Outro tempo

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Um presente pra Marina
Um presente pra Marina

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Publicada em 15/10/2018 às 09:43:00

 

O Dia das Crianças, celebrado hoje, chega em momento delicado, quando a exposição da gurizada ao exercício artístico é confundida com abuso sexual. A má fé dos moralistas de plantão faz pensar sobre os valores relacionados à infância. E sobre os produtos de natureza cultural voltados para a faixa etária. 
Quando a minha primeira sobrinha nasceu, eu varri a rede à procura dos meus primeiros LP's. Eu queria que Marina crescesse como eu, com A Turma do Balão Mágico na cabeça. Quando me deparei com 'Maria Anita', primeiro registro do conjunto A Casa do Zé, um produto de outro tempo, a minha chegou a um bom termo.
A primeira coisa que chama atenção em 'Maria Anita' é o projeto gráfico cuidadoso, que parece corroborar com as minhas angústias de tio e remete a uma espécie de nostalgia, evocada pelo encarte colorido, de apelo irresistível, sobretudo para as crianças acostumadas a jogar bola de gude no tapete da sala. Brinquedo de verdade é pipa, peão, boneca de pano e balão. Pena que pouca gente ainda se lembre disso.
O repertório da banda, formado quase que exclusivamente por canções populares, oferece o pretexto necessário para que os músicos Ítalo José (voz), João Ricardo Trindade (violão), Emerson Olivier (contrabaixo), Marcelo Ribeiro (bandolim) e Igor Côrtes (gaita e flauta transversal), além dos percussionistas Almeida Júnior, Brisa e Papi, reafirmem a intenção documental do projeto, que apela para a memória afetiva dos mais velhos enquanto se encarrega de apresentar um universo de inocência, que parece ter sido banido para os cafundós de Judas, aos desavisados.
Diversas participações especiais - Henrique Teles, Rafael Jr, Sena, Ton Toy, Armandinho Macedo e Luiz Caldas, que assina uma das canções, entre outros - pontuam as 11 faixas de Maria Anita, atestando o respaldo conquistado pelo trabalho entre os músicos locais, além da relevância de um projeto que tinha tudo para resvalar na chatice, mas se sustenta na competência de instrumentistas calejados e arranjos capazes de renovar clássicos da estirpe de 'Andar com Fé', do baiano Gilberto Gil.
Eu poderia me perder descrevendo as virtudes de cada uma das faixas, mas esse artigo não se propõe a tanto. Basta lembrar o que já foi dito, em oportunidade anterior. 'Maria Anita', o disco roubado, foi oferecido como presente para a minha sobrinha, colocada a salvo de um mundo bruto, que não parece disposto a um mísero pingo de fantasia, por obra e graça de A Casa do Zé. A menina, hoje uma moça, mais uma vez, agradece.

O Dia das Crianças, celebrado hoje, chega em momento delicado, quando a exposição da gurizada ao exercício artístico é confundida com abuso sexual. A má fé dos moralistas de plantão faz pensar sobre os valores relacionados à infância. E sobre os produtos de natureza cultural voltados para a faixa etária. 
Quando a minha primeira sobrinha nasceu, eu varri a rede à procura dos meus primeiros LP's. Eu queria que Marina crescesse como eu, com A Turma do Balão Mágico na cabeça. Quando me deparei com 'Maria Anita', primeiro registro do conjunto A Casa do Zé, um produto de outro tempo, a minha chegou a um bom termo.
A primeira coisa que chama atenção em 'Maria Anita' é o projeto gráfico cuidadoso, que parece corroborar com as minhas angústias de tio e remete a uma espécie de nostalgia, evocada pelo encarte colorido, de apelo irresistível, sobretudo para as crianças acostumadas a jogar bola de gude no tapete da sala. Brinquedo de verdade é pipa, peão, boneca de pano e balão. Pena que pouca gente ainda se lembre disso.
O repertório da banda, formado quase que exclusivamente por canções populares, oferece o pretexto necessário para que os músicos Ítalo José (voz), João Ricardo Trindade (violão), Emerson Olivier (contrabaixo), Marcelo Ribeiro (bandolim) e Igor Côrtes (gaita e flauta transversal), além dos percussionistas Almeida Júnior, Brisa e Papi, reafirmem a intenção documental do projeto, que apela para a memória afetiva dos mais velhos enquanto se encarrega de apresentar um universo de inocência, que parece ter sido banido para os cafundós de Judas, aos desavisados.

Diversas participações especiais - Henrique Teles, Rafael Jr, Sena, Ton Toy, Armandinho Macedo e Luiz Caldas, que assina uma das canções, entre outros - pontuam as 11 faixas de Maria Anita, atestando o respaldo conquistado pelo trabalho entre os músicos locais, além da relevância de um projeto que tinha tudo para resvalar na chatice, mas se sustenta na competência de instrumentistas calejados e arranjos capazes de renovar clássicos da estirpe de 'Andar com Fé', do baiano Gilberto Gil.
Eu poderia me perder descrevendo as virtudes de cada uma das faixas, mas esse artigo não se propõe a tanto. Basta lembrar o que já foi dito, em oportunidade anterior. 'Maria Anita', o disco roubado, foi oferecido como presente para a minha sobrinha, colocada a salvo de um mundo bruto, que não parece disposto a um mísero pingo de fantasia, por obra e graça de A Casa do Zé. A menina, hoje uma moça, mais uma vez, agradece.