Brasil real

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 09/10/2018 às 07:12:00

 

A composição da Câmara Fede-
ral, em Brasília, está longe de 
espelho da diversidade observada no Brasil real. A comparação entre os dados oficiais colhidos pelo último censo realizado pelo IBGE e os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após o pleito do último domingo, expressam um óbice escandaloso de representatividade escandaloso nos círculos de ar rarefeito do poder.
No Brasil real, por assim dizer, mais da metade da população é de mulheres. Na Câmara dos Deputados, elas ocupam apenas 15% das cadeiras. O País de carne e osso é miscigenado e mestiço, com mais da metade da população de pretos e pardos. Na Câmara, estes não chegam a 25%. Apenas 8,3% da população brasileira tem formação em nível superior. No entanto, os diplomados são imensa maioria na Câmara, ocupando quase 81% das cadeiras. E por aí vai.
Representatividade importa. Não se trata aqui de questionar o resultado auferido nas urnas, acima de qualquer suspeita razoável. Longe disso. Mas a falta de semelhança e parecença entre eleitores e os seus representantes faz pensar se a Câmara dos Deputados pode mesmo ser chamada de A Casa do Povo, como é vocalizado sem muita convicção por homens brancos, educados e muito bem pagos, nos discursos mais inflamados.
Em que pese a crise de representatividade perpetuada por uma sabotada reforma eleitoral, é preciso admitir as regras do jogo democrático e respeitar o voto dos brasileiros. Mas, a bem da verdade, a composição da Câmara dos Deputados, bem como de todo o Congresso Nacional, apenas para ficar no primeiro escalão da República, está longe de refletir os embates de todos os dias travados nas filas, nas vilas e favelas. Talvez por isso, a vida no andar de baixo seja tão dura e questões sensíveis, como a legalização do aborto, por exemplo, jamais sejam discutidas seriamente.

A composição da Câmara Fede- ral, em Brasília, está longe de  espelho da diversidade observada no Brasil real. A comparação entre os dados oficiais colhidos pelo último censo realizado pelo IBGE e os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após o pleito do último domingo, expressam um óbice escandaloso de representatividade escandaloso nos círculos de ar rarefeito do poder.
No Brasil real, por assim dizer, mais da metade da população é de mulheres. Na Câmara dos Deputados, elas ocupam apenas 15% das cadeiras. O País de carne e osso é miscigenado e mestiço, com mais da metade da população de pretos e pardos. Na Câmara, estes não chegam a 25%. Apenas 8,3% da população brasileira tem formação em nível superior. No entanto, os diplomados são imensa maioria na Câmara, ocupando quase 81% das cadeiras. E por aí vai.
Representatividade importa. Não se trata aqui de questionar o resultado auferido nas urnas, acima de qualquer suspeita razoável. Longe disso. Mas a falta de semelhança e parecença entre eleitores e os seus representantes faz pensar se a Câmara dos Deputados pode mesmo ser chamada de A Casa do Povo, como é vocalizado sem muita convicção por homens brancos, educados e muito bem pagos, nos discursos mais inflamados.
Em que pese a crise de representatividade perpetuada por uma sabotada reforma eleitoral, é preciso admitir as regras do jogo democrático e respeitar o voto dos brasileiros. Mas, a bem da verdade, a composição da Câmara dos Deputados, bem como de todo o Congresso Nacional, apenas para ficar no primeiro escalão da República, está longe de refletir os embates de todos os dias travados nas filas, nas vilas e favelas. Talvez por isso, a vida no andar de baixo seja tão dura e questões sensíveis, como a legalização do aborto, por exemplo, jamais sejam discutidas seriamente.