Trinta minutos calado

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O volume de uma avalanche
O volume de uma avalanche

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Publicada em 05/10/2018 às 06:41:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Não é todo dia que 
me ocorre ficar sem 
palavras. Desde a última segunda-feira, no entanto, eu não solto um pio. A banda Taco de Golfe jogou o seu primeiro disco nas plataformas de streaming. 'Folge' é capaz de fazer qualquer um parar um pouco e fechar o bico, trinta minutos calado.
Nós, os acostumados à sociabilidade beligerante das redes, somos entes cheios de certezas, muito ciosos das próprias idéias e opiniões. Cativos da bolha, só cultivamos o eco dos pensamentos afins. Para sair do próprio eixo, o homem das cavernas digitais precisa ser impelido por uma força maior. E a música de 'Folge' tem a potência viva do espanto e dos sopapos.
É de cair o cu da bunda. Timbres e dinâmica, assinatura inconfundível, remetem a 'Cato', o EP lançado ano passado. Os loops de guitarra, a arquitetura circular dos temas, convidam a uma espécie de transe. Depois que o sujeito aperta o play, o eu subjetivo não manda mais nada. Além da música, afirmação de si mesma, resta o mundo inteiro - rumor e barulho.
Fluindo como um cataclismo, com o volume de uma avalanche, 'Folge' jamais soa plácido. Há momentos de distensão, naturalmente. Mas a maior parte do tempo é de atrito, nervos à flor da pele. 'Jess, not jazz', executada no que parece um violão de aço, por exemplo, talvez seja percebida por aí como um alívio, em função da sonoridade acústica. Para mim, comunica a urgência de um corpo em queda livre, uma fatalidade.
Por tudo isso é que eu já disse e repito: Músicos excepcionais, Gabriel Galvão (guitarras), Filipe Williams (baixo) e Alexandre Mesquita (bateria) realizam um trabalho sem par na cena local. Não bastasse a competência demonstrada na execução das próprias composições, o pulso e o calor irradiando em um instrumental impecável, a Taco de Golfe é obra de muita ousadia, um ponto fora da reta, com rasgos de experimentalismo e erudição. Com um pouco de sorte e o perdão do trocadilho infame, os meninos bons de taco ainda vão aprontar um bocado.

Não é todo dia que  me ocorre ficar sem  palavras. Desde a última segunda-feira, no entanto, eu não solto um pio. A banda Taco de Golfe jogou o seu primeiro disco nas plataformas de streaming. 'Folge' é capaz de fazer qualquer um parar um pouco e fechar o bico, trinta minutos calado.
Nós, os acostumados à sociabilidade beligerante das redes, somos entes cheios de certezas, muito ciosos das próprias idéias e opiniões. Cativos da bolha, só cultivamos o eco dos pensamentos afins. Para sair do próprio eixo, o homem das cavernas digitais precisa ser impelido por uma força maior. E a música de 'Folge' tem a potência viva do espanto e dos sopapos.
É de cair o cu da bunda. Timbres e dinâmica, assinatura inconfundível, remetem a 'Cato', o EP lançado ano passado. Os loops de guitarra, a arquitetura circular dos temas, convidam a uma espécie de transe. Depois que o sujeito aperta o play, o eu subjetivo não manda mais nada. Além da música, afirmação de si mesma, resta o mundo inteiro - rumor e barulho.
Fluindo como um cataclismo, com o volume de uma avalanche, 'Folge' jamais soa plácido. Há momentos de distensão, naturalmente. Mas a maior parte do tempo é de atrito, nervos à flor da pele. 'Jess, not jazz', executada no que parece um violão de aço, por exemplo, talvez seja percebida por aí como um alívio, em função da sonoridade acústica. Para mim, comunica a urgência de um corpo em queda livre, uma fatalidade.
Por tudo isso é que eu já disse e repito: Músicos excepcionais, Gabriel Galvão (guitarras), Filipe Williams (baixo) e Alexandre Mesquita (bateria) realizam um trabalho sem par na cena local. Não bastasse a competência demonstrada na execução das próprias composições, o pulso e o calor irradiando em um instrumental impecável, a Taco de Golfe é obra de muita ousadia, um ponto fora da reta, com rasgos de experimentalismo e erudição. Com um pouco de sorte e o perdão do trocadilho infame, os meninos bons de taco ainda vão aprontar um bocado.