O perigo maior

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Publicada em 28/09/2018 às 07:41:00

 

O diz que me disse é a única cons-
tante na campanha presidenci-
al de Jair Bolsonaro. Primeiro colocado em todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento, o candidato não precisou se dar ao trabalho de construir um projeto de governo consistente, apostou todas as fichas numa retórica beligerante, elegendo os valores progressistas como alvo. O resultado é o descompasso aparente entre o discurso de Jair Bolsonaro e as declarações de seus subordinados. Um tiro no pé capaz de alimentar as cimas de toda a gente.
No episódio mais recente, o general Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, ventilou a pretensão de acabar com o 13° salário devido aos trabalhadores brasileiros. Definido por ele como uma "jabuticaba", em alusão à singularidade da fruta, própria de certa altura dos trópicos, o benefício pesaria nos bolsos dos empresários, um empecilho ao empreendedorismo e a geração de empregos.
Esta não é a primeira vez quando os arroubos de honestidade intelectual colocam a campanha de Jair Bolsonaro em maus lençóis. Com uma trajetória política marcada por declarações escandalosas, ultrapassando o limite da controvérsia em muito, o candidato tem se esforçado para moderar o tom, dentro dos parâmetros de sua própria índole e temperamento. Mas a qualidade do "pensamento" capaz de seduzir e mobilizar a sua base eleitoral acaba aflorando na equipe reunida pelo candidato. Ao investir contra o petismo, a candidatura Bolsonaro se coloca em rota de colisão contra todas as minorias, em prejuízo de grandes extratos da população brasileira.
Mulheres, negros, LGBT's e quilombolas já foram alvo da retórica criminosa de Bolsonaro e os seus asseclas. Em plena campanha, o candidato foi capaz de defender a tortura e a execução de criminosos. Agora, em reunião com empresários, o seu candidato a vice deixa claro a intenção de subtrair o que ainda resta dos direitos trabalhistas resguardados pela legislação vigente. Tanto despautério poderia ser mera verborragia, atributo de quem não tem muito a dizer. Mas há um risco razoável de realmente representar uma visão de mundo. O perigo maior é o eleitor pagar pra ver.

O diz que me disse é a única cons- tante na campanha presidenci- al de Jair Bolsonaro. Primeiro colocado em todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento, o candidato não precisou se dar ao trabalho de construir um projeto de governo consistente, apostou todas as fichas numa retórica beligerante, elegendo os valores progressistas como alvo. O resultado é o descompasso aparente entre o discurso de Jair Bolsonaro e as declarações de seus subordinados. Um tiro no pé capaz de alimentar as cimas de toda a gente.
No episódio mais recente, o general Mourão, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, ventilou a pretensão de acabar com o 13° salário devido aos trabalhadores brasileiros. Definido por ele como uma "jabuticaba", em alusão à singularidade da fruta, própria de certa altura dos trópicos, o benefício pesaria nos bolsos dos empresários, um empecilho ao empreendedorismo e a geração de empregos.
Esta não é a primeira vez quando os arroubos de honestidade intelectual colocam a campanha de Jair Bolsonaro em maus lençóis. Com uma trajetória política marcada por declarações escandalosas, ultrapassando o limite da controvérsia em muito, o candidato tem se esforçado para moderar o tom, dentro dos parâmetros de sua própria índole e temperamento. Mas a qualidade do "pensamento" capaz de seduzir e mobilizar a sua base eleitoral acaba aflorando na equipe reunida pelo candidato. Ao investir contra o petismo, a candidatura Bolsonaro se coloca em rota de colisão contra todas as minorias, em prejuízo de grandes extratos da população brasileira.
Mulheres, negros, LGBT's e quilombolas já foram alvo da retórica criminosa de Bolsonaro e os seus asseclas. Em plena campanha, o candidato foi capaz de defender a tortura e a execução de criminosos. Agora, em reunião com empresários, o seu candidato a vice deixa claro a intenção de subtrair o que ainda resta dos direitos trabalhistas resguardados pela legislação vigente. Tanto despautério poderia ser mera verborragia, atributo de quem não tem muito a dizer. Mas há um risco razoável de realmente representar uma visão de mundo. O perigo maior é o eleitor pagar pra ver.