perda do belo edifício onde viveram dom João VI, Pedro I e Pedro II. E só, nenhuma referência mais, enquanto pelo mundo todo surgem as manifestações de quem enxerga a importância da Instituição para as pesquisas científicas e para a cultura de um modo geral.
Não esperemos que, para espalhar as cinzas que agora nos recobrem, venha algum ensandecido que se diz "instrumento de Deus" e espalha odiosidade, preconceito e incultura.
As cinzas são nossas, resultam de uma omissão coletiva, permanecerão enquanto continuarmos presos à ideia covarde de que somos apenas expectadores, ausentes de um palco que, coletivamente, poderíamos ocupar.
Existem agora as cinzas, porque deixamos, indiferentes, que o incêndio acontecesse e, até, sobre ele jogamos algum combustível.

HAJA COQUEIRAIS PARA SUSTENTAR O CONSUMO

Semana passada, comentamos aqui o exponencial acréscimo no consumo do chamado coco verde, do qual se usa, principalmente, a água e a polpa, que é saborosa quanto mais macia e cremosa for, antes de adquirir a consistência que tem no coco seco, que serve, basicamente, para a produção do óleo. Mas chamamos a atenção para o enorme desperdício que se faz quando o resto do coco, ou seja, quase toda a volumosa amêndoa, é jogado fora, simplesmente no lixo. Sugeríamos, então, o aproveitamento industrial do coco que, triturado, poderia se transformar em adubo e, isso, geraria empregos e renda. Acrescentávamos que a própria Prefeitura de Aracaju, juntamente com o SEBRAE, poderia tomar a iniciativa de atrair investidores, demonstrando-se a viabilidade do projeto ou formando uma cooperativa com pessoas recrutadas entre tantos desempregados que existem.

Dois dias depois, com muita rapidez e presteza, o que demonstra competência, o diretor-presidente da EMSURB, o advogado Luiz Roberto Santana, apresentava um completo relatório sobre o consumo do coco em Aracaju.

As cifras reveladas são impressionantes.

São coletadas, por semana, mais de cento e noventa toneladas de coco, num total de quase dois mil tonéis recolhidos por toda a cidade. O relatório é bastante minucioso e detalha cada ponto de venda nos bairros da cidade, especificando a quantidade de frutos vendidos em cada local. Segundo o documento da EMSURB, o volume recolhido vai direto para o lixo, sem nenhum aproveitamento, e uma parte descartada pelos próprios consumidores.

Recebemos várias manifestações sobre o caso do desperdício do coco e, dessas, transcrevemos duas provenientes de dois agrônomos, que têm serviços prestados a Sergipe na área específica da sua profissão e em outros setores.

O que disse o agrônomo José Dias: "Tantos gritos pelos cuidados com o meio ambiente e a gente assiste, diariamente, toneladas e mais toneladas dessa matéria prima serem descartadas nos lixões e, tantas vezes, carregadas pelas águas pluviais, nos trazendo transtornos incalculáveis, esgotos entupidos, canais obstruídos, trazendo enormes dificuldades para todos nós. Mesmo atrasado, ainda há tempo para que as forças públicas incentivem e ponham em prática um excelente aproveitamento dessa matéria prima. Já pensou, pequenas empresas transformando 'lixo' em adubo orgânico?"

Vale a pena criar um debate.

O que disse Paulo Viana: "A matéria sobre o coco é bem oportuna e fácil de ser viabilizada, sobretudo neste momento que Aracaju tem dezenas de pontos de revenda, inclusive a preços acessíveis. Há diversos tipos de equipamentos simples, produzidos aqui no nordeste, para transformar a casca em fibras. Em Petrolina, as indústrias comercializam as fibras para os plantadores de uva, principalmente".

DE QUE VALE MESMO AGORA O VOTO POPULAR?

Longe de nós qualquer ideia ou viés de adesão aos arraigados vícios patrimonialistas, que sempre contaminaram a vida pública brasileira, e, aliás, se espraiam por toda a sociedade. Longe de nós qualquer forma de conivência com privilégios inconcebíveis, tais como o foro privilegiado e outros.

Dito isso, abre-se um campo bem vasto para o debate sobre o chamado ativismo do MP e da Justiça, agora mais concentrado na Justiça Eleitoral, em face da proximidade das eleições. Adotou-se a prática agora corriqueira da cassação de mandatos, ou cassação de candidaturas, e isso se faz, algumas vezes, em decorrência de erros formais, de deslizes miúdos que a nossa mastodôntica burocracia costuma levar aos últimos limites. 

O pior de tudo é que enquanto alguns vão sendo atormentados, com a imagem pesadamente afetada em face de denúncias, outros vão passando incólumes, embora sejamos todos concordes com a repetida afirmação do ex-governador Albano Franco: "Sergipe é pequeno e aqui todos se conhecem muito bem". 

Sejamos breve, para não ter de percorrer denúncias, como essa oportunisticamente feita pelo "inovador" PSB contra o governador Belivaldo, rapidamente corrigida pela Justiça; ou antiga pendenga que atormentou, por tanto tempo, a vida do deputado Luciano Bispo, presidente da Assembleia, e, agora, finalmente desfeita e outras miudezas que foram superadas ou ainda persistem. Isso, enquanto nos sobrevoa aquele helicóptero amarelo, onde tantos se acomodam em ambiente de tanta cumplicidade.

Em Poço Redondo correm sério risco de perderam seus mandatos o advogado Júnior Chagas e seu vice, o empresário Manoel da Farmácia. Júnior fixou-se em Poço logo após formado e, ali, começou a advogar. De uma família de pequenos produtores rurais em Carira, ele lida também com suas "roças de milho" e, há muito tempo, tem um caminhão-pipa que enche as cisternas de moradores distantes. Tem, por isso, o hábito de listar as suas despesas com os combustíveis.

 Venceu a eleição com uma diferença superior a mil votos e teve como oponentes todas as maiores lideranças do município. Faz uma gestão equilibrada e se revela um administrador presente. Se a chapa for cassada, assumirá interinamente a Prefeitura o presidente da Câmara, Neném de Gregório, um político de pouca expressão do povoado de Santa Rosa do Ermírio. É apenas precariamente alfabetizado e assumiria num delicado período eleitoral, sendo declaradamente cabo eleitoral do senador Valadares, que, como se sabe, é candidato á reeleição e seu filho, Valadarizinho, candidato ao governo do estado.

Teríamos, então, uma ocasião absolutamente inoportuna para tumultuar a vida administrativa de um município paupérrimo, atulhado de desempregados e que enfrenta uma grave estiagem, que já chega aos seis anos e, tudo indica, irá agravar-se ainda mais.

O "crime" cometido por Júnior quando candidato: contabilizou, no mês de setembro anterior à eleição, gastos de vinte e cinco mil reais em combustíveis, superiores à média dos demais meses.

Uma multa ou advertência formal não seriam os castigos mais apropriados para tais faltas?

E de que valem então os votos, a expressiva maioria de mais de mil sobre o mais próximo concorrente? 

Um mandato popular pode, por da cá aquela palha, ser desconstruído?

Pegamos o vício da "pedalada fiscal", aquela farsa que derrubou a incompetente Dilma e está difícil nos livrarmos dele.

Enquanto isso, Michel Temer e seus comparsas...