Todos contra Bolsonazi

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Publicada em 05/10/2018 às 07:13:00

 

* Emir Sader
A contraofensiva da direita, valendo-se das pesquisas contratadas pela velha mídia, de decisões eleitorais do Judiciário, da máquina de fakes, da ofensa contra símbolos como Marielle, demonstra como ela não tem limites na sua tentativa de evitar sua derrota. A democracia segue em risco grave, caso Bolzonazi consiga triunfar.
Nesta altura da campanha, não há dúvidas: todos do campo popular, do campo democrático, contra Bolsonazi. Pertencer a esse campo é não ter dúvida que a linha demarcatória dos enfrentamentos hoje no Brasil é essa: a favor ou contra o Bolsonazi. É indispensável submeter todas as forças a esse combate, decisivo para o futuro do Brasil e da América Latina.
Nada de manter conflitos dentro do campo popular. A disputa nesse campo tem que ser sobre quem tem a melhor estratégia e as melhores condições de derrotar a extrema direita. Tudo tem que estar dirigido e submetido a isso. Nada de usar argumentos da direita para tentar desgastar candidatos do campo popular. Isso seria fazer um favor à direita, ninguém do campo popular ganha votos com isso. Ao contrário, fortalece a extrema direita.
Desde que se faz campanha dizendo que o Ciro teria mais chances de ganhar do Bolsonazi no segundo turno - argumento que não vale mais, Haddad o derrota também -, o Ciro não ganhou voto algum, quem ganhou foi o próprio Bolsonazi. O Ciro só tem perdido votos, pelas atitudes erráticas que tem tomado, procurando desgastar o Haddad.
No último debate, era inaceitável concentrar ataques no Haddad, deixando de lado o Bolsonazi, que já se vale dessa estranha ausência, que facilita que ele, ao invés de estar no centro do debate, fique ausente, deixando que os outros se digladiem.
Os candidatos do campo democrático tem a obrigação de colocar o risco Bolsonazi no centro do debate e das disputas políticas hoje. Qualquer desvio de energias e de atenções para outros problemas contribui para a tática do Bolsonazi de ficar ausente e deixar que as disputas entre os outros candidatos o poupem.
É preciso escancarar as principais barbaridades que o Bolzonazi e seus auxiliares defendem, buscando evidenciá-las e conseguir pronunciamento também de candidatos de direita sobre temas como a liberação do armamento, a pena de morte, o fuzilamento de adversários políticos, a discriminação contra mulheres, negros, quilombolas, jovens, o aumento do imposto de renda para os pobres, entre tantas outras barbaridades.
Se o campo popular não conseguir isso estará poupando o Bolsonazi e deixando que sua tática de evitar se expor tenha sucesso. É preciso inclusive denunciar essa suspeita ausência no debate, quando ele está liberado para dar entrevistas longas para a imprensa.
Não se deve sobrepor as disputas dentro do campo popular a esse enfrentamento. Caso chegasse a ganhar, todas as forcas do campo popular serão vítimas de brutais perseguições e repressão. Não se pode brincar com isso, às custas de tentativas de projeções de candidaturas que já não tem possibilidades nem de chegar ao segundo turno. Seria submeter a contradição fundamental hoje a conflitos e disputas secundárias, revelando falta de maturidade e de compreensão da gravidade do momento que vivemos.
A esquerda enfrentou dividida a ofensiva que levou ao golpe contra a Dilma, que interrompeu o processo democrático que tínhamos. Algumas forças chegaram a apoiar a Lava Jato, outras não se solidarizaram na defesa do governo reeleito democraticamente pelo povo.
Depois, o campo popular foi se reunificando em torno da defesa da democracia, do direito do Lula ser candidato, a luta contra o governo Temer. As eleições são uma possibilidade do campo popular apresentar suas várias alternativas, mas sem romper a unidade em torno dessas questões fundamentais. O que significa, hoje, concentrar todas as forças contra o Bolzonazi. A derrota dele será a vitória do campo popular, em que todas forcas participarão da reconstrução democrática do país e da retomada do modelo de crescimento econômico com inclusão social.
* Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

* Emir Sader

A contraofensiva da direita, valendo-se das pesquisas contratadas pela velha mídia, de decisões eleitorais do Judiciário, da máquina de fakes, da ofensa contra símbolos como Marielle, demonstra como ela não tem limites na sua tentativa de evitar sua derrota. A democracia segue em risco grave, caso Bolzonazi consiga triunfar.
Nesta altura da campanha, não há dúvidas: todos do campo popular, do campo democrático, contra Bolsonazi. Pertencer a esse campo é não ter dúvida que a linha demarcatória dos enfrentamentos hoje no Brasil é essa: a favor ou contra o Bolsonazi. É indispensável submeter todas as forças a esse combate, decisivo para o futuro do Brasil e da América Latina.
Nada de manter conflitos dentro do campo popular. A disputa nesse campo tem que ser sobre quem tem a melhor estratégia e as melhores condições de derrotar a extrema direita. Tudo tem que estar dirigido e submetido a isso. Nada de usar argumentos da direita para tentar desgastar candidatos do campo popular. Isso seria fazer um favor à direita, ninguém do campo popular ganha votos com isso. Ao contrário, fortalece a extrema direita.
Desde que se faz campanha dizendo que o Ciro teria mais chances de ganhar do Bolsonazi no segundo turno - argumento que não vale mais, Haddad o derrota também -, o Ciro não ganhou voto algum, quem ganhou foi o próprio Bolsonazi. O Ciro só tem perdido votos, pelas atitudes erráticas que tem tomado, procurando desgastar o Haddad.
No último debate, era inaceitável concentrar ataques no Haddad, deixando de lado o Bolsonazi, que já se vale dessa estranha ausência, que facilita que ele, ao invés de estar no centro do debate, fique ausente, deixando que os outros se digladiem.
Os candidatos do campo democrático tem a obrigação de colocar o risco Bolsonazi no centro do debate e das disputas políticas hoje. Qualquer desvio de energias e de atenções para outros problemas contribui para a tática do Bolsonazi de ficar ausente e deixar que as disputas entre os outros candidatos o poupem.
É preciso escancarar as principais barbaridades que o Bolzonazi e seus auxiliares defendem, buscando evidenciá-las e conseguir pronunciamento também de candidatos de direita sobre temas como a liberação do armamento, a pena de morte, o fuzilamento de adversários políticos, a discriminação contra mulheres, negros, quilombolas, jovens, o aumento do imposto de renda para os pobres, entre tantas outras barbaridades.
Se o campo popular não conseguir isso estará poupando o Bolsonazi e deixando que sua tática de evitar se expor tenha sucesso. É preciso inclusive denunciar essa suspeita ausência no debate, quando ele está liberado para dar entrevistas longas para a imprensa.
Não se deve sobrepor as disputas dentro do campo popular a esse enfrentamento. Caso chegasse a ganhar, todas as forcas do campo popular serão vítimas de brutais perseguições e repressão. Não se pode brincar com isso, às custas de tentativas de projeções de candidaturas que já não tem possibilidades nem de chegar ao segundo turno. Seria submeter a contradição fundamental hoje a conflitos e disputas secundárias, revelando falta de maturidade e de compreensão da gravidade do momento que vivemos.
A esquerda enfrentou dividida a ofensiva que levou ao golpe contra a Dilma, que interrompeu o processo democrático que tínhamos. Algumas forças chegaram a apoiar a Lava Jato, outras não se solidarizaram na defesa do governo reeleito democraticamente pelo povo.
Depois, o campo popular foi se reunificando em torno da defesa da democracia, do direito do Lula ser candidato, a luta contra o governo Temer. As eleições são uma possibilidade do campo popular apresentar suas várias alternativas, mas sem romper a unidade em torno dessas questões fundamentais. O que significa, hoje, concentrar todas as forças contra o Bolzonazi. A derrota dele será a vitória do campo popular, em que todas forcas participarão da reconstrução democrática do país e da retomada do modelo de crescimento econômico com inclusão social.

* Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros