Seca provoca perdas para agricultores sergipanos

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Plantação de milho perdida no sertão sergipano: seguro ameniza os prejuízos
Plantação de milho perdida no sertão sergipano: seguro ameniza os prejuízos

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Publicada em 01/10/2018 às 14:14:00

 

Milton Alves Júnior
Milhares de produ-
tores rurais sergi-
panos voltam a enfrentar danos financeiros os quais atingem índices negativos históricos em virtude da sequência de estiagem. Estudos realizados pela Federação da Agricultura e Pecuária de Sergipe (FAESE) indicam que desde o início deste ano a falta de chuva atinge todas as regiões do Estado. Como se não bastasse o largo período de sol forte e umidade atingindo patamares cada vez mais negativos, a falta de amparo social do Seguro Rural, por exemplo, contribui para que prejuízos rurais atinjam a casa dos 500 milhões de reais. Somente na produção de milho essa perda está calculada em 320 milhões de reais.
Parte desse prejuízo alimentício e financeiro está concentrada no município de Carira, no sertão do estado. Apresentado pelo setor como o maior produtor de milho de Sergipe, a cidade previa uma colheita de 300 mil toneladas durante este segundo semestre, porém, menos de 20 mil toneladas devem ser salvas. Uma perda real de 78 milhões de reais. Paralelo à inviabilidade de comercialização, um pedaço dessa parcela alimentícia, ainda em fase de desenvolvimento, tem sido utilizada para alimentar o rebanho bovino. Para se ter noção do cenário, desde o início do ano choveu apenas 235 milímetros na região, menos da metade do que era esperado pelos produtores mais otimistas.
Emergência - Dos 75 municípios sergipanos, 15, decretaram estado de emergência. São eles: Nossa Senhora da Glória, Pinhão, Nossa Senhora Aparecida, São Miguel do Aleixo, Carira, Tobias Barreto, Poço Redondo, Gararu, Monte Alegre de Sergipe, Canindé do São Francisco, Frei Paulo, Ribeirópolis, Nossa Senhora de Lourdes, Itabi e Simão Dias. De acordo com a Defesa Civil Estadual, a estiagem gera prejuízos para mais de 110 mil habitantes. Apesar dos prejuízos em menor escala contabilizados nos anos anteriores, a busca pelo amparo do Seguro Rural ainda é baixa diante dos prejuízos multiplicados. Em Sergipe, menos de 10% dos produtores rurais decidiram adquirir apólices e se precaver das ameaças ensaiadas pelo sistema meteorológico.
Para o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguro do Estado de Sergipe (Sincor/SE), Érico Melo, apesar das sucessivas perdas contabilizadas ao longo dos últimos anos, muitos agricultores sergipanos seguem optando por correr o risco de enfrentar estiagens e perder parte, ou toda, a produção prevista para o ano. Além do milho - que se destaca em todo o Estado, Sergipe contabiliza ainda a perda de toneladas de arroz, feijão, café, quiabo, abóbora, cana de açúcar, laranja e o tradicional amendoim. Érico reconhece aumento na busca pelo Seguro Rural, mas garante que essa aquisição segue de forma tímida diante da produção progressista.
"A produção de milho realmente chama a atenção em virtude de Sergipe ser considerado o Estado com maior produção deste alimento no Nordeste. Estamos no último dia de setembro e os especialistas dizem que 2018 já é o ano com maior perda em virtude da seca. Não queremos diante desse cenário se aproveitar da negatividade para promover o Seguro Rural, mas mostrar na prática que se a grande maioria dos produtores não jogasse com a sorte e deixassem de acreditar mais em um clima propício, certamente neste momento de perda o sistema de seguro estaria pronto para minimizar as perdas milionárias", avaliou.
Integralmente aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), ao contratar uma apólice do Seguro Rural o cidadão produtor tem a possibilidade de recuperar o capital investido na respectiva lavoura ou empreendimento ante a perda da produção por conta de uma chuva mais forte ou de uma seca mais prolongada - ação legalizada que se enquadra no mesmo modelo utilizado por milhões de brasileiros que optam por adquirir o seguro veicular. Conforme enaltecido pela Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros (Fenacor), milhares de produtores rurais são amparados todos os anos após perda de safra.
Seguro - Entre esses clientes amparados pelo sistema está o produtor de abóboras, Luís Fernando Mendes. Morador do município de Poço Redondo, no Sertão sergipano, ele declarou ao Jornal do Dia ter adquirido o seguro após obter perda consecutivas entre os anos de 2014 e 2016. Paralelo ao déficit em virtude da não progressão dos alimentos causado pela seca na região, todo o dinheiro investido também foi perdido. Após contabilizar cerca de 100 mil de investimento, mais 800 mil de lucro não adquirido, ele optou por buscar um corretor de seguros credenciado e adquirir o plano protetivo. Questionado se essa iniciativa valeu a pena, ele disse:
"Se não fosse isso hoje estaria com mais um prejuízo. Infelizmente eu e minha família nos dedicamos muito para obter uma colheita boa esse ano; uma estimativa de 52 toneladas de abóbora, mas a seca nos castiga e o máximo que conseguimos ainda salvar foram seis toneladas e uma fração. Como percebemos que o cenário não mudaria - muito pelo contrário, foi decretado até estado de emergência, acionamos o corretor, comprovamos a perda e, ao menos, vamos receber nosso investimento de volta. Um plano de seguro que nos custou um pouco, mas está provando na prática que valeu muito a pena", avaliou.
Seguindo a mesma linha de proteção patrimonial adotada por Luís Fernando, o produtor de milho na cidade de Tobias Barreto, Leste sergipano, Silas Bomfim de Oliveira, se apegou à multiplicação de famílias atingidas pela seca como forma de evitar enfrentar o mesmo problema. "Nossa produção é pequena se comparada a outros sergipanos, mas desde 2015 a gente sente um pouco desse impacto, e como esse ano optamos por ampliar um pouco mais os hectares de plantação, a melhor medida a ser tomada foi adquirindo o seguro rural. São mais de cem mil pessoas sofrendo com a seca, muitos daqui de Tobias, e nós não desejávamos passar pelo mesmo sofrimento de perda", declarou Silas, que concluiu dizendo:
"Possuímos um amador sistema de irrigação que horas falha, horas funciona. Até o momento não fomos prejudicados de forma representativa pela seca, mas o que nos deixa aliviados é que se tudo der errado, ao menos estaremos amparado pelo sistema de seguro".

