Atento aos sinais

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Um diacho de mulher.
Um diacho de mulher.

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Publicada em 03/10/2018 às 06:28:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br 
Para mim, o pior já 
ocorreu. Refiro-me, 
claro, a 07 de outubro. Refiro-me, sobretudo, às circunstâncias. Polarização, militarismo, paranóia anticomunista. Dá vontade de beber uma garrafa de uísque inteira, só de raiva.
Eu poderia passar ao largo das mesquinharias partidárias. No fim das contas, não sou pago para isso. Mas nas praias onde tenho os pés enterrados, o exercício artístico prospera aos trancos e barrancos, por força de sopapos. Assim, estou também obrigado a certos desgostos, ossos do ofício.
Senão, vejamos. Hoje, início de outubro, artistas da importância de Joésia Ramos ainda não receberam o acordado com a Prefeitura pela participação no Forró Caju 2018. Contando 98 dias, desde o fim da farra, sem ver a cor do dinheiro, os forrozeiros têm motivos de sobra para temer um calote.
No início da semana, enquanto Joésia renunciava à poesia para botar a boca no mundo, um diacho de mulher, a prefeitura de São Cristóvão divulgava a programação de seu tradicional festival de artes, resgatado em boa hora. Quem separou o joio e o trigo e escolheu os artistas dispostos a tomar parte na festa demonstrou o devido conhecimento a respeito das cenas musicais Serigy e brazuca. Acertou em cheio, eventuais preferências à parte. Mas não se dignou a mostrar as fuças, nem discriminou os critérios que orientaram a seleção. Custava tratar o dinheiro público com o mínimo de transparência?
Tratamos aqui de dois casos ordinários, exemplares da relação desigual estabelecida entre o poder público e a classe artística local. Os prefeitos Edvaldo Nogueira e Marcos Santana podem ser considerados, com algumas concessões, dois políticos progressistas. E, no entanto, falham ao dispensar à sensibilidade nativa um tratamento impróprio até para com os seus subordinados.
De todo modo, o pior já ocorreu. Polarização, militarismo, paranóia anticomunista. A nós, os suplicantes no andar de baixo, resta o amargo remédio de permanecer o tempo inteiro atento aos sinais.

Para mim, o pior já  ocorreu. Refiro-me,  claro, a 07 de outubro. Refiro-me, sobretudo, às circunstâncias. Polarização, militarismo, paranóia anticomunista. Dá vontade de beber uma garrafa de uísque inteira, só de raiva.
Eu poderia passar ao largo das mesquinharias partidárias. No fim das contas, não sou pago para isso. Mas nas praias onde tenho os pés enterrados, o exercício artístico prospera aos trancos e barrancos, por força de sopapos. Assim, estou também obrigado a certos desgostos, ossos do ofício.
Senão, vejamos. Hoje, início de outubro, artistas da importância de Joésia Ramos ainda não receberam o acordado com a Prefeitura pela participação no Forró Caju 2018. Contando 98 dias, desde o fim da farra, sem ver a cor do dinheiro, os forrozeiros têm motivos de sobra para temer um calote.
No início da semana, enquanto Joésia renunciava à poesia para botar a boca no mundo, um diacho de mulher, a prefeitura de São Cristóvão divulgava a programação de seu tradicional festival de artes, resgatado em boa hora. Quem separou o joio e o trigo e escolheu os artistas dispostos a tomar parte na festa demonstrou o devido conhecimento a respeito das cenas musicais Serigy e brazuca. Acertou em cheio, eventuais preferências à parte. Mas não se dignou a mostrar as fuças, nem discriminou os critérios que orientaram a seleção. Custava tratar o dinheiro público com o mínimo de transparência?
Tratamos aqui de dois casos ordinários, exemplares da relação desigual estabelecida entre o poder público e a classe artística local. Os prefeitos Edvaldo Nogueira e Marcos Santana podem ser considerados, com algumas concessões, dois políticos progressistas. E, no entanto, falham ao dispensar à sensibilidade nativa um tratamento impróprio até para com os seus subordinados.
De todo modo, o pior já ocorreu. Polarização, militarismo, paranóia anticomunista. A nós, os suplicantes no andar de baixo, resta o amargo remédio de permanecer o tempo inteiro atento aos sinais.