AINDA SOBRE O DESPERDICIO DE ALIMENTOS

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Publicada em 22/09/2018 às 07:52:00

 

* Manoel Moacir Costa Macêdo
No mundo, anualmente, mais de 1,3 bilhão de toneladas de comida tem o lixo como destino. 30% dos alimentos produzidos são desperdiçados. Ao tempo, em que 800 milhões de pessoas passam fome. O Brasil é um dos dez países que mais desperdiçam comida. 41 toneladas de alimentos são descartadas por dia, e 61% dos brasileiros admitem desperdiçar comida ao menos uma vez por semana. Uma contradição consentida entre forme e desperdício.
A insegurança alimentar no Brasil tem causas conhecidas. De um lado, a desigualdade social, impossibilita a aquisição de alimentos pelos pobres. Persistem travas estruturais para redução da pobreza, e da vergonhosa da concentração de renda em poucas mãos. Seis ricos no Brasil, detém a metade da riqueza dos mais pobres. Não tem havido mudança de renda no topo da pirâmide, mas movimentações pouco expressivas na sua base. A sociedade, não atentou que os ricos no Brasil custam mais caros do que os pobres. Os benefícios dos ricos são ocultos e consensuais. Os dos pobres são visíveis e conflituosos. 
Nenhuma sociedade, recupera a sua cidadania, sem compensações aos fracos e excluídos. Soluções estruturais demandam contingências políticas e o tempo certo no espectro da história para as rupturas do antigo pelo novo; do patrimonial pelo coletivo; e do egoísmo pelo altruísmo. Dilemas determinam a ambiência adequada para as transformações. No dizer dos poetas "apesar de você, amanhã há de ser outro dia [e] quem sabe faz a hora e não espera acontecer".
Do outro, existem ações simples, viáveis e de curto prazo, para a redução do desperdício e redução do custo dos alimentos. Alguns dentro da porteira, a exemplo da colheita e embalagem adequadas. Outros, fora dela, que não carecem de onerosos investimentos, apenas manuseios no trato com os produtos agropecuários amadurecidos. Conservação e transporte apropriados adiam o seu consumo por um maior lapso temporal. Cuidados elementares e modestas tecnologias barateiam os custos de produção, facultam maiores ganhos aos produtores e ampliam o consumo por uma maior quantidade de pessoas, principalmente as mais carentes. Dói, o desperdício do alimento pronto e acabado para ser consumido, após o oneroso processo produtivo, da semeadura à colheita, numa sociedade que tem fome. Inadmissível a fome num País com terras agricultáveis, água, tecnologia, energia, e uma gente cristã e generosa.  
 Importante iniciativa, foi o Projeto de Lei 581/15, permite que as empresas de alimentos doem comidas em condições de consumo, mas sem valor comercial, proibindo o descarte em aterros, onde os resíduos se transformam no poluente gás metano. Outra mudança, são as transformações dos hábitos alimentares, a exemplo do consumo dos alimentos em sua totalidade, como as cascas e talos nas variadas formas e transformações gastronômicas. Em geral, as partes mais nutritivas dos alimentos naturais, por desconhecimento, carência educacional, e costumes tradicionais, são desperdiçadas.
Ideias apropriadas no tempo em curso, estão testadas em contingências restritas, e urgem ampliar o seu espectro de abrangência, a exemplo do aplicativo "Comida Invisível", surgido da indignação do desperdício de comida na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), a exemplo das frutas e legumes jogados diariamente ao lixo. Essa ferramenta conecta restaurantes, bares, hotéis, mercados, e pessoas que desejam doar alimentos próprios para o consumo, mas sem valor comercial. Em nosso meio, com similar estratégia, existe a "Mesa Brasil". O "Banco de Alimentos" iniciativa vitoriosa em seletivos cantos, deve ser testada nacionalmente Os produtos agropecuários tem características próprias, além do ciclo curto de vida. Eles perdem com rapidez os seus valores, pelos olhares viciados dos consumidores. Consome-se mais com os olhos, e menos com a boca. Programas que reduzem os desperdícios de comida propagam a paz e protegem o ambiente. A fome não é uma racional companhia, e iniciativas dessa natureza, custam menos que a violência no Brasil.
* Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

* Manoel Moacir Costa Macêdo

No mundo, anualmente, mais de 1,3 bilhão de toneladas de comida tem o lixo como destino. 30% dos alimentos produzidos são desperdiçados. Ao tempo, em que 800 milhões de pessoas passam fome. O Brasil é um dos dez países que mais desperdiçam comida. 41 toneladas de alimentos são descartadas por dia, e 61% dos brasileiros admitem desperdiçar comida ao menos uma vez por semana. Uma contradição consentida entre forme e desperdício.
A insegurança alimentar no Brasil tem causas conhecidas. De um lado, a desigualdade social, impossibilita a aquisição de alimentos pelos pobres. Persistem travas estruturais para redução da pobreza, e da vergonhosa da concentração de renda em poucas mãos. Seis ricos no Brasil, detém a metade da riqueza dos mais pobres. Não tem havido mudança de renda no topo da pirâmide, mas movimentações pouco expressivas na sua base. A sociedade, não atentou que os ricos no Brasil custam mais caros do que os pobres. Os benefícios dos ricos são ocultos e consensuais. Os dos pobres são visíveis e conflituosos. 
Nenhuma sociedade, recupera a sua cidadania, sem compensações aos fracos e excluídos. Soluções estruturais demandam contingências políticas e o tempo certo no espectro da história para as rupturas do antigo pelo novo; do patrimonial pelo coletivo; e do egoísmo pelo altruísmo. Dilemas determinam a ambiência adequada para as transformações. No dizer dos poetas "apesar de você, amanhã há de ser outro dia [e] quem sabe faz a hora e não espera acontecer".
Do outro, existem ações simples, viáveis e de curto prazo, para a redução do desperdício e redução do custo dos alimentos. Alguns dentro da porteira, a exemplo da colheita e embalagem adequadas. Outros, fora dela, que não carecem de onerosos investimentos, apenas manuseios no trato com os produtos agropecuários amadurecidos. Conservação e transporte apropriados adiam o seu consumo por um maior lapso temporal. Cuidados elementares e modestas tecnologias barateiam os custos de produção, facultam maiores ganhos aos produtores e ampliam o consumo por uma maior quantidade de pessoas, principalmente as mais carentes. Dói, o desperdício do alimento pronto e acabado para ser consumido, após o oneroso processo produtivo, da semeadura à colheita, numa sociedade que tem fome. Inadmissível a fome num País com terras agricultáveis, água, tecnologia, energia, e uma gente cristã e generosa.  
 Importante iniciativa, foi o Projeto de Lei 581/15, permite que as empresas de alimentos doem comidas em condições de consumo, mas sem valor comercial, proibindo o descarte em aterros, onde os resíduos se transformam no poluente gás metano. Outra mudança, são as transformações dos hábitos alimentares, a exemplo do consumo dos alimentos em sua totalidade, como as cascas e talos nas variadas formas e transformações gastronômicas. Em geral, as partes mais nutritivas dos alimentos naturais, por desconhecimento, carência educacional, e costumes tradicionais, são desperdiçadas.
Ideias apropriadas no tempo em curso, estão testadas em contingências restritas, e urgem ampliar o seu espectro de abrangência, a exemplo do aplicativo "Comida Invisível", surgido da indignação do desperdício de comida na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), a exemplo das frutas e legumes jogados diariamente ao lixo. Essa ferramenta conecta restaurantes, bares, hotéis, mercados, e pessoas que desejam doar alimentos próprios para o consumo, mas sem valor comercial. Em nosso meio, com similar estratégia, existe a "Mesa Brasil". O "Banco de Alimentos" iniciativa vitoriosa em seletivos cantos, deve ser testada nacionalmente Os produtos agropecuários tem características próprias, além do ciclo curto de vida. Eles perdem com rapidez os seus valores, pelos olhares viciados dos consumidores. Consome-se mais com os olhos, e menos com a boca. Programas que reduzem os desperdícios de comida propagam a paz e protegem o ambiente. A fome não é uma racional companhia, e iniciativas dessa natureza, custam menos que a violência no Brasil.

* Manoel Moacir Costa Macêdo, Engenheiro Agrônomo, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra