Calcinhas no chão

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Pura potência
Pura potência

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Publicada em 12/09/2018 às 06:39:00

 

Rian Santos
ransantos@jornaldodiase.com.br
Vilma Rebouças preci-
sou cavar muita ma-
deira antes de o seu trabalho finalmente entrar em acordo com o tempo. Embora as gravuras representando calcinhas arriadas já tenham sido expostas em todas as galerias da cidade, somente agora, com o vocabulário feminista na boca do povo, o discurso oculto sob a beleza impressionante do grafismo salta aos olhos, com todas as vírgulas e pontos de exclamação. 
Vilma entendeu antes da maioria de nós que o feminino nunca foi mera forma biológica, natureza, mas uma sensibilidade, uma maneira de estar no mundo. Talvez por isso, as suas mulheres não têm rosto, não atendem a um nome próprio. E, no entanto, comunicam violências e delícias, sempre entre dentes.
Mais do que pronunciar estatísticas e relatos criminosos, reclamando direitos, "meu corpo, minhas regras", o trabalho de Vilma traduz em imagem as feridas e alegrias latentes na pele de umas e outras. Alheia aos "ismos" da Cultura, a mulher se descobre pura potência, um monte de nervos sob a superfície da carne, experimenta êxtase e abismo, o paroxismo de uma sensação.
Em certa medida, as xilos de Vilma carregam um forte impulso de vida, com todos os seus perigos. A artista nos lembra o tempo inteiro: a mulher sente. Ponto final.
Elas gravadas - A Galeria de Arte J. Inácio apresenta na próxima sexta-feira, 14, a partir das 10 horas, a abertura da exposição 'Xilogravando Elas', da artista visual Vilma Rebouças. Em função da reforma da galeria, a exposição será realizada no Corredor Cultural Wellington Santos 'Irmão', que fica na sede da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), onde permanecerá exposta até o dia 13 de outubro com livre visitação.
A mostra foi selecionada pelo Edital de Ocupação da Galeria J. Inácio, que visa estimular a produção arte visual em Sergipe, além de formar público.

Vilma Rebouças preci- sou cavar muita ma- deira antes de o seu trabalho finalmente entrar em acordo com o tempo. Embora as gravuras representando calcinhas arriadas já tenham sido expostas em todas as galerias da cidade, somente agora, com o vocabulário feminista na boca do povo, o discurso oculto sob a beleza impressionante do grafismo salta aos olhos, com todas as vírgulas e pontos de exclamação. 
Vilma entendeu antes da maioria de nós que o feminino nunca foi mera forma biológica, natureza, mas uma sensibilidade, uma maneira de estar no mundo. Talvez por isso, as suas mulheres não têm rosto, não atendem a um nome próprio. E, no entanto, comunicam violências e delícias, sempre entre dentes.
Mais do que pronunciar estatísticas e relatos criminosos, reclamando direitos, "meu corpo, minhas regras", o trabalho de Vilma traduz em imagem as feridas e alegrias latentes na pele de umas e outras. Alheia aos "ismos" da Cultura, a mulher se descobre pura potência, um monte de nervos sob a superfície da carne, experimenta êxtase e abismo, o paroxismo de uma sensação.
Em certa medida, as xilos de Vilma carregam um forte impulso de vida, com todos os seus perigos. A artista nos lembra o tempo inteiro: a mulher sente. Ponto final.

Elas gravadas - A Galeria de Arte J. Inácio apresenta na próxima sexta-feira, 14, a partir das 10 horas, a abertura da exposição 'Xilogravando Elas', da artista visual Vilma Rebouças. Em função da reforma da galeria, a exposição será realizada no Corredor Cultural Wellington Santos 'Irmão', que fica na sede da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), onde permanecerá exposta até o dia 13 de outubro com livre visitação.
A mostra foi selecionada pelo Edital de Ocupação da Galeria J. Inácio, que visa estimular a produção arte visual em Sergipe, além de formar público.