A mentira dos números

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Publicada em 14/09/2018 às 07:18:00

 

A frieza matemática das estatís-
ticas carrega quase sempre um 
dado de velada crueldade. Observe-se, por exemplo, o número de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza. De acordo com o cálculo, seria impossível viver dignamente com R$ 233, em valor atual. Com até R$ 250, entretanto, tudo bem. De todo modo, arbitrariedade à parte, os números dão uma ideia da multidão abandonada à própria sorte. E os miseráveis nunca foram tantos.
Entre 2014 e 2017, o número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza no Brasil cresceu 33%, o que significa 6,3 milhões de novos pobres no país - a população do Uruguai multiplicada por dois. O dado foi fornecido por um estudo inédito realizado pela Fundação Getúlio Vargas. E sugere que os programas de transferência de renda, embora imprescindíveis, não possuem a capacidade de resguardar as parcelas mais vulneráveis da população ante os reveses próprios da economia de mercado.
A bem da verdade, ao contrário do que é pregado pelo casuísmo caolho de uns e de outros, os programas de transferência de renda, a exemplo do Bolsa Família, jamais encerraram a estratégia de combate à pobreza adotada pelo Governo Federal nos tempos áureos de emprego pleno. De acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o trabalho contribuiu sensivelmente para a redução da desigualdade entre 2002 e 2012. Mas os números também mentem. Àquela altura, a realidade já era outra, as estatísticas ainda capturavam o passado. Desde então, 2014, a criação de postos de trabalho entrou em acentuado declínio.
Em um País incapaz de oferecer uma oportunidade a 13 milhões de desempregados, nada mais natural do que a fome. Talvez por isso, o desencanto com a política, manifesto no grande número de abstenções auferido pelas pesquisas de intenção de voto. Obrigado a ficar de braços cruzados, sem trabalho, o povo se recusa a sair de casa para depositar a última esperança na urna.

A frieza matemática das estatís- ticas carrega quase sempre um  dado de velada crueldade. Observe-se, por exemplo, o número de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza. De acordo com o cálculo, seria impossível viver dignamente com R$ 233, em valor atual. Com até R$ 250, entretanto, tudo bem. De todo modo, arbitrariedade à parte, os números dão uma ideia da multidão abandonada à própria sorte. E os miseráveis nunca foram tantos.
Entre 2014 e 2017, o número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza no Brasil cresceu 33%, o que significa 6,3 milhões de novos pobres no país - a população do Uruguai multiplicada por dois. O dado foi fornecido por um estudo inédito realizado pela Fundação Getúlio Vargas. E sugere que os programas de transferência de renda, embora imprescindíveis, não possuem a capacidade de resguardar as parcelas mais vulneráveis da população ante os reveses próprios da economia de mercado.
A bem da verdade, ao contrário do que é pregado pelo casuísmo caolho de uns e de outros, os programas de transferência de renda, a exemplo do Bolsa Família, jamais encerraram a estratégia de combate à pobreza adotada pelo Governo Federal nos tempos áureos de emprego pleno. De acordo com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o trabalho contribuiu sensivelmente para a redução da desigualdade entre 2002 e 2012. Mas os números também mentem. Àquela altura, a realidade já era outra, as estatísticas ainda capturavam o passado. Desde então, 2014, a criação de postos de trabalho entrou em acentuado declínio.
Em um País incapaz de oferecer uma oportunidade a 13 milhões de desempregados, nada mais natural do que a fome. Talvez por isso, o desencanto com a política, manifesto no grande número de abstenções auferido pelas pesquisas de intenção de voto. Obrigado a ficar de braços cruzados, sem trabalho, o povo se recusa a sair de casa para depositar a última esperança na urna.