Nem todos os que falam em nome de Deus falam a verdade

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Publicada em 09/10/2018 às 07:08:00

 

*Antonio Passos
Terminou o primeiro turno das eleições de 2018 e muitas lições podem ser tiradas dessa primeira rodada da disputa eleitoral. Um desses ensinamentos é o que está exposto no título deste texto: "Nem todos os que falam em nome de Deus falam a verdade". E quem nos deu a oportunidade dessa comprovação foi o candidato, pra lá de inusitado, Cabo Daciolo.
Sempre com uma Bíblia na mão e pronunciando a frase "glória a Deus", o candidato do partido Patriotas disse muitas vezes, em alto, claro e bom som, para quem quis ouvir, que sairia vitorioso das urnas já no primeiro turno, sendo eleito Presidente do Brasil. Dizia o Cabo Daciolo que essa previsão era soprada no ouvido dele pela voz de Deus.
Pois bem, não há dúvida de que o Cabo Daciolo falava em nome de Deus ao anunciar o fato que ocorreria no dia 07 de outubro de 2018. Chegou o dia marcado para a previsão divulgada, os votos foram contados e a profecia atribuída a Deus pelo Cabo Daciolo não aconteceu. O chute do fanático candidato nem sequer raspou a trave, passou longe.
Restou agora a questão: teria Deus mentido para o Cabo Daciolo? Ou, usando o nome de Deus, teria faltado com a verdade o próprio Cabo Daciolo? Como seria imprudente atribuir uma mentira ao Deus da Bíblia, então, infelizmente para o arrojado candidato, sobrou uma evidência: Cabo Daciolo mentiu usando o nome de Deus.
Porém, muita gente acreditou nas palavras do candidato que falava em nome de Deus. Afinal, por volta das 23 horas do dia 07 de outubro de 2018, quando já tinham sido apuradas as escolhas digitadas em 99% das urnas por todo o Brasil, o candidato Cabo Daciolo contava com 1,26% dos votos, ou seja: mais de hum milhão de pessoas votaram nele.
Para ser mais preciso, cerca de hum milhão e trezentas e cinquenta mil pessoas acreditaram que o candidato que falava em nome de Deus dizia a verdade. Porém, como agora resta inequivocamente demonstrado, o Cabo Daciolo utilizava o nome de Deus, mas, não falava a verdade. Seria o Cabo Daciolo um caso isolado?
Bom, como não há mal que não traga um bem - diz o ditado popular - o falastrão Cabo Daciolo deu a sua contribuição ao Brasil: mostrou comprovadamente que nem sempre segurar uma Bíblia e falar em nome de Deus significa dizer a verdade. Também em nome de Deus grandes mentiras podem ser ditas e divulgadas.
*Antonio Passos é jornalista

*Antonio Passos

Terminou o primeiro turno das eleições de 2018 e muitas lições podem ser tiradas dessa primeira rodada da disputa eleitoral. Um desses ensinamentos é o que está exposto no título deste texto: "Nem todos os que falam em nome de Deus falam a verdade". E quem nos deu a oportunidade dessa comprovação foi o candidato, pra lá de inusitado, Cabo Daciolo.
Sempre com uma Bíblia na mão e pronunciando a frase "glória a Deus", o candidato do partido Patriotas disse muitas vezes, em alto, claro e bom som, para quem quis ouvir, que sairia vitorioso das urnas já no primeiro turno, sendo eleito Presidente do Brasil. Dizia o Cabo Daciolo que essa previsão era soprada no ouvido dele pela voz de Deus.
Pois bem, não há dúvida de que o Cabo Daciolo falava em nome de Deus ao anunciar o fato que ocorreria no dia 07 de outubro de 2018. Chegou o dia marcado para a previsão divulgada, os votos foram contados e a profecia atribuída a Deus pelo Cabo Daciolo não aconteceu. O chute do fanático candidato nem sequer raspou a trave, passou longe.
Restou agora a questão: teria Deus mentido para o Cabo Daciolo? Ou, usando o nome de Deus, teria faltado com a verdade o próprio Cabo Daciolo? Como seria imprudente atribuir uma mentira ao Deus da Bíblia, então, infelizmente para o arrojado candidato, sobrou uma evidência: Cabo Daciolo mentiu usando o nome de Deus.
Porém, muita gente acreditou nas palavras do candidato que falava em nome de Deus. Afinal, por volta das 23 horas do dia 07 de outubro de 2018, quando já tinham sido apuradas as escolhas digitadas em 99% das urnas por todo o Brasil, o candidato Cabo Daciolo contava com 1,26% dos votos, ou seja: mais de hum milhão de pessoas votaram nele.
Para ser mais preciso, cerca de hum milhão e trezentas e cinquenta mil pessoas acreditaram que o candidato que falava em nome de Deus dizia a verdade. Porém, como agora resta inequivocamente demonstrado, o Cabo Daciolo utilizava o nome de Deus, mas, não falava a verdade. Seria o Cabo Daciolo um caso isolado?
Bom, como não há mal que não traga um bem - diz o ditado popular - o falastrão Cabo Daciolo deu a sua contribuição ao Brasil: mostrou comprovadamente que nem sempre segurar uma Bíblia e falar em nome de Deus significa dizer a verdade. Também em nome de Deus grandes mentiras podem ser ditas e divulgadas.

*Antonio Passos é jornalista