Milhares de produ- tores rurais sergi- panos voltam a enfrentar danos financeiros os quais atingem índices negativos históricos em virtude da sequência de estiagem. Estudos realizados pela Federação da Agricultura e Pecuária de Sergipe (FAESE) indicam que desde o início deste ano a falta de chuva atinge todas as regiões do Estado. Como se não bastasse o largo período de sol forte e umidade atingindo patamares cada vez mais negativos, a falta de amparo social do Seguro Rural, por exemplo, contribui para que prejuízos rurais atinjam a casa dos 500 milhões de reais. Somente na produção de milho essa perda está calculada em 320 milhões de reais.
Parte desse prejuízo alimentício e financeiro está concentrada no município de Carira, no sertão do estado. Apresentado pelo setor como o maior produtor de milho de Sergipe, a cidade previa uma colheita de 300 mil toneladas durante este segundo semestre, porém, menos de 20 mil toneladas devem ser salvas. Uma perda real de 78 milhões de reais. Paralelo à inviabilidade de comercialização, um pedaço dessa parcela alimentícia, ainda em fase de desenvolvimento, tem sido utilizada para alimentar o rebanho bovino. Para se ter noção do cenário, desde o início do ano choveu apenas 235 milímetros na região, menos da metade do que era esperado pelos produtores mais otimistas.

Emergência - Dos 75 municípios sergipanos, 15, decretaram estado de emergência. São eles: Nossa Senhora da Glória, Pinhão, Nossa Senhora Aparecida, São Miguel do Aleixo, Carira, Tobias Barreto, Poço Redondo, Gararu, Monte Alegre de Sergipe, Canindé do São Francisco, Frei Paulo, Ribeirópolis, Nossa Senhora de Lourdes, Itabi e Simão Dias. De acordo com a Defesa Civil Estadual, a estiagem gera prejuízos para mais de 110 mil habitantes. Apesar dos prejuízos em menor escala contabilizados nos anos anteriores, a busca pelo amparo do Seguro Rural ainda é baixa diante dos prejuízos multiplicados. Em Sergipe, menos de 10% dos produtores rurais decidiram adquirir apólices e se precaver das ameaças ensaiadas pelo sistema meteorológico.
Para o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguro do Estado de Sergipe (Sincor/SE), Érico Melo, apesar das sucessivas perdas contabilizadas ao longo dos últimos anos, muitos agricultores sergipanos seguem optando por correr o risco de enfrentar estiagens e perder parte, ou toda, a produção prevista para o ano. Além do milho - que se destaca em todo o Estado, Sergipe contabiliza ainda a perda de toneladas de arroz, feijão, café, quiabo, abóbora, cana de açúcar, laranja e o tradicional amendoim. Érico reconhece aumento na busca pelo Seguro Rural, mas garante que essa aquisição segue de forma tímida diante da produção progressista.
"A produção de milho realmente chama a atenção em virtude de Sergipe ser considerado o Estado com maior produção deste alimento no Nordeste. Estamos no último dia de setembro e os especialistas dizem que 2018 já é o ano com maior perda em virtude da seca. Não queremos diante desse cenário se aproveitar da negatividade para promover o Seguro Rural, mas mostrar na prática que se a grande maioria dos produtores não jogasse com a sorte e deixassem de acreditar mais em um clima propício, certamente neste momento de perda o sistema de seguro estaria pronto para minimizar as perdas milionárias", avaliou.
Integralmente aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), ao contratar uma apólice do Seguro Rural o cidadão produtor tem a possibilidade de recuperar o capital investido na respectiva lavoura ou empreendimento ante a perda da produção por conta de uma chuva mais forte ou de uma seca mais prolongada - ação legalizada que se enquadra no mesmo modelo utilizado por milhões de brasileiros que optam por adquirir o seguro veicular. Conforme enaltecido pela Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros (Fenacor), milhares de produtores rurais são amparados todos os anos após perda de safra.

Seguro - Entre esses clientes amparados pelo sistema está o produtor de abóboras, Luís Fernando Mendes. Morador do município de Poço Redondo, no Sertão sergipano, ele declarou ao Jornal do Dia ter adquirido o seguro após obter perda consecutivas entre os anos de 2014 e 2016. Paralelo ao déficit em virtude da não progressão dos alimentos causado pela seca na região, todo o dinheiro investido também foi perdido. Após contabilizar cerca de 100 mil de investimento, mais 800 mil de lucro não adquirido, ele optou por buscar um corretor de seguros credenciado e adquirir o plano protetivo. Questionado se essa iniciativa valeu a pena, ele disse:
"Se não fosse isso hoje estaria com mais um prejuízo. Infelizmente eu e minha família nos dedicamos muito para obter uma colheita boa esse ano; uma estimativa de 52 toneladas de abóbora, mas a seca nos castiga e o máximo que conseguimos ainda salvar foram seis toneladas e uma fração. Como percebemos que o cenário não mudaria - muito pelo contrário, foi decretado até estado de emergência, acionamos o corretor, comprovamos a perda e, ao menos, vamos receber nosso investimento de volta. Um plano de seguro que nos custou um pouco, mas está provando na prática que valeu muito a pena", avaliou.
Seguindo a mesma linha de proteção patrimonial adotada por Luís Fernando, o produtor de milho na cidade de Tobias Barreto, Leste sergipano, Silas Bomfim de Oliveira, se apegou à multiplicação de famílias atingidas pela seca como forma de evitar enfrentar o mesmo problema. "Nossa produção é pequena se comparada a outros sergipanos, mas desde 2015 a gente sente um pouco desse impacto, e como esse ano optamos por ampliar um pouco mais os hectares de plantação, a melhor medida a ser tomada foi adquirindo o seguro rural. São mais de cem mil pessoas sofrendo com a seca, muitos daqui de Tobias, e nós não desejávamos passar pelo mesmo sofrimento de perda", declarou Silas, que concluiu dizendo:
"Possuímos um amador sistema de irrigação que horas falha, horas funciona. Até o momento não fomos prejudicados de forma representativa pela seca, mas o que nos deixa aliviados é que se tudo der errado, ao menos estaremos amparado pelo sistema de seguro".