Um fraco pela beleza

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As imagens de Julia Duarte permanecem com a gente
As imagens de Julia Duarte permanecem com a gente

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Publicada em 15/09/2018 às 06:32:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Eu tenho um fraco 
pela beleza. E Julia 
Duarte vem demonstrando reiterado pendor para a construção de belas imagens. O curta metragem 'Bolha', exibido esta semana no Centro Cultural de Aracaju, talvez exija mais cumplicidade do que seria  lícito reclamar ao espectador. Muito drama por nada. Afora a densidade pouca dos personagens, sujeitos sem predicados, entretanto, resta a composição rigorosa de cada quadro. Amparadas por uma visualidade exuberante, as imagens criadas por Julia permanecem com a gente.
'Bolha' pode ser definido como um drama familiar subjetivo. Os hiatos de comunicação, os abismos cavados entre pai, mãe e filho, são sublinhados por cada palavra reverberando nos cômodos amplos da casa. Em certo sentido, o prédio funciona como um invólucro. E do simbolismo derivado da arquitetura para as metáforas das bolas de sabão, a coleção de molduras vazias penduradas na parede branca, a câmera pula aos saltos.
Em certo sentido, 'Bolha' amplia a experiência iniciada em 'Vacío', curta no qual a composição e a montagem encerram todo o esforço de realização. Os filmes demonstram o domínio técnico da diretora, aparentemente afeita ao controle dos elementos dispostos em ambientes fechados. Para fazer Cinema de verdade, no entanto, Julia terá de encontrar historias capazes de extrapolar o frame. Os seus feitos até agora dão a impressão de uma autora à procura de um motivo que valha o foco de suas lentes.
A primeira vez quando Julia foi citada em letra de imprensa -, obra e graça desta página, modéstia à parte -, era apresentada como uma promessa da fotografia. Não à toa, os seus filmes preservam um sentido de organização espacial invulgar, produto de quem vê tudo enquadrado. Convém atentar, no entanto, para a cadência própria da linguagem audiovisual. Sem fustigar a pulsão de vida/morte guardada no oco de cada um, uma imagem, ainda que impressionante, será somente uma imagem.

Eu tenho um fraco  pela beleza. E Julia  Duarte vem demonstrando reiterado pendor para a construção de belas imagens. O curta metragem 'Bolha', exibido esta semana no Centro Cultural de Aracaju, talvez exija mais cumplicidade do que seria  lícito reclamar ao espectador. Muito drama por nada. Afora a densidade pouca dos personagens, sujeitos sem predicados, entretanto, resta a composição rigorosa de cada quadro. Amparadas por uma visualidade exuberante, as imagens criadas por Julia permanecem com a gente.
'Bolha' pode ser definido como um drama familiar subjetivo. Os hiatos de comunicação, os abismos cavados entre pai, mãe e filho, são sublinhados por cada palavra reverberando nos cômodos amplos da casa. Em certo sentido, o prédio funciona como um invólucro. E do simbolismo derivado da arquitetura para as metáforas das bolas de sabão, a coleção de molduras vazias penduradas na parede branca, a câmera pula aos saltos.
Em certo sentido, 'Bolha' amplia a experiência iniciada em 'Vacío', curta no qual a composição e a montagem encerram todo o esforço de realização. Os filmes demonstram o domínio técnico da diretora, aparentemente afeita ao controle dos elementos dispostos em ambientes fechados. Para fazer Cinema de verdade, no entanto, Julia terá de encontrar historias capazes de extrapolar o frame. Os seus feitos até agora dão a impressão de uma autora à procura de um motivo que valha o foco de suas lentes.
A primeira vez quando Julia foi citada em letra de imprensa -, obra e graça desta página, modéstia à parte -, era apresentada como uma promessa da fotografia. Não à toa, os seus filmes preservam um sentido de organização espacial invulgar, produto de quem vê tudo enquadrado. Convém atentar, no entanto, para a cadência própria da linguagem audiovisual. Sem fustigar a pulsão de vida/morte guardada no oco de cada um, uma imagem, ainda que impressionante, será somente uma imagem.