A crise é séria

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\'Escultura\', de Wily Valenzuela
\'Escultura\', de Wily Valenzuela

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Publicada em 17/09/2018 às 06:36:00

 

Briga judicial
A justiça eleitoral determinou que o candidato ao Senado, Antônio Valadares, retire as postagens agressivas que fez em sua rede social Twitter. A decisão foi assinada pela juíza Brígida Declerc Fink e comprova a tentativa do candidato de macular a imagem do coordenador de marketing da campanha, Carlos Cauê, e dos candidatos que compõem a coligação 'Pra Sergipe Avançar', Belivaldo Chagas e Jackson Barreto.
A Justiça entendeu que atitude do senador Valadares, expressa em seus posts nas redes sociais, ultrapassam a natureza das críticas, mesmo que veementes, que fazem parte do jogo eleitoral, e descambam para o insulto pessoal e para a imputação de delitos sabidamente inverídicos.
Não é a primeira vez que o senador, numa posição que transparece desespero, exorbita do bom senso e utiliza-se de antigas práticas deletérias para agredir adversários e profissionais que atuam em campo político oposto ao seu. Dessa vez, o Tribunal Regional Eleitoral determinou a retirada imediata da postagem de todas as URL's associadas ao senador por considerar seu conteúdo ofensivo e danoso à honra e imagem do publicitário Carlos Cauê e dos candidatos, Belivaldo Chagas da Silva e Jackson Barreto de Lima, impondo multa pelo descumprimento da decisão.

No ano passado, durante a apresentação do Anuário Socioeconômico de Sergipe 2017, produzido pelo Departamento de Economia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), ficou claro que o Estado de Sergipe foi um dos mais atingidos pela crise econômica. E, apesar das promessas dos candidatos a governador, as perspectivas continuam sombrias.

 Organizado pelos professores Luiz Rogério de Camargo, Wagner Nóbrega e Rodrigo Góis, o documento apresenta números do desempenho da economia e das demandas sociais do Estado e de cada município. O objetivo é subsidiar a análise desses dados e a proposição de políticas. O Anuário Socioeconômico de Sergipe é uma publicação anual do Grupo de Pesquisa em Análise de Dados Econômicos, vinculado ao Departamento de Economia da UFS, e do grupo de estudos Café com Dados. 

Nesta campanha eleitoral, um diagnóstico que comprova a grave crise econômica do Estado:

"Sergipe foi atingido pela crise de forma intensa, com desdobramentos ainda mais severos do que o país como um todo. Após 14 anos de expansão média de 2,5% anuais (estimativa própria para 2015/2016), levemente inferior à média brasileira, Sergipe chega em 2017 sem conseguir reverter a perda de espaço na economia nacional, com elevada taxa de desemprego em 15,0% e PIB per capita estimado em R$ 18,1 mil, bem abaixo da média brasileira (R$ 30,4 mil).

Numa perspectiva de longo prazo, o principal condicionante de crescimento da economia sergipana sempre esteve associado à expectativa de expansão da estrutura produtiva de commodities: petróleo e gás, fertilizantes, insumos da construção civil. Em particular, petróleo e gás, pois esse setor tem participação expressiva na economia local, e em 2014 foi responsável por 35,6% do valor de transformação industrial da indústria sergipana.

Mas mesmo com essa relevância, a série histórica indica que a produção de petróleo em Sergipe cai desde 2008 e os volumes produzidos em 2015 e 2016 foram menores do que em 2002. A produção de gás manteve-se praticamente estável no período 2016/2002. Ainda assim, a indústria extrativa sergipana representou 7,1% do valor adicionado bruto do PIB estadual em 2014, um aumento significativo quando comparado com a participação de 4,2% em 2002.

A última onda de euforia para com o futuro da indústria de commodities em Sergipe ocorreu por volta do ano de 2014, onde os investimentos anunciados totalizavam R$ 42,3 bilhões para o período 2013-2018. As previsões de investimentos não se confirmaram; ao contrário, o plano de desinvestimentos da Petrobrás postergou, para a próxima década, a instalação da primeira plataforma em águas profundas, que duplicaria a produção de petróleo em 2018; a Vale desistiu, definitivamente, do projeto de Carnalita; e a nova fábrica de cimento não se concretizou.

O impacto negativo mais visível do desempenho dos setores industriais de Sergipe está relacionado com os 'serviços industriais de utilidade pública' (Siup). A participação desse setor no valor adicionado bruto do PIB estadual recuou de 7,7% em 2012 para 3,3% em 2014. Em razão da política de redução da geração de energia nas usinas do rio São Francisco, iniciada em março de 2013, a usina de Xingó foi duramente atingida. A geração de energia elétrica passou de 10.177 GWh em 2012 para 5.886 GWh em 2014.

Muito mais do que as atividades industriais, o setor de serviços, construção civil e comércio foram bastante beneficiados no período que caracteriza a expansão do crescimento brasileiro entre 2005 e 2011.

A previdência estadual é outro exemplo da falta de enfrentamento dos problemas estruturais dos problemas financeiros por parte do governo estadual. Apesar do novo regime criado em 2008, da previdência estadual decorreu parte predominante do aumento do endividamento total de 4,4% em 2009 do PIB estadual, para 13,7% em 2016. O governo estadual também não arrefeceu a crise econômica que se instalou no estado durante o período. Em parte, isso se deveu ao fato de que o esforço arrecadatório pró-cíclico extraiu parcelas maiores de recursos do setor produtivo nos anos de 2013 e 2014, o que deve se agravar, se confirmada a estimativa de queda do PIB sergipano para os anos de 2015 e 2016, visto que, mesmo com a crise, o PIB vinha crescendo desde 2008.

Nas duas últimas décadas, o principal e mais visível impacto do desenvolvimento econômico de Sergipe consiste na conjunção estreita entre dois resultados: baixo crescimento econômico e melhoria pouco significativa nos indicadores sociais. Não obstante, incontáveis programas de incentivos foram implementados, mas a governança pública parece ignorar a maldição dos recursos naturais e revela dificuldades para investir em capital humano e para fomentar outros setores de atividade econômica."

A crise fica cada vez mais grave.

Violência e competitividade: Sergipe na rabeira

Pesquisa da organização não governamental (ONG) Centro de Liderança Pública (CLP), divulgada nesta sexta-feira (14), aponta que estados brasileiros estão perdendo competividade por causa da violência.

É o caso, por exemplo, do Acre, que perdeu oito posições no ranking nacional em decorrência da violência, e agora está na última colocação. Na área de segurança pública, passou de 5º colocado (em 2015) para 20º (em 2018).

Já Alagoas teve o maior avanço na classificação nacional, subindo oito pontos e garantindo a 16ª posição. A pesquisa indica que o estado reestruturou a dívida com a União, "reduzindo o pagamento de juros e, por consequência, a quantidade de recursos destinados a este fim".

No ranking geral, São Paulo lidera, mantendo a posição desde 2017, seguido por Santa Catarina (2º), Distrito Federal (3º) e Paraná (4º).

Os demais estados estão nas seguintes posições: Rio Grande do Sul (5º), Minas Gerais (6º), Mato Grosso do Sul (7º), Espírito Santo (8º), Paraíba (9º), Goiás (10º), Mato Grosso (11º), Ceará (12º), Rio de Janeiro (13º), Rondônia (14º), Tocantins (15º), Alagoas (16º) Amazonas (17º), Roraima (18º), Rio Grande do Norte (19º), Pernambuco (20º), Piauí (21º), Bahia (22º), Pará (23º), Amapá (24º), Sergipe (25º), Maranhão (26º) e Acre (27º).

Voto útil

Na reta final da campanha eleitoral, as pesquisas sobre intenções de voto tomam conta do noticiário e são uma fonte de informação importante tanto para os candidatos quanto para os eleitores.

O cientista político Geraldo Tadeu Monteiro afirma que as pesquisas desempenham papel importante na decisão do eleitor. De acordo com ele, existe tanto o voto útil, quando o eleitor quer ajudar alguém que tem mais chance; quanto o voto de veto, quando o eleitor quer fazer com que um candidato específico perca. "A pesquisa não determina, ela influencia como qualquer outra fonte de informação", esclarece.

Segundo Monteiro, o resultado da pesquisa faz parte de um conjunto de informações que o eleitor usa a fim de decidir. "Se ele quiser votar no candidato que está ganhando ou ele acha que o voto útil para a sua tendência política é mais interessante, ele tem o direito de ter essa informação".

O especialista considera, no entanto, um mito a tese de que o brasileiro vota no "cavalo que está ganhando". Ele pesquisou o assunto e concluiu que só 5% dos eleitores podem mudar de voto se descobrirem que seu candidato não tem chance. "Os outros 95% escolhem um e vão com ele até o final", destaca.

Geraldo Tadeu Monteiro também fala sobre a diferença entre pesquisas espontâneas e estimuladas. Para ele, a espontânea mostra o grau de consolidação daquela opção de voto. "Quando o sujeito espontaneamente declina o nome do candidato é porque para ele aquela informação já está bem segura".

Já a pesquisa estimulada, quando são apresentadas as opções para o eleitor, pode gerar resultados diferentes. "Na pesquisa espontânea, 56% das mulheres estão indecisas com relação ao candidato a presidente, mas quando você estimula, só 7% ficam indecisas", exemplifica. (Com Agência Câmara)

Briga judicial

A justiça eleitoral determinou que o candidato ao Senado, Antônio Valadares, retire as postagens agressivas que fez em sua rede social Twitter. A decisão foi assinada pela juíza Brígida Declerc Fink e comprova a tentativa do candidato de macular a imagem do coordenador de marketing da campanha, Carlos Cauê, e dos candidatos que compõem a coligação 'Pra Sergipe Avançar', Belivaldo Chagas e Jackson Barreto.
A Justiça entendeu que atitude do senador Valadares, expressa em seus posts nas redes sociais, ultrapassam a natureza das críticas, mesmo que veementes, que fazem parte do jogo eleitoral, e descambam para o insulto pessoal e para a imputação de delitos sabidamente inverídicos.
Não é a primeira vez que o senador, numa posição que transparece desespero, exorbita do bom senso e utiliza-se de antigas práticas deletérias para agredir adversários e profissionais que atuam em campo político oposto ao seu. Dessa vez, o Tribunal Regional Eleitoral determinou a retirada imediata da postagem de todas as URL's associadas ao senador por considerar seu conteúdo ofensivo e danoso à honra e imagem do publicitário Carlos Cauê e dos candidatos, Belivaldo Chagas da Silva e Jackson Barreto de Lima, impondo multa pelo descumprimento da decisão.