Uma eleição sem Fla X Flu

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Ilustração de Edidelson Silva para o livro de Marcos Vinícius Anjos e  Antônio Wanderley Corrêa
Ilustração de Edidelson Silva para o livro de Marcos Vinícius Anjos e Antônio Wanderley Corrêa

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Publicada em 07/09/2018 às 07:34:00

 

O baixo índice de engajamento da 
população nas eleições em Sergi
pe deixa claro a falta de um candidato com perfil de liderança compatível com as necessidades da população. Valadares Filho (PSB), Eduardo Amorim (PSDB) e Belivaldo Chagas (PSD) - os três mais à frente nas pesquisas - nunca foram líderes nem mesmo em seus grupamentos políticos ou categorias profissionais.
O eleitor parece não querer se envolver com qualquer candidatura e segue silencioso, inclusive nas pesquisas eleitorais realizadas até agora. Nenhum chega a 20% da preferência do eleitorado, o que deve se manter até a reta final da campanha, porque não há confrontos eles. A disputa mais aparente, entre Valadares Filho e Belivaldo, ocorre mais em função da ligação quase familiar dos dois, desde a época em que o senador Valadares governou o Estado (1987-1990). Belivaldo era visto como um quadro promissor de Simão Dias e já naquela época foi designado para presidir a Segrase e depois como representante da família na Assembleia Legislativa.
Como Belivaldo ousou desvencilhar-se do grupo após a eleição de 2014, devido a divergências no segundo turno da eleição presidencial - os Valadares foram entusiasmados cabos eleitorais de Aécio Neves, enquanto o atual governador seguiu ao lado do PT -, se transformou em inimigo ou 'traidor', como preferem os Valadares. Essa briga familiar se transformou num embate pessoal que aparece mais forte durante a campanha quando os quase irmãos se enfrentam.
O senador Amorim - que na campanha se apresenta simplesmente como Eduardo - não tem capacidade de liderança para conduzir a sua própria campanha. Sem o envolvimento direto do irmão Edivan, Amorim passa a depender diretamente do deputado federal André Moura (PSC) hoje mais preocupado com a sua eleição para o Senado do que uma eventual vitória do aliado.
Valadares Filho, por ser homônimo do pai, o senador que exerce mandatos eletivos desde 1966 (do século XX) quando foi eleito prefeito de Simão Dias, tem um nome com maior 'recall', talvez por isso apareça um pouco à frente nas pesquisas, mesmo sem apresentar nenhuma proposta nova e ser novo apenas na idade.  Foi candidato a prefeito de Aracaju em duas oportunidades - em 2012 perdeu para João Alves Filho e em 2016 para Edvaldo Nogueira num acirrado segundo turno - e está concluindo o terceiro mandato de deputado federal.
É o caso também de Eduardo Amorim. Da gestão temerária como secretário de Estado da Saúde no último governo João Alves Filho (2003-2006) se transformou em deputado federal na coligação derrotada por Marcelo Déda em 2006 e senador mais votado do Estado em 2010, já ao lado de Déda e contra João Alves. Foi quando lançou previamente a sua candidatura ao governo do Estado, que se materializou em 2014, quando foi fragorosamente derrotado por Jackson Barreto, em primeiro turno, com mais de 120 mil votos de diferença. Permaneceu esse tempo todo na mídia.
Apesar disputar a reeleição, Belivaldo assumiu o governo há apenas cinco meses e é menos conhecido do eleitorado do que os seus principais adversários. Sempre atuou nos bastidores e de 2006 para cá disputou apenas duas eleições como candidato a vice-governador, cuidando da organização das campanhas e com pouca visibilidade no horário eleitoral.
Nenhum deles, no entanto, pode se apresentar como novo e nem parece ter condições de se destacar na reta final do processo eleitoral. Suas campanhas refletem bem a falta de elã dos candidatos. O eleitor não verá uma disputa como a de Jackson Barreto X Albano Franco de 1994 ou Marcelo Déda X João Alves Filho em 2006.
Nestas eleições não teremos nenhum Fla X Flu ou Sergipe X Confiança dos tempos áureos.

O baixo índice de engajamento da  população nas eleições em Sergi pe deixa claro a falta de um candidato com perfil de liderança compatível com as necessidades da população. Valadares Filho (PSB), Eduardo Amorim (PSDB) e Belivaldo Chagas (PSD) - os três mais à frente nas pesquisas - nunca foram líderes nem mesmo em seus grupamentos políticos ou categorias profissionais.
O eleitor parece não querer se envolver com qualquer candidatura e segue silencioso, inclusive nas pesquisas eleitorais realizadas até agora. Nenhum chega a 20% da preferência do eleitorado, o que deve se manter até a reta final da campanha, porque não há confrontos eles. A disputa mais aparente, entre Valadares Filho e Belivaldo, ocorre mais em função da ligação quase familiar dos dois, desde a época em que o senador Valadares governou o Estado (1987-1990). Belivaldo era visto como um quadro promissor de Simão Dias e já naquela época foi designado para presidir a Segrase e depois como representante da família na Assembleia Legislativa.
Como Belivaldo ousou desvencilhar-se do grupo após a eleição de 2014, devido a divergências no segundo turno da eleição presidencial - os Valadares foram entusiasmados cabos eleitorais de Aécio Neves, enquanto o atual governador seguiu ao lado do PT -, se transformou em inimigo ou 'traidor', como preferem os Valadares. Essa briga familiar se transformou num embate pessoal que aparece mais forte durante a campanha quando os quase irmãos se enfrentam.
O senador Amorim - que na campanha se apresenta simplesmente como Eduardo - não tem capacidade de liderança para conduzir a sua própria campanha. Sem o envolvimento direto do irmão Edivan, Amorim passa a depender diretamente do deputado federal André Moura (PSC) hoje mais preocupado com a sua eleição para o Senado do que uma eventual vitória do aliado.
Valadares Filho, por ser homônimo do pai, o senador que exerce mandatos eletivos desde 1966 (do século XX) quando foi eleito prefeito de Simão Dias, tem um nome com maior 'recall', talvez por isso apareça um pouco à frente nas pesquisas, mesmo sem apresentar nenhuma proposta nova e ser novo apenas na idade.  Foi candidato a prefeito de Aracaju em duas oportunidades - em 2012 perdeu para João Alves Filho e em 2016 para Edvaldo Nogueira num acirrado segundo turno - e está concluindo o terceiro mandato de deputado federal.
É o caso também de Eduardo Amorim. Da gestão temerária como secretário de Estado da Saúde no último governo João Alves Filho (2003-2006) se transformou em deputado federal na coligação derrotada por Marcelo Déda em 2006 e senador mais votado do Estado em 2010, já ao lado de Déda e contra João Alves. Foi quando lançou previamente a sua candidatura ao governo do Estado, que se materializou em 2014, quando foi fragorosamente derrotado por Jackson Barreto, em primeiro turno, com mais de 120 mil votos de diferença. Permaneceu esse tempo todo na mídia.
Apesar disputar a reeleição, Belivaldo assumiu o governo há apenas cinco meses e é menos conhecido do eleitorado do que os seus principais adversários. Sempre atuou nos bastidores e de 2006 para cá disputou apenas duas eleições como candidato a vice-governador, cuidando da organização das campanhas e com pouca visibilidade no horário eleitoral.
Nenhum deles, no entanto, pode se apresentar como novo e nem parece ter condições de se destacar na reta final do processo eleitoral. Suas campanhas refletem bem a falta de elã dos candidatos. O eleitor não verá uma disputa como a de Jackson Barreto X Albano Franco de 1994 ou Marcelo Déda X João Alves Filho em 2006.
Nestas eleições não teremos nenhum Fla X Flu ou Sergipe X Confiança dos tempos áureos.

Foro privilegiado

O líder de Michel Temer (MDB) no Congresso Nacional, André Moura (PSC-SE), candidato ao Senado, pediu ao Supremo Tribunal Federal para manter seu foro privilegiado em uma investigação sobre suposta compra de votos nas eleições de 2014. O inquérito também mira o senador Eduardo Amorim (PSDB) e o deputado estadual de Sergipe, Luciano Pimentel (PSB).

Atendendo a pedido da Procuradoria-Geral da República, a ministra Rosa Weber enviou o caso para a 39.ª Zona Eleitoral de Sergipe. "No caso aqui examinado, as condutas imputadas aos investigados não guardam relação com as funções que exercem enquanto parlamentares federais, segundo a interpretação que vem de ser definida, a provocar a alteração da competência, com a consequente remessa dos autos para o Juízo competente", anotou. Os relatos foram publicados no blog do Fausto Macedo.

As advogadas Maria Cláudia Bucchianeri Pinheiro e Renata Antony Lima, responsáveis pela defesa de Moura e do senador tucano, sustentaram que os parlamentares já ocupavam cargos na Câmara e no Senado nas eleições de 2014, à época dos fatos investigados.

De acordo com a defesa, "é evidente que o Supremo permanece competente para processar o inquérito'já que a Corte se destina a 'investigar condutas imputadas aos investigados enquanto parlamentares federais". "Assim, a r. decisão embargada, ao não considerar concretamente que os delitos investigados foram supostamente praticados no tempo em que os ora embargantes já eram parlamentares federais, acabou por ignorar a própria razão subjacente à decisão do E. STF na QO na AP nº 937, de que não importa o cargo que o agente público ocupe presentemente, mas, sim, aquele ocupado quando da prática dos atos apurados", afirmam. (Do 247)

Mais recursos

Dos seis candidatos a reeleição de deputado federal quem mais recebeu recursos do fundo partidário foi Fábio Reis (MDB), que declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já ter recebido R$ 1,5 milhão para a campanha. O segundo que mais arrecadou foi Adelson Barreto/PR (R$ 1,4 milhão), vindo em terceiro Laércio Oliveira/PP (R$ 1.322.040,00). Os que menos receberam recursos da direção nacional dos seus partidos foram Fábio Mitidieri/PSD (R$ 670 mil), João Daniel/PT (R$ 450 mil) e Pastor Jony (R$ 320 mil).  

7 de Setembro

Apesar dos riscos de vaias e confusões, muitos candidatos vão se arriscar na Avenida Barão de Maruim nesta sexta-feira, durante o desfile de 7 de Setembro e o Grito dos Excluídos. É uma oportunidade rara nesta campanha eleitoral de encarar uma multidão.

Este ano será realizada a 24ª edição do Grito dos Excluídos, com o lema 'Desigualdade gera violência: basta de privilégios'. A concentração será a partir das 9h da manhã na Catedral Metropolitana, na Praça Olímpio Campos, Centro de Aracaju. Em Sergipe, em todos os anos, começa com uma celebração inter-religiosa na Catedral Metropolitana de Aracaju. Em seguida, as lideranças do movimento sindical e social seguem em marcha até a Av. Ivo do Prado de onde iniciam o desfile de protesto na Av. Barão de Maruim.

Nova pesquisa

O Instituto Franca está fazendo nova pesquisa de intenção de votos para governador e deputado federal em Sergipe. Registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no último dia 3 de setembro, serão entrevistados  1.700 eleitores entre os dias 4 e 8 deste mês. A data para divulgação é o próximo domingo, 9. 

O mesmo instituto também fez uma pesquisa para governador, senador, deputado federal e deputado estadual registrada no TRE no dia 31 de agosto, com período de coleta de 31 de agosto a 5 de setembro e divulgação ontem, o que não ocorreu. Foram entrevistados 700 eleitores. O contratante da pesquisa foi o candidato a governador Milton Andrade (PMN). O curioso é que Milton tem declarado que não fará campanha com recursos de fundo partidário, e sim com recursos próprios, mas pagará a pesquisa com dinheiro do fundo partidário, conforme consta no registro da pesquisa no tribunal.

No mês de agosto foram registradas no TRE nove pesquisas de intenções de votos nas eleições deste ano. Os institutos que registraram pesquisas foram: Franca, Única, Dataform, Alo Sergipe, Ibope e Real Time Big Data.

Contradições de Heleno

O candidato ao Senado pelo PRB, Heleno Silva, entrou em mais uma contradição esta semana. Depois de criticar a gestão da qual fez parte por mais de dez anos, um motorista foi preso em flagrante tentando utilizar cartão de combustível de uso exclusivo de veículos do Estado, vinculado ao ITPS, que foi comandado pelo seu agrupamento político no governo Jackson Barreto. No boletim de ocorrência, o motorista de nome Gladyson de Oliveira Costa, informou que o cartão pertence ao pastor Heleno e lhe foi entregue pelo seu tio, identificado pelo nome de Edenison, que exerce a função de motorista do candidato Heleno. Parece que a ética tão pregada pelo pastor não é a mesma que ele pratica.

Sem julgamento

A 30 dias das eleições, Eduardo Amorim (PSDB) é o único dos nove candidatos a governador que não teve julgado ainda pedido de registro de candidatura. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já julgou oito registros de candidaturas e só indeferiu o de João Tarantella (PSL), assim como de todos os candidatos do partido por não ter a legenda cumprido a cota de gênero exigida pela legislação eleitoral.