A enganação das pesquisas

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Da série \'Bacunudos\', da artista sergipana Márcia Guimarães
Da série \'Bacunudos\', da artista sergipana Márcia Guimarães

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Publicada em 15/10/2018 às 10:17:00

 

Dois centenários
Dois centenários de jornalistas sergipanos serão comemorados na próxima semana. No dia 15, às 17 horas, na biblioteca Jacintho Uchôa de Mendonça (Campus Farolândia ), a Unit comemora o centenário de nascimento de Joel Silveira, um dos maiores jornalistas e escritores do Brasil; no dia 19, no auditório do TCE, às 9 horas, a Associação Sergipana de Imprensa e a Academia Sergipana de Letras comemoram o 85º aniversário da ASI e o centenário de nascimento de José Eugênio de Jesus.
A Unit também vai colocar à disposição do público todo o acervo de Joel Silveira, doado pela família à biblioteca Jacintho Uchôa. São mais de 6 mil itens colecionados por Joel ao longo da vida, que seriam doados ao Museu Nacional, no Rio, que pegou foi destruído pelo fogo no mês passado. Elisabeth Silveira, Rodrigo Silveira Monte, filha e neto de Joel, e o escritor Zevi Ghivelder estarão presentes.

Os institutos de pesquisas são os grandes responsáveis pela sensação de 'surpresa' com o resultado das urnas em sete de outubro. Pesquisas de empresas nacionais e/ou locais apresentaram números extremamente divergentes da vontade do eleitor, passando a impressão de que resultado de pesquisa já fosse a confirmação do voto.

Em Sergipe, os institutos nacionais nunca acertaram o resultado de uma única eleição. Quem não se lembra do Ibope de 1994 que apresentava Albano Franco como governador eleito no primeiro turno e a vitória foi de Jackson Barreto? Ou do Senado de 2014, que mostrava Maria do Carmo Alves com mais de 50% dos votos e Rogério Carvalho só não venceu porque ele próprio acreditou na pesquisa e relaxou no sábado, véspera da eleição? Os institutos locais sempre demonstram interesses políticos de seus donos e/ou de quem contrata a pesquisa. Só chegam mais perto dos resultados quando a eleição já foi iniciada.

O resultado da eleição de domingo passado não foi diferente. O governador Belivaldo Chagas (PSD), que disputa a reeleição, aparecia sempre em segundo com uma média de 20% dos votos passou para o segundo turno com 40,84% (403.252 votos). O deputado Valadares Filho (PSB), líder em todas as pesquisas, ficou com 21,49% (212.169 votos). Até o senador Eduardo Amorim (PSDB), se não tivesse feito o jogo das pesquisas, poderia ter ultrapassado o candidato do PSB com 20,50% (202.349 votos).

Para o Senado os erros foram vergonhosos. O senador Valadares (PSB) que aparecia nas pesquisas como o mais votado, amargou a derrota em quinto lugar, com apenas 175.155 votos (9,58%). O vice-líder, deputado André Moura (PSC) também perdeu e ficou em terceiro com 251.213 votos (13,74%), da mesma forma que o ex-governador Jackson Barreto (MDB) que alcançou 204.677 votos (11,20%). Entre os vitoriosos, apenas o delegado Alessandro Vieira (Rede) começou a aparecer entre os primeiros na véspera do pleito. Foi o campeão de votos com surpreendentes 474.449 votos (25,95%). O outro eleito, Rogério Carvalho, aparecia embolado em quinto lugar e conquistou 300.247 votos (16,42%).

O elevado índice de abstenção visto na eleição também não foi percebido pelos supostos institutos: 18,83%, quase 300 mil eleitores não se interessaram em votar, apesar de toda a polarização.

Surpreendente mesmo foi a vitória do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) em Aracaju com 119.781 votos contra apenas 85.326 dados a Fernando Haddad (PT). A soma capital/interior, no entanto, garantiu a vitória do PT com 571.234 votos (50,09%) contra 310.310 (27,21%) de Bolsonaro.

Ridícula foi a pífia votação obtida pelo ex-prefeito de Nossa Senhora de Socorro Fábio Henrique (PDT) eleito com apenas 35.226 votos, abaixo de quatro candidatos cujos partidos não obtiveram coeficiente eleitoral - Emília Correia (52.921 votos), Márcio Macêdo (49.055 votos), Pastor Jony (39.380 votos) e Pastor Antonio (37.556). Para quem não lembra, em 2014, ainda como prefeito, Fábio Henrique transformou a sua mulher Sílvia Fontes, atual candidata a vice-governadora na chapa de Valadares Filho, no deputado mais votado de Sergipe, com 42.613 votos, ou 7.387 votos a mais num universo de candidatos muito maior. Que falta faz a máquina administrativa de um município grande.

Outro eterno campeão de votos que desabou foi Adelson Barreto. Dos 131.236 votos de 2014 alcançou este ano apenas 23.369 votos e ficou de fora da Câmara Federal. O seu 'filho' Adelson Barreto Filho caiu de 19.128 votos em 2014 para apenas 3.012 este ano e também perdeu a vaga na Assembleia Legislativa.

Decepcionante foi também a votação obtida pela professora Adriana Leite (PRB), vice-prefeita de Estância e mulher de Ivan Leite, candidato a vice-governador na chapa de Eduardo Amorim: 13.012 votos. Até o dia da eleição, Ivan apostava que ela estaria entre os mais votados e com vaga garantida na Alese.

Apesar das mudanças impostas pelo eleitorado, muitos políticos ultrapassados e com perfis suspeitos ainda vão continuar com mandato.

Ciclo de desenvolvimento

Não se considerar o vencedor do pleito no segundo turno como ocorre com o candidato do PSL à presidência Jair Bolsonaro, continuar trabalhando de forma organizada, com agenda forte, e buscar apoio de outras lideranças. Estas são as metas do governador Belivaldo Chagas neste segundo turno.

Carlos Cauê, responsável pelo marketing da campanha, explica que além do mote "Chegou pra resolver", a campanha vai sinalizar com a perspectiva de futuro para o Estado de Sergipe, como a retomada do desenvolvimento econômico, organização das finanças, geração de empregos e novos investimentos para áreas prioritárias - Saúde, Educação e Segurança Pública.

Neste segundo turno, a campanha de Belivaldo pretende centralizar as discussões no plano estadual, sem deixar de marchar ao lado de Fernando Haddad, candidato do grupo à Presidência da República.

Jackson tranquilo

Mesmo ficando em quarto lugar para o Senado com 204.677 votos, o ex-governador Jackson Barreto (MDB) não apresenta nenhum sentimento de tristeza ou ressentimento. "O povo é soberano. Só estaria triste se visse Valadares voltar para o Senado e André Moura ser vitorioso depois de fazer o que fez para prejudicar Sergipe, interferindo para evitar a liberação de recursos de R$ 50 milhões em emenda para a saúde e para reforma do aeroporto".

Para JB, dois fatores contribuíram para que não fosse eleito: a rejeição dos servidores públicos e seus familiares por conta do parcelamento de salários em razão da crise econômica e a exibição nas redes sociais do vídeo com ele pedindo para que não votassem nele se ao final do governo não fosse para casa.

Sobre a vantagem obtida por Belivaldo no primeiro turno, acredita que as ações de Belivaldo no governo geraram credibilidade. "As pessoas que acompanham a crise têm consciência de que o Estado não pode ser governado por amadores. Belivaldo aumentou receita, paga 70% dos servidores dentro do mês, tomou providências na saúde. Eduardo Amorim não convenceu a ninguém, além de ter o estigma do irmão. Valadares Filho é muito falante, mas não passa verdade. As pessoas não se sentem seguras em votar nele. Acham inexperiente por nunca ter trabalhado na vida nem nunca ter sido gestor", analisa.

Coeficiente eleitoral

Para a Câmara dos Deputados foram eleitos no último domingo por coeficiente eleitoral: Bosco Costa (PR), Fábio Mitidieri (PSD), Fábio Reis (MDB), Gustinho Ribeiro (SD) e Laércio Oliveira (PP). Foram eleitos por média dos votos: João Daniel (PT), Fábio Henrique (PDT) e Valdevan Noventa (PSC). Já para a Assembleia Legislativa, se elegeram por coeficiente eleitoral Dilson de Agripino (PPS), Diná Almeida (Podemos), Dr. Vanderbal (PSC), Garibalde Mendonça (MDB), Georgeo Passos (Rede), Gilmar Carvalho (PSC), Ibrain Monteiro (PSC), Iran Barbosa (PT), Janier Mota (PR), Jeferson Andrade (PSD), Luciano Bispo (MDB), Luciano Pimentel (PSB), Maísa Mitidieri (PSD), Maria Mendonça (PSDB), Rodrigo Valadares (PTB), Talysson de Valmir (PR), Zezinho Guimarães (MDB) e Zezinho Sobral (Podemos).  Foram eleitos por média: Adailton Martins (PSD), Capitão Samuel (PSC), Dr. Samuel Carvalho (PPS), Francisco Gualberto (PT), Goretti Reis (PSD) e Kitty Lima (Rede).

Na TV

Começa nesta sexta-feira o programa eleitoral gratuito no rádio e na televisão dos dois candidatos a governador e presidente da República que passaram para o 2º turno das eleições. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu que as emissoras de rádio e televisão reservarão 25 minutos diários de segunda-feira a domingo para a propaganda eleitoral dos candidatos por inserções e mais 10 minutos diários de segunda a sábado para cada bloco da propaganda eleitoral referente ao segundo turno do pleito. A veiculação das propagandas em bloco e por inserções vai até a antevéspera da eleição, que ocorre no último domingo deste mês.  O dia 26 de outubro também é a data limite para a realização de debate e divulgação de propaganda eleitoral paga na imprensa escrita.

O tempo será dividido igualitariamente entre as coligações dos candidatos que disputam o segundo turno, iniciando-se pela candidatura que obteve a maior votação no primeiro turno, com alternância da ordem a cada programa em bloco ou veiculação de inserção. No caso de Sergipe, o primeiro candidato a aparecer no programa eleitoral será Belivaldo Chagas (PSB), seguido de Valadares Filho (PSB). Para presidente, o primeiro a aparecer no programa eleitoral será Jair Bolsonