Menino que sumiu no mangue foi assassinado

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Ruan Henrique Oliveira dos Santos em foto do álbum da família
Ruan Henrique Oliveira dos Santos em foto do álbum da família

Terreiro de candomblé do bairro foi invadido por moradores revoltados
Terreiro de candomblé do bairro foi invadido por moradores revoltados

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Publicada em 15/10/2018 às 10:08:00

 

Gabriel Damásio
Um desfecho trágico 
nas buscas pelo ga
roto Ruan Henrique Oliveira dos Santos, oito anos, que ficou desaparecido por cerca de 14 horas, depois de ter sido capturado e arrastado para dentro de um manguezal no bairro Soledade (zona norte). Ele foi encontrado por volta das 23h desta quarta-feira e apresentava graves ferimentos na cabeça e no corpo, provocados por marcas de espancamento. Ruan chegou a ser levado para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), mas não resistiu e morreu durante a madrugada. O crime chocou a população aracajuana e principalmente a comunidade do bairro onde o menino morava. 
As buscas pelo garoto começaram por volta das 13h, quando Ruan brincava e pescava caranguejos com um menino de 12 anos junto ao mangue. Ambos foram surpreendidos por dois homens armados com facões, que correram atrás deles, os capturaram e os levaram para dentro do mangue. O garoto mais velho conseguiu se desvencilhar e fugiu em busca de ajuda. A vítima, por sua vez, desapareceu, mas conseguiu gritar por socorro enquanto era levada. As buscas se estenderam pela tarde e pela noite, com a ajuda de policiais militares de várias companhias e batalhões. Eles chegaram a utilizar cães farejadores ao longo da procura pelo menino. 
A jornada de angústia terminou em choque no fim da noite, quando Ruan foi visto ferido no conjunto Bugio (zona oeste), a cerca de dois quilômetros de distância da Soledade, no outro lado do mangue. "A gente encontrou meu neto com muitos sinais de violência, de pancadas na cabeça, todo machucado, cheio de lama e do jeito que tava era impossível ele sobreviver", desabafou o avô do menino, Roberto Alves, em entrevista à TV Atalaia. O garoto chegou a ser socorrido às pressas para o Huse, onde sua morte foi constatada pelos médicos. Eles atestaram que o paciente tinha uma profunda lesão no crânio e não apresentava sinais de esfaqueamento, perfurações ou de abuso sexual. O Instituto Médico-Legal (IML) enquadrou o caso como "morte a esclarecer" e ainda concluirá, dentro de 30 dias, o laudo de necropsia para apurar a causa do falecimento. 
As horas que se seguiram para a família e a vizinhança de Ruan foram de tristeza, incredulidade e muita revolta. Alguns parentes chegaram a desmaiar no momento em que o caixão chegou à igreja. O sofrimento acompanhou todo o velório do corpo de Ruan, que aconteceu em uma igreja evangélica frequentada pela família no próprio bairro. Entre os parentes, as dúvidas que mais os torturavam eram o que o menino sofreu antes de morrer e o motivo alegado pelos sequestradores para cometerem tamanho crime. "Meu neto sofreu muito antes de morrer, levou pancada na cabeça. Esses marginais são perversos, são um satanás, não são seres humanos. A gente nem sabe porque aconteceu uma barbaridade dessas", lamentou.  
Após o velório, ao fim da tarde, o corpo do garoto saiu em cortejo pelo bairro e em direção ao cemitério São João Batista, onde aconteceu o enterro. Antes, por volta das 14h, aconteceu outro incidente grave: alguns moradores do bairro invadiram uma casa que funciona como terreiro de candomblé, quebraram vários objetos e colocaram fogo na casa, que não chegou a ficar totalmente destruída. Apenas uma senhora estava na casa, mas o filho dela, o babalorixá Tiago do Nascimento, ficou bastante abalado com o episódio e o atribuiu ao boato que que a morte do garoto teria sido parte de um suposto ritual de magia negra. Tiago deixou claro que não tem nenhum envolvimento nenhum com o caso e diz que a depredação foi um ato de preconceito e intolerância religiosa. 
Investigações - O caso é investigado em conjunto por equipes dos departamentos de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), acionado para ajudar a colher as informações do menino de 12 anos, agora apontado como principal testemunha do crime. "A criança tem que ter um atendimento especializado, porque ela também estava em um momento de grande estresse, foi uma vítima, perdeu um amiguinho, pode prestar as informações no tempo dela e nas condições psicológicas dela. A criança já passou algumas informações que já estamos checando. Os populares têm conhecimento que foram dois homens, mas não temos mais informações além do que o menino já nos trouxe até agora, disse a coordenadora de Polícia da Capital, delegada Viviane Pessoa.
Ainda segundo a delegada, não houve sinais de esfaqueamento ou de violência sexual, mas nenhuma hipótese está totalmente descartada, apesar de a informação de um suposto ritual de magia negra ser considerado "pouco provável" pelos investigadores. Viviane assegura que a Secretaria da Segurança Pública (SSP) vem trabalhando as linhas de investigação e que espera elucidar esse caso no mais curto espaço de tempo possível. Quem tiver alguma informação que possa ajudar no esclarecimento do crime pode colaborar com a polícia através do número do Disque-Denúncia (181). A identidade será mantida em sigilo.

Um desfecho trágico  nas buscas pelo ga roto Ruan Henrique Oliveira dos Santos, oito anos, que ficou desaparecido por cerca de 14 horas, depois de ter sido capturado e arrastado para dentro de um manguezal no bairro Soledade (zona norte). Ele foi encontrado por volta das 23h desta quarta-feira e apresentava graves ferimentos na cabeça e no corpo, provocados por marcas de espancamento. Ruan chegou a ser levado para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), mas não resistiu e morreu durante a madrugada. O crime chocou a população aracajuana e principalmente a comunidade do bairro onde o menino morava. 
As buscas pelo garoto começaram por volta das 13h, quando Ruan brincava e pescava caranguejos com um menino de 12 anos junto ao mangue. Ambos foram surpreendidos por dois homens armados com facões, que correram atrás deles, os capturaram e os levaram para dentro do mangue. O garoto mais velho conseguiu se desvencilhar e fugiu em busca de ajuda. A vítima, por sua vez, desapareceu, mas conseguiu gritar por socorro enquanto era levada. As buscas se estenderam pela tarde e pela noite, com a ajuda de policiais militares de várias companhias e batalhões. Eles chegaram a utilizar cães farejadores ao longo da procura pelo menino. 
A jornada de angústia terminou em choque no fim da noite, quando Ruan foi visto ferido no conjunto Bugio (zona oeste), a cerca de dois quilômetros de distância da Soledade, no outro lado do mangue. "A gente encontrou meu neto com muitos sinais de violência, de pancadas na cabeça, todo machucado, cheio de lama e do jeito que tava era impossível ele sobreviver", desabafou o avô do menino, Roberto Alves, em entrevista à TV Atalaia. O garoto chegou a ser socorrido às pressas para o Huse, onde sua morte foi constatada pelos médicos. Eles atestaram que o paciente tinha uma profunda lesão no crânio e não apresentava sinais de esfaqueamento, perfurações ou de abuso sexual. O Instituto Médico-Legal (IML) enquadrou o caso como "morte a esclarecer" e ainda concluirá, dentro de 30 dias, o laudo de necropsia para apurar a causa do falecimento. 
As horas que se seguiram para a família e a vizinhança de Ruan foram de tristeza, incredulidade e muita revolta. Alguns parentes chegaram a desmaiar no momento em que o caixão chegou à igreja. O sofrimento acompanhou todo o velório do corpo de Ruan, que aconteceu em uma igreja evangélica frequentada pela família no próprio bairro. Entre os parentes, as dúvidas que mais os torturavam eram o que o menino sofreu antes de morrer e o motivo alegado pelos sequestradores para cometerem tamanho crime. "Meu neto sofreu muito antes de morrer, levou pancada na cabeça. Esses marginais são perversos, são um satanás, não são seres humanos. A gente nem sabe porque aconteceu uma barbaridade dessas", lamentou.  
Após o velório, ao fim da tarde, o corpo do garoto saiu em cortejo pelo bairro e em direção ao cemitério São João Batista, onde aconteceu o enterro. Antes, por volta das 14h, aconteceu outro incidente grave: alguns moradores do bairro invadiram uma casa que funciona como terreiro de candomblé, quebraram vários objetos e colocaram fogo na casa, que não chegou a ficar totalmente destruída. Apenas uma senhora estava na casa, mas o filho dela, o babalorixá Tiago do Nascimento, ficou bastante abalado com o episódio e o atribuiu ao boato que que a morte do garoto teria sido parte de um suposto ritual de magia negra. Tiago deixou claro que não tem nenhum envolvimento nenhum com o caso e diz que a depredação foi um ato de preconceito e intolerância religiosa. 

Investigações - O caso é investigado em conjunto por equipes dos departamentos de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), acionado para ajudar a colher as informações do menino de 12 anos, agora apontado como principal testemunha do crime. "A criança tem que ter um atendimento especializado, porque ela também estava em um momento de grande estresse, foi uma vítima, perdeu um amiguinho, pode prestar as informações no tempo dela e nas condições psicológicas dela. A criança já passou algumas informações que já estamos checando. Os populares têm conhecimento que foram dois homens, mas não temos mais informações além do que o menino já nos trouxe até agora, disse a coordenadora de Polícia da Capital, delegada Viviane Pessoa.
Ainda segundo a delegada, não houve sinais de esfaqueamento ou de violência sexual, mas nenhuma hipótese está totalmente descartada, apesar de a informação de um suposto ritual de magia negra ser considerado "pouco provável" pelos investigadores. Viviane assegura que a Secretaria da Segurança Pública (SSP) vem trabalhando as linhas de investigação e que espera elucidar esse caso no mais curto espaço de tempo possível. Quem tiver alguma informação que possa ajudar no esclarecimento do crime pode colaborar com a polícia através do número do Disque-Denúncia (181). A identidade será mantida em sigilo.