Liberdade como princípio

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Charge de Edidelson chama atenção para debate em curso no STF.
Charge de Edidelson chama atenção para debate em curso no STF.

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Publicada em 26/09/2018 às 06:42:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Só o sujeito com o 
pendor de um meni-
no mal educado, desses que crescem sem pai nem mãe, feito mato, tem o direito de se chamar artista. A família, a escola e a igreja tentam lhe por rédeas, inculcar algum bocado de medo na cabeça cheia de vento. O menino ri alto, com a boca escancarada, exibindo todos os dentes. Não tem um pingo de juízo.
Vejam o caso de Edidelson, chargista reconhecido pelas insolências distribuídas entre os poderosos de Sergipe. Vira e mexe, tentam cortar as suas asas. Profissional de mão cheia, ele toca a própria vida do mesmo modo de sempre, fazendo graça do cenário político hodierno, indiferente ao humor das forças ocultas, livre como um passarinho. 
Agora mesmo, Edidelson é questionado em descabido processo criminal, acusado de ferir os pruridos religiosos de uns e outros. Intimado pela Delegacia de Grupos Vulneráveis, ele terá de responder por uma charge em que chama atenção para o debate sobre o sacrifício de animais com fim ritualístico, em curso no Supremo Tribunal Federal. Alguém não gostou dos seus traços e ponto de vista. E só por isso se deu ao direito de constranger o artista, em mal disfarçado esforço de silenciamento.
O processo contra Edidelson acrescenta mais um episódio triste à memória do exercício criativo no Brasil do "golpe" (com ênfase nas aspas), um lugar povoado por censores dos mais vigilantes. Quem não lembra do 'Samba do expurgo'? Bastou um poema para Carlos Cauê cair em desgraça, sob a injusta acusação de machismo. Não adiantou explicar verso por verso, renunciar às metáforas para iluminar o enunciado de uma vez por todas. Os auto proclamados justos e bons pediram a cabeça do poeta no tribunal do Facebook.
Assim, trocamos os pés numa valsa coletiva à beira do abismo. Se o pior ocorrer e a República sucumbir ao pendor autoritário de certos candidatos à presidência, não terá sido sem a colaboração da sensibilidade organizada à esquerda, nos termos do espectro ideológico corrente. Há progressistas sem nenhuma cultura política, moldados exclusivamente pela conveniência, forjados no calor do momento. Para estes, a liberdade de expressão é um meio, jamais um princípio.

Só o sujeito com o  pendor de um meni- no mal educado, desses que crescem sem pai nem mãe, feito mato, tem o direito de se chamar artista. A família, a escola e a igreja tentam lhe por rédeas, inculcar algum bocado de medo na cabeça cheia de vento. O menino ri alto, com a boca escancarada, exibindo todos os dentes. Não tem um pingo de juízo.
Vejam o caso de Edidelson, chargista reconhecido pelas insolências distribuídas entre os poderosos de Sergipe. Vira e mexe, tentam cortar as suas asas. Profissional de mão cheia, ele toca a própria vida do mesmo modo de sempre, fazendo graça do cenário político hodierno, indiferente ao humor das forças ocultas, livre como um passarinho. 
Agora mesmo, Edidelson é questionado em descabido processo criminal, acusado de ferir os pruridos religiosos de uns e outros. Intimado pela Delegacia de Grupos Vulneráveis, ele terá de responder por uma charge em que chama atenção para o debate sobre o sacrifício de animais com fim ritualístico, em curso no Supremo Tribunal Federal. Alguém não gostou dos seus traços e ponto de vista. E só por isso se deu ao direito de constranger o artista, em mal disfarçado esforço de silenciamento.
O processo contra Edidelson acrescenta mais um episódio triste à memória do exercício criativo no Brasil do "golpe" (com ênfase nas aspas), um lugar povoado por censores dos mais vigilantes. Quem não lembra do 'Samba do expurgo'? Bastou um poema para Carlos Cauê cair em desgraça, sob a injusta acusação de machismo. Não adiantou explicar verso por verso, renunciar às metáforas para iluminar o enunciado de uma vez por todas. Os auto proclamados justos e bons pediram a cabeça do poeta no tribunal do Facebook.
Assim, trocamos os pés numa valsa coletiva à beira do abismo. Se o pior ocorrer e a República sucumbir ao pendor autoritário de certos candidatos à presidência, não terá sido sem a colaboração da sensibilidade organizada à esquerda, nos termos do espectro ideológico corrente. Há progressistas sem nenhuma cultura política, moldados exclusivamente pela conveniência, forjados no calor do momento. Para estes, a liberdade de expressão é um meio, jamais um princípio.