Francisco de Assis e Francisco de Roma

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Publicada em 04/10/2018 às 07:30:00

 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB
A Igreja Católica celebra hoje a festa litúrgi
ca de São Francisco de Assis.
Francisco de Assis, falecido em 3 de outubro 1230, entre outros dons, celebrizou-se por seu Cântico das Criaturas em que, num italiano medieval, com fortes acenos ainda latinos, tece um poema de inexcedível beleza e de louvação cristã às obras do "Altíssimo, onipotente e bom Senhor":
"Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol, o qual faz o dia e nos ilumina por ele. Ele é belo e com grande esplendor que, de ti, Altíssimo, toma significado". O Santo de Assis louva também a irmã Lua, as estrelas, a água, "muito útil, preciosa e casta". Louva ainda o irmão Fogo e a "nossa irmã, a Mãe Terra, que nos sustenta e governa e produz diversos frutos com flores coloridas e ervas".
Esse canto foi classificado pela poetisa Donatella Biasutti como "o mais alto manifesto ecológico", apoiada por comentários de jornalistas, filósofos e pessoas católicas, judeus, muçulmanos e budistas. Uma versão do original italiano do Cântico das Criaturas pode ser lida no claustro do Convento dos Capuchinhos em Maceió.
Foi haurindo à fonte franciscana que o Francisco de Roma, o Santo Padre o Papa, promulgou a "Laudato si", a primeira encíclica propriamente sua, uma vez que a outra, sobre a fé, foi escrita em parceria com o Papa Emérito Bento XVI. Pela exiguidade de espaço de que disponho, limito-me a citar um texto da Opus Dei, que nos dá visão sintética de toda a Encíclica.
"Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão crescendo?" (n.º160) - pergunta o Papa Francisco. Este interrogativo é o âmago da Encíclica sobre o cuidado da casa comum da humanidade. O itinerário é tratado no n.º 15 e se desenvolve em seis capítulos. Da análise da situação, a partir das conquistas científicas hoje disponíveis (cap. 1), passa ao confronto com a Bíblia e a tradição cristã (cap. 2), identificando a raiz dos problemas (cap. 3), na tecnocracia e no excessivo fechamento autorreferencial do ser humano. No cap. 4, a Encíclica propõe uma ecologia integral, que inclua as dimensões humanas e sociais, indissoluvelmente ligadas com a questão ambiental. Nesta perspectiva, o Papa propõe empreender em todos os níveis da vida social, econômica e política, um diálogo sincero, que estruture processos de decisão transparentes (cap. 5) e, no capítulo final, conclui que nenhum projeto será eficaz, se não for animado por uma consciência responsável, sugerindo ideias para crescer nesta direção em nível educativo, espiritual, político e religioso. O texto papal termina com duas orações, uma oferecida à partilha com todos os que crêem em Deus Criador e Onipotente e a outra proposta aos que professam a fé em Jesus Cristo, acompanhada pelo refrão "Laudato si", com o qual a Encíclica se abre e se conclui.
Assim se encontram os dois Franciscos. O do século 13, que por primeiro teve esse nome, dado pelo pai, em homenagem à França, de onde ele importava ricos tecidos, que fizeram sua fortuna, afinal, desprezada pelo filho, que desposara a Madame Pobreza. E o Francisco dos nossos dias, que por primeiro tomou esse nome, como o Papa de uma Igreja da periferia, o Papa de uma Igreja que está em saída, que está a caminho ao encontro dos homens do nosso tempo.  
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)
dedvaldo@salesianorecife.org.br

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB

A Igreja Católica celebra hoje a festa litúrgi ca de São Francisco de Assis.Francisco de Assis, falecido em 3 de outubro 1230, entre outros dons, celebrizou-se por seu Cântico das Criaturas em que, num italiano medieval, com fortes acenos ainda latinos, tece um poema de inexcedível beleza e de louvação cristã às obras do "Altíssimo, onipotente e bom Senhor":
"Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol, o qual faz o dia e nos ilumina por ele. Ele é belo e com grande esplendor que, de ti, Altíssimo, toma significado". O Santo de Assis louva também a irmã Lua, as estrelas, a água, "muito útil, preciosa e casta". Louva ainda o irmão Fogo e a "nossa irmã, a Mãe Terra, que nos sustenta e governa e produz diversos frutos com flores coloridas e ervas".
Esse canto foi classificado pela poetisa Donatella Biasutti como "o mais alto manifesto ecológico", apoiada por comentários de jornalistas, filósofos e pessoas católicas, judeus, muçulmanos e budistas. Uma versão do original italiano do Cântico das Criaturas pode ser lida no claustro do Convento dos Capuchinhos em Maceió.
Foi haurindo à fonte franciscana que o Francisco de Roma, o Santo Padre o Papa, promulgou a "Laudato si", a primeira encíclica propriamente sua, uma vez que a outra, sobre a fé, foi escrita em parceria com o Papa Emérito Bento XVI. Pela exiguidade de espaço de que disponho, limito-me a citar um texto da Opus Dei, que nos dá visão sintética de toda a Encíclica.
"Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão crescendo?" (n.º160) - pergunta o Papa Francisco. Este interrogativo é o âmago da Encíclica sobre o cuidado da casa comum da humanidade. O itinerário é tratado no n.º 15 e se desenvolve em seis capítulos. Da análise da situação, a partir das conquistas científicas hoje disponíveis (cap. 1), passa ao confronto com a Bíblia e a tradição cristã (cap. 2), identificando a raiz dos problemas (cap. 3), na tecnocracia e no excessivo fechamento autorreferencial do ser humano. No cap. 4, a Encíclica propõe uma ecologia integral, que inclua as dimensões humanas e sociais, indissoluvelmente ligadas com a questão ambiental. Nesta perspectiva, o Papa propõe empreender em todos os níveis da vida social, econômica e política, um diálogo sincero, que estruture processos de decisão transparentes (cap. 5) e, no capítulo final, conclui que nenhum projeto será eficaz, se não for animado por uma consciência responsável, sugerindo ideias para crescer nesta direção em nível educativo, espiritual, político e religioso. O texto papal termina com duas orações, uma oferecida à partilha com todos os que crêem em Deus Criador e Onipotente e a outra proposta aos que professam a fé em Jesus Cristo, acompanhada pelo refrão "Laudato si", com o qual a Encíclica se abre e se conclui.
Assim se encontram os dois Franciscos. O do século 13, que por primeiro teve esse nome, dado pelo pai, em homenagem à França, de onde ele importava ricos tecidos, que fizeram sua fortuna, afinal, desprezada pelo filho, que desposara a Madame Pobreza. E o Francisco dos nossos dias, que por primeiro tomou esse nome, como o Papa de uma Igreja da periferia, o Papa de uma Igreja que está em saída, que está a caminho ao encontro dos homens do nosso tempo.  

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)dedvaldo@salesianorecife.org.br