Neoliberalismo de Macri a Temer fracassa

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 12/09/2018 às 07:16:00

 

* Emir Sader
Governos gêmeos, os da Argentina e do Brasil, seguiram os mesmos roteiros. Superar a governos populistas, que haviam feito seus países gastar mais do que podiam - "Viver acima de suas possibilidades", como alguns gostam de repetir -, restabelecer o equilíbrio das contas públicas, controlar a inflação. E pronto, as economias retomariam sua dinâmica natural, orientada pelos equilíbrios mágicos do mercado.
Para criar as condições de que as pessoas aceitassem os inconvenientes que as medidas de ajuste trariam, havia o arsenal de acusações contra os governos populistas, tanto nos gastos excessivos com políticas sociais, como em casos de corrupção, o que daria tempo para que a transição entre a herança recebida e o futuro glorioso das economias liberadas das travas estatais pudesse acontecer.
Bastaria retomar os ajustes fiscais como eixo das políticas econômicas, para que os investimentos de fora e de dentro dos países chegassem, loucos para obter grandes vantagens dos processos de privatização e com a retomada da expansão econômica. Além disso os sucessos permitiriam liquidar definitivamente as lideranças populistas, acusadas de responsáveis por todos os males da economia.
Mas, de repente, fatores extra campo e inclusive de dentro do campo, fazem com que o eufórico governo de Mauricio Macri tenha que fazer um brutal acordo com o FMI, que impõe um novo processo de ajuste fiscal ao país. Macri anuncia na televisão que, ao contrário do que havia dito anteriormente, o pior ainda não passou, está na frente e que a vida dos pobres via piorar ainda mais.
Seu governo gêmeo, o de Temer, que nem sequer ganhou eleição para chegar à presidência do Brasil, chega a seu final reduzido à sua mínima expressão. Nenhum resultado econômico expressivo, o país não sai da recessão, o desemprego é recorde. Como expressão desse fracasso, seu ministro da economia, candidato à presidência da república, tem 1% de apoio.
Naufragam juntos as duas esperanças do governo dos EUA, abraçados ao modelo neoliberal. Levando à debacle os dois países que se haviam recuperado dos efeitos da primeira experiência neoliberal, mas voltam a sentir suas consequências desastrosas. As esperanças brancas do império caem estrepitosamente. Passarão à historia como breves tentativas desesperadas de recuperar um modelo fracassado.
Tentaram apagar da história dos dois países tudo o que eles haviam vivido nos anos anteriores deste século e da memória das pessoas tudo o que tinham melhorado nas suas vidas. Se valeram de tudo: acusações sem provas, apelos ao esquecimento, relatos falsos, mas a realidade não se deixa levar por essas armadilhas.
Macri e Temer estão derrotados. Suas políticas fracassam. Seus governos estão despedaçados. As pessoas dos dois países estão indignadas e rebeladas contra eles. Foram um breve intervalo de tempo das nossas histórias. Personagens grotescos, ridículos, cujos discursos se esgotaram rapidamente.
Um eleito por um operador de marketing, que hoje mal sabe explicar porque seu feitiço se esgotou tão rapidamente. O outro triste figura de um golpe, nunca deixou de ser um personagem medíocre, que será fragorosamente derrotado nas eleições de outubro.
Fracassaram como fracassam todos os governos neoliberais, porque esse modelo não tem capacidade de gerar amplos apoios sociais, menos ainda os de caráter popular. Porque promovem os interesses do capital especulativo, que não gera expansão econômica, ao contrario, vive do endividamento de governos, de empresas, de famílias, reproduzindo os mecanismos de recessão econômica.
É uma circunstância histórica única para a esquerda recompor sua capacidade hegemônica com seu programa anti-neoliberal. Todas as diferenças menores devem estar subordinadas à recomposição da unidade do bloco popular, democrático e nacional. No Brasil esse processo avançou muito. Na Argentina também pode perfeitamente avançar. Poderíamos chegar ao final de 2019 com governos aliados de novo, como eixos dos processos de integração regional, de rearticulação dos organismos regionais.
Teremos passado, nos dois países, por imensos sofrimentos, mas estaremos à altura de aprender dos erros do passado recente e voltar a protagonizar a história latino-americana como países irmãos e solidários.
* Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

* Emir Sader

Governos gêmeos, os da Argentina e do Brasil, seguiram os mesmos roteiros. Superar a governos populistas, que haviam feito seus países gastar mais do que podiam - "Viver acima de suas possibilidades", como alguns gostam de repetir -, restabelecer o equilíbrio das contas públicas, controlar a inflação. E pronto, as economias retomariam sua dinâmica natural, orientada pelos equilíbrios mágicos do mercado.
Para criar as condições de que as pessoas aceitassem os inconvenientes que as medidas de ajuste trariam, havia o arsenal de acusações contra os governos populistas, tanto nos gastos excessivos com políticas sociais, como em casos de corrupção, o que daria tempo para que a transição entre a herança recebida e o futuro glorioso das economias liberadas das travas estatais pudesse acontecer.
Bastaria retomar os ajustes fiscais como eixo das políticas econômicas, para que os investimentos de fora e de dentro dos países chegassem, loucos para obter grandes vantagens dos processos de privatização e com a retomada da expansão econômica. Além disso os sucessos permitiriam liquidar definitivamente as lideranças populistas, acusadas de responsáveis por todos os males da economia.
Mas, de repente, fatores extra campo e inclusive de dentro do campo, fazem com que o eufórico governo de Mauricio Macri tenha que fazer um brutal acordo com o FMI, que impõe um novo processo de ajuste fiscal ao país. Macri anuncia na televisão que, ao contrário do que havia dito anteriormente, o pior ainda não passou, está na frente e que a vida dos pobres via piorar ainda mais.
Seu governo gêmeo, o de Temer, que nem sequer ganhou eleição para chegar à presidência do Brasil, chega a seu final reduzido à sua mínima expressão. Nenhum resultado econômico expressivo, o país não sai da recessão, o desemprego é recorde. Como expressão desse fracasso, seu ministro da economia, candidato à presidência da república, tem 1% de apoio.
Naufragam juntos as duas esperanças do governo dos EUA, abraçados ao modelo neoliberal. Levando à debacle os dois países que se haviam recuperado dos efeitos da primeira experiência neoliberal, mas voltam a sentir suas consequências desastrosas. As esperanças brancas do império caem estrepitosamente. Passarão à historia como breves tentativas desesperadas de recuperar um modelo fracassado.
Tentaram apagar da história dos dois países tudo o que eles haviam vivido nos anos anteriores deste século e da memória das pessoas tudo o que tinham melhorado nas suas vidas. Se valeram de tudo: acusações sem provas, apelos ao esquecimento, relatos falsos, mas a realidade não se deixa levar por essas armadilhas.
Macri e Temer estão derrotados. Suas políticas fracassam. Seus governos estão despedaçados. As pessoas dos dois países estão indignadas e rebeladas contra eles. Foram um breve intervalo de tempo das nossas histórias. Personagens grotescos, ridículos, cujos discursos se esgotaram rapidamente.
Um eleito por um operador de marketing, que hoje mal sabe explicar porque seu feitiço se esgotou tão rapidamente. O outro triste figura de um golpe, nunca deixou de ser um personagem medíocre, que será fragorosamente derrotado nas eleições de outubro.
Fracassaram como fracassam todos os governos neoliberais, porque esse modelo não tem capacidade de gerar amplos apoios sociais, menos ainda os de caráter popular. Porque promovem os interesses do capital especulativo, que não gera expansão econômica, ao contrario, vive do endividamento de governos, de empresas, de famílias, reproduzindo os mecanismos de recessão econômica.
É uma circunstância histórica única para a esquerda recompor sua capacidade hegemônica com seu programa anti-neoliberal. Todas as diferenças menores devem estar subordinadas à recomposição da unidade do bloco popular, democrático e nacional. No Brasil esse processo avançou muito. Na Argentina também pode perfeitamente avançar. Poderíamos chegar ao final de 2019 com governos aliados de novo, como eixos dos processos de integração regional, de rearticulação dos organismos regionais.
Teremos passado, nos dois países, por imensos sofrimentos, mas estaremos à altura de aprender dos erros do passado recente e voltar a protagonizar a história latino-americana como países irmãos e solidários.

* Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros