Momentos decisivos para o Brasil

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Publicada em 25/09/2018 às 07:20:00

 

* Emir Sader
Nós sempre abusamos das palavras, dizendo que "vivemos momentos decisivos". Agora é dramaticamente verdade: Vivemos momentos decisivos. Como reafirma sempre Haddad, na sua já notável campanha eleitoral: "Temos duas semanas para convencer as pessoas de que o Brasil pode voltar a ser feliz".
Estamos no desenlace da mais profunda, prolongada e grave crise da história do Brasil. É hora de deixar todo o resto de lado: ou o Brasil rompe com essa trama diabólica que o golpe impôs ao país e voltamos a ter um governo democrático e legítimo, que reconstrua o país, ou teremos deixado o país ser condenado à injustiça, à desmoralização, ao abandono.
Já é hora de deixar de lado ambições pessoais, rancores, concorrências menores, para nos concentrarmos e nos dedicarmos a impor uma derrota histórica à direita. Porque não se trata apenas de uma vitória eleitoral, de uma derrota do Bolsonazi. Se trata de derrotar o governo do golpe, o governo dos banqueiros, o governo do congelamento dos recursos sociais o governo da cassação dos direitos dos trabalhadores, o governo do falido modelo neoliberal.
Se trata de conformar uma ampla frente nacional contra a direita, de resgate da democracia, do modelo de desenvolvimento econômico com inclusão social. Para o que temos que ter a forca para o referendo revogatório, para a Assembleia Constituinte.
Haddad tem plena consciência do tamanho do desafio e da necessidade de somar todas as forcas para poder reconstruir o país. Circulando pelo Brasil, ele leva essa mensagem de esperança, que é a mensagem do Lula.
É impressionante o que está acontecendo no Brasil e, uma vez mais, o nordeste dá a tônica da virada no país. Da primeira viagem do Haddad ao nordeste a esta, se deu a consolidação do seu nome como candidato do Lula, como candidato da esquerda. E se tornou o candidato favorito para vencer as eleições, pelo crescimento dos seus apoios, mas também pela enorme rejeição do Bolsonazi (49%) no segundo turno, muito maior do que o seu (28%), dado decisivo no segundo turno.
É o povo do Lula consagrando a Haddad como o legitimo representante do Lula. Com o mesmo espírito de relação estreita com o povo, com o mesmo programa construído entre os dois, com o mesmo apoio de governadores que se reelegerão no primeiro turno.
São duas semanas de tensão até o primeiro turno e pouco mais de um mês até o segundo. No final de outubro o Brasil terá um novo presidente eleito, depois de ter tido, por já quase três anos, um presidente sem legitimidade e sem autoridade.
Sentiremos como a democracia é condição essencial para um governo com autoridade. Como só um presidente eleito pela maioria do país pode convocar e mobilizar o país para a dura tarefa de reconstrução do Brasil.
Foram sendo geradas as condições para uma solução progressista à crise brasileira, que passa obrigatoriamente pela vitória eleitoral de outubro. Lula conseguiu recompor a unidade da esquerda, a própria campanha amplia essa unidade para outros setores, que se opõem ao governo do golpe. Essa é a via democrática de superação da crise.
A direita parece desorientada diante do suicídio que ela cometeu com o golpe e com o governo neoliberal. Ha sinais de tentativas de melar um processo que lhe imporá uma dura derrota. Derrota não apenas dos seus candidatos, mas também do seu modelo neoliberal, do Judiciário que se aliou à direita, da mídia, porta voz do golpe.
Será uma derrota que tem que ser aproveitada pela esquerda para avançar, consolidar espaços, colocar em prática o nosso projeto, recuperar a economia reabsorver o desemprego, resgatar as politicas sociais, retomar a politica internacional de integração regional, resgatar nosso lugar nos Brics. O pais está pronto para voltar à democracia, sedento por abandonar este pais do abandono, do desemprego, da recessão, do desprestigio dos poderes públicos.
São cinco semanas, cinco domingos, até que estes momentos decisivos cedam lutar a outros, de reconstrução do Brasil como país democrático, de justiça social e de soberania nacional.
Ela exige.
* Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

* Emir Sader

Nós sempre abusamos das palavras, dizendo que "vivemos momentos decisivos". Agora é dramaticamente verdade: Vivemos momentos decisivos. Como reafirma sempre Haddad, na sua já notável campanha eleitoral: "Temos duas semanas para convencer as pessoas de que o Brasil pode voltar a ser feliz".
Estamos no desenlace da mais profunda, prolongada e grave crise da história do Brasil. É hora de deixar todo o resto de lado: ou o Brasil rompe com essa trama diabólica que o golpe impôs ao país e voltamos a ter um governo democrático e legítimo, que reconstrua o país, ou teremos deixado o país ser condenado à injustiça, à desmoralização, ao abandono.
Já é hora de deixar de lado ambições pessoais, rancores, concorrências menores, para nos concentrarmos e nos dedicarmos a impor uma derrota histórica à direita. Porque não se trata apenas de uma vitória eleitoral, de uma derrota do Bolsonazi. Se trata de derrotar o governo do golpe, o governo dos banqueiros, o governo do congelamento dos recursos sociais o governo da cassação dos direitos dos trabalhadores, o governo do falido modelo neoliberal.
Se trata de conformar uma ampla frente nacional contra a direita, de resgate da democracia, do modelo de desenvolvimento econômico com inclusão social. Para o que temos que ter a forca para o referendo revogatório, para a Assembleia Constituinte.
Haddad tem plena consciência do tamanho do desafio e da necessidade de somar todas as forcas para poder reconstruir o país. Circulando pelo Brasil, ele leva essa mensagem de esperança, que é a mensagem do Lula.
É impressionante o que está acontecendo no Brasil e, uma vez mais, o nordeste dá a tônica da virada no país. Da primeira viagem do Haddad ao nordeste a esta, se deu a consolidação do seu nome como candidato do Lula, como candidato da esquerda. E se tornou o candidato favorito para vencer as eleições, pelo crescimento dos seus apoios, mas também pela enorme rejeição do Bolsonazi (49%) no segundo turno, muito maior do que o seu (28%), dado decisivo no segundo turno.
É o povo do Lula consagrando a Haddad como o legitimo representante do Lula. Com o mesmo espírito de relação estreita com o povo, com o mesmo programa construído entre os dois, com o mesmo apoio de governadores que se reelegerão no primeiro turno.
São duas semanas de tensão até o primeiro turno e pouco mais de um mês até o segundo. No final de outubro o Brasil terá um novo presidente eleito, depois de ter tido, por já quase três anos, um presidente sem legitimidade e sem autoridade.
Sentiremos como a democracia é condição essencial para um governo com autoridade. Como só um presidente eleito pela maioria do país pode convocar e mobilizar o país para a dura tarefa de reconstrução do Brasil.
Foram sendo geradas as condições para uma solução progressista à crise brasileira, que passa obrigatoriamente pela vitória eleitoral de outubro. Lula conseguiu recompor a unidade da esquerda, a própria campanha amplia essa unidade para outros setores, que se opõem ao governo do golpe. Essa é a via democrática de superação da crise.
A direita parece desorientada diante do suicídio que ela cometeu com o golpe e com o governo neoliberal. Ha sinais de tentativas de melar um processo que lhe imporá uma dura derrota. Derrota não apenas dos seus candidatos, mas também do seu modelo neoliberal, do Judiciário que se aliou à direita, da mídia, porta voz do golpe.
Será uma derrota que tem que ser aproveitada pela esquerda para avançar, consolidar espaços, colocar em prática o nosso projeto, recuperar a economia reabsorver o desemprego, resgatar as politicas sociais, retomar a politica internacional de integração regional, resgatar nosso lugar nos Brics. O pais está pronto para voltar à democracia, sedento por abandonar este pais do abandono, do desemprego, da recessão, do desprestigio dos poderes públicos.
São cinco semanas, cinco domingos, até que estes momentos decisivos cedam lutar a outros, de reconstrução do Brasil como país democrático, de justiça social e de soberania nacional.
Ela exige.

* Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros