Educação libertadora de verdade

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 11/09/2018 às 07:21:00

 

* Nilson Socorro
A prioridade governamental não é a melhoria da qualidade da educação pública. Essa é uma questão secundária, pois, o foco aparente é a obtenção das médias e dos índices estabelecidos pelos sistemas oficiais de avaliação e o acesso dos egressos no ensino superior. A maquiagem, com o sistema de cotas, por exemplo, releva o compromisso com a melhoria e o que se assiste é o aumento do fosso entre a educação das escolas privadas e a imposta aos filhos das camadas mais pobres da sociedade. A esses se nega a inserção social através do mais digno portal de promoção, a educação.
Na semana passada, o noticiário da imprensa foi farto na divulgação dos dados do Sistema Avaliação da Educação Básica, Saeb 2017, ainda, no nosso entendimento, a melhor mensuração da educação nacional. Esta semana, foi marcada pela divulgação e análises sobre as metas alcançadas pelos estados no IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 2017, no qual, registre-se, com louvor, que Sergipe obteve evolução em relação às baixas médias que marcaram as administrações anteriores. O melhor desempenho foi nas quatro primeiras quatro séries do ensino fundamental, onde é maior a presença das redes municipais.
Quando afirmo que o foco não é a melhoria da qualidade e, sim, a cômoda e enganadora maquiagem da educação pública, me ancoro, além de algum conhecimento da realidade, nos próprios dados dos do SAEB 2017. E para isso me valho do recorte feito pela pesquisadora Mariana Leite, do IDados que oportunamente foi registrado pelo antenado jornalista sergipano Ancelmo Gois, em sua coluna no Jornal do O Globo, edição do último dia 31 de agosto, em nota com o título "O ABISMO ENTRE POBRES E RICOS".
No ressalte da citada pesquisadora educacional, o Espírito Santo obteve a melhor nota por estado na rede pública, na disciplina Matemática, no Ensino Médio. A pontuação capixaba foi 281,1 pontos. Agora, atente-se para o pior resultado obtido por estado na rede privada para disciplina Matemática, no Ensino Médio. Ficou com Alagoas, com 299,1 pontos, ou seja, a pior escola privada do país ainda alcançou 18 pontos acima da melhor pontuação da rede pública.
Outra evidência da denúncia desse fosso e da maquiagem patrocinada pelo sistema oficial de educação está destacada em citação do jornalista Cláudio Nunes, no seu blog no Portal Infonet, edição do último dia 04. Lá, ele cita um professor da rede pública, cujo nome não declinou, que ao criticar a metodologia dirigida da avaliação do Ideb, propôs um desafio: que um aluno da rede privada seja submetido a mesma prova dada a um aluno da escola pública. E conclui o observador professor, "ai veremos o verdadeiro resultado dessa elevação do IDEB".
Ao propor essas reflexões, o faço para reafirmar posição dissonante e reconheço ainda minoritária, na crítica ao sistema de cotas para ingresso nas universidades públicas. Como estudante egresso da escola pública, que sem cotas alcançou por mérito o ensino superior público, nunca me enxerguei menor que os estudantes das escolas privadas, até porque, ressalto, quando frequentei o ensino básico as escolas públicas tinham qualidade bem acima da ofertada pelas escolas particulares, na época, famosas pelo depreciativo "papai pagou, filhinho passou".
Por isso, defendo que ao invés de promover aos pobres o acesso a educação superior através do enganador, indolente e humilhante sistema de cotas, caberia aos governantes priorizar o restabelecimento da melhoria da qualidade da educação pública. Isso sim é fazer justiça social, é resgatar a dívida com os pobres. Não enganá-los, reforçar as diferenças e as desigualdades que humilham e constrangem os que não nasceram materialmente ricos, mas, que como os ricos, tendo oportunidades iguais terão condições de inserção, não pelo "jeitinho" generoso do estado assistencialista, mas, por direito a uma educação verdadeiramente libertadora
*Nilson Socorro é jornalista, professor, advogado e ex-secretário de Estado da Educação

* Nilson Socorro

A prioridade governamental não é a melhoria da qualidade da educação pública. Essa é uma questão secundária, pois, o foco aparente é a obtenção das médias e dos índices estabelecidos pelos sistemas oficiais de avaliação e o acesso dos egressos no ensino superior. A maquiagem, com o sistema de cotas, por exemplo, releva o compromisso com a melhoria e o que se assiste é o aumento do fosso entre a educação das escolas privadas e a imposta aos filhos das camadas mais pobres da sociedade. A esses se nega a inserção social através do mais digno portal de promoção, a educação.
Na semana passada, o noticiário da imprensa foi farto na divulgação dos dados do Sistema Avaliação da Educação Básica, Saeb 2017, ainda, no nosso entendimento, a melhor mensuração da educação nacional. Esta semana, foi marcada pela divulgação e análises sobre as metas alcançadas pelos estados no IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 2017, no qual, registre-se, com louvor, que Sergipe obteve evolução em relação às baixas médias que marcaram as administrações anteriores. O melhor desempenho foi nas quatro primeiras quatro séries do ensino fundamental, onde é maior a presença das redes municipais.
Quando afirmo que o foco não é a melhoria da qualidade e, sim, a cômoda e enganadora maquiagem da educação pública, me ancoro, além de algum conhecimento da realidade, nos próprios dados dos do SAEB 2017. E para isso me valho do recorte feito pela pesquisadora Mariana Leite, do IDados que oportunamente foi registrado pelo antenado jornalista sergipano Ancelmo Gois, em sua coluna no Jornal do O Globo, edição do último dia 31 de agosto, em nota com o título "O ABISMO ENTRE POBRES E RICOS".
No ressalte da citada pesquisadora educacional, o Espírito Santo obteve a melhor nota por estado na rede pública, na disciplina Matemática, no Ensino Médio. A pontuação capixaba foi 281,1 pontos. Agora, atente-se para o pior resultado obtido por estado na rede privada para disciplina Matemática, no Ensino Médio. Ficou com Alagoas, com 299,1 pontos, ou seja, a pior escola privada do país ainda alcançou 18 pontos acima da melhor pontuação da rede pública.
Outra evidência da denúncia desse fosso e da maquiagem patrocinada pelo sistema oficial de educação está destacada em citação do jornalista Cláudio Nunes, no seu blog no Portal Infonet, edição do último dia 04. Lá, ele cita um professor da rede pública, cujo nome não declinou, que ao criticar a metodologia dirigida da avaliação do Ideb, propôs um desafio: que um aluno da rede privada seja submetido a mesma prova dada a um aluno da escola pública. E conclui o observador professor, "ai veremos o verdadeiro resultado dessa elevação do IDEB".
Ao propor essas reflexões, o faço para reafirmar posição dissonante e reconheço ainda minoritária, na crítica ao sistema de cotas para ingresso nas universidades públicas. Como estudante egresso da escola pública, que sem cotas alcançou por mérito o ensino superior público, nunca me enxerguei menor que os estudantes das escolas privadas, até porque, ressalto, quando frequentei o ensino básico as escolas públicas tinham qualidade bem acima da ofertada pelas escolas particulares, na época, famosas pelo depreciativo "papai pagou, filhinho passou".
Por isso, defendo que ao invés de promover aos pobres o acesso a educação superior através do enganador, indolente e humilhante sistema de cotas, caberia aos governantes priorizar o restabelecimento da melhoria da qualidade da educação pública. Isso sim é fazer justiça social, é resgatar a dívida com os pobres. Não enganá-los, reforçar as diferenças e as desigualdades que humilham e constrangem os que não nasceram materialmente ricos, mas, que como os ricos, tendo oportunidades iguais terão condições de inserção, não pelo "jeitinho" generoso do estado assistencialista, mas, por direito a uma educação verdadeiramente libertadora

*Nilson Socorro é jornalista, professor, advogado e ex-secretário de Estado da Educação