Casa grande e senzala

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Publicada em 10/10/2018 às 10:15:00

 

Para combater a iniquidade, mais 
acesso à informação. Eis a lógica 
consagrada pela Justiça do Trabalho, desde a feliz decisão que obrigou o Governo Federal a publicar a lista suja do trabalho escravo, em dezembro de 2016. A casa grande, representada pela bancada ruralista na Câmara dos Deputados, tremeu. Desde então, faz de tudo para ocultar a evidência dos próprios malfeitos. Um esforço até agora inútil.
Quem não deve, não teme. Infelizmente, há muita gente poderosa e influente com culpa no cartório. O Ministério do Trabalho divulgou uma versão atualizada da lista, denunciando 209 "empregadores" escravocratas. De acordo com o documento, entre 2005 e este ano, 2.879 funcionários foram submetidos por seus empregadores a exercer atividades laborais sob condições degradantes e desumanas.
Apesar da incongruência aparente, prova de que a escravidão é ainda um dado do tempo presente, a divulgação da lista também demonstra a indisposição institucional com práticas francamente retrógradas. Se há quem se empenhe para retirar o cadastro do ar, como há alguns anos, quando o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, atendeu a uma liminar questionando a constitucionalidade da divulgação, também há quem se recuse a atender aos apelos do atraso. Pouco depois, a ministra Carmem Lúcia cassou a proibição, estabelecendo maior rigor na elaboração da lista.
A persistência da escravidão em solo brasileiro depõe contra a ideia de um País disposto à modernização das relações econômicas e de trabalho. Afirma, sobretudo, o quanto de humanidade ainda falta a grandes parcelas das elites nacionais para transformar a República em uma verdadeira nação democrática.

Para combater a iniquidade, mais  acesso à informação. Eis a lógica  consagrada pela Justiça do Trabalho, desde a feliz decisão que obrigou o Governo Federal a publicar a lista suja do trabalho escravo, em dezembro de 2016. A casa grande, representada pela bancada ruralista na Câmara dos Deputados, tremeu. Desde então, faz de tudo para ocultar a evidência dos próprios malfeitos. Um esforço até agora inútil.
Quem não deve, não teme. Infelizmente, há muita gente poderosa e influente com culpa no cartório. O Ministério do Trabalho divulgou uma versão atualizada da lista, denunciando 209 "empregadores" escravocratas. De acordo com o documento, entre 2005 e este ano, 2.879 funcionários foram submetidos por seus empregadores a exercer atividades laborais sob condições degradantes e desumanas.
Apesar da incongruência aparente, prova de que a escravidão é ainda um dado do tempo presente, a divulgação da lista também demonstra a indisposição institucional com práticas francamente retrógradas. Se há quem se empenhe para retirar o cadastro do ar, como há alguns anos, quando o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, atendeu a uma liminar questionando a constitucionalidade da divulgação, também há quem se recuse a atender aos apelos do atraso. Pouco depois, a ministra Carmem Lúcia cassou a proibição, estabelecendo maior rigor na elaboração da lista.
A persistência da escravidão em solo brasileiro depõe contra a ideia de um País disposto à modernização das relações econômicas e de trabalho. Afirma, sobretudo, o quanto de humanidade ainda falta a grandes parcelas das elites nacionais para transformar a República em uma verdadeira nação democrática.