Com quatro pedras na mão

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Mata qualquer colega de orgulho
Mata qualquer colega de orgulho

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Publicada em 11/09/2018 às 06:36:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
'Nem copo de cachaça, nem prato de comida', livro-reportagem do jornalista Henrique Maynart, realiza um relato minucioso sobre a primeira e única greve capaz de tirar o sono dos poderosos senhores da comunicação em Sergipe: a de seus subordinados. Até agora, o feito histórico era preservado pela memória falha de uns e outros, com participação ativa no concurso dos eventos. O lançamento da Edise preenche a lacuna e finalmente organiza fatos e testemunhos na forma de documento.
O autor da façanha, eu conheço de perto. Recém diplomado, Henrique Maynart é jornalista à moda antiga, de um tipo que as universidades e redações não formam mais. Para dar cabo à ideia da reportagem aqui em questão, por exemplo, ele teve de chafurdar em pilhas de arquivos, reunir dados, conversar com meio mundo de gente. Isso tudo, sem abrir mão do estilo, por vezes verborrágico, de uma literatura a um só tempo objetiva e autoral. Mata qualquer colega de orgulho.
Quando trabalhamos juntos na finada Agência Voz - ele, um estagiário dos mais atrevidos, reclamando as vírgulas e reticências eventualmente roubadas à sua pena (o menino é das antigas, já foi dito) - havia o gosto das pernadas no centrão, com direito a sol na moleira e uma cerveja mais ou menos apressada no meio do expediente. Nesses momentos, eu dizia de Fernando Sávio, o último romântico da imprensa local, com a certeza de futucar uma onça com vara curta. 'Nem copo de cachaça...' é, para mim, portanto, uma promessa que se cumpre.
Henrique não relata apenas a única greve de jornalistas na história da imprensa sergipana. Além de evocar a fundação dos principais veículos de comunicação em Sergipe, quase sempre eivada de promiscuidade política e patrimonial, dando nome a todos os bois, ele ainda coloca a provinciana capital Serigy no palco dos acontecimentos globais. É na reconstrução do contexto histórico, o pulso do mundo apreendido nas páginas dos periódicos, que o jornalista abre a janela para um entendimento profundo do seu ofício: "Notícia de jornal é retrato em movimento da cidade chafurdada no mangue".
Feliz do profissional sabedor do seu lugar na luta de classes. E desde este primeiro livro Henrique escolhe um lado e o afirma com todas as letras. Com um tanto de afeto, algum humor e quatro pedras na mão.
'Nem copo de cachaça, nem prato de comida':
Quinta-feira, 13, a partir das 17 horas, no Centro Cultural de Aracaju (Praça General Valadão, Centro).

'Nem copo de cachaça, nem prato de comida', livro-reportagem do jornalista Henrique Maynart, realiza um relato minucioso sobre a primeira e única greve capaz de tirar o sono dos poderosos senhores da comunicação em Sergipe: a de seus subordinados. Até agora, o feito histórico era preservado pela memória falha de uns e outros, com participação ativa no concurso dos eventos. O lançamento da Edise preenche a lacuna e finalmente organiza fatos e testemunhos na forma de documento.
O autor da façanha, eu conheço de perto. Recém diplomado, Henrique Maynart é jornalista à moda antiga, de um tipo que as universidades e redações não formam mais. Para dar cabo à ideia da reportagem aqui em questão, por exemplo, ele teve de chafurdar em pilhas de arquivos, reunir dados, conversar com meio mundo de gente. Isso tudo, sem abrir mão do estilo, por vezes verborrágico, de uma literatura a um só tempo objetiva e autoral. Mata qualquer colega de orgulho.
Quando trabalhamos juntos na finada Agência Voz - ele, um estagiário dos mais atrevidos, reclamando as vírgulas e reticências eventualmente roubadas à sua pena (o menino é das antigas, já foi dito) - havia o gosto das pernadas no centrão, com direito a sol na moleira e uma cerveja mais ou menos apressada no meio do expediente. Nesses momentos, eu dizia de Fernando Sávio, o último romântico da imprensa local, com a certeza de futucar uma onça com vara curta. 'Nem copo de cachaça...' é, para mim, portanto, uma promessa que se cumpre.
Henrique não relata apenas a única greve de jornalistas na história da imprensa sergipana. Além de evocar a fundação dos principais veículos de comunicação em Sergipe, quase sempre eivada de promiscuidade política e patrimonial, dando nome a todos os bois, ele ainda coloca a provinciana capital Serigy no palco dos acontecimentos globais. É na reconstrução do contexto histórico, o pulso do mundo apreendido nas páginas dos periódicos, que o jornalista abre a janela para um entendimento profundo do seu ofício: "Notícia de jornal é retrato em movimento da cidade chafurdada no mangue".
Feliz do profissional sabedor do seu lugar na luta de classes. E desde este primeiro livro Henrique escolhe um lado e o afirma com todas as letras. Com um tanto de afeto, algum humor e quatro pedras na mão.
'Nem copo de cachaça, nem prato de comida':
Quinta-feira, 13, a partir das 17 horas, no Centro Cultural de Aracaju (Praça General Valadão, Centro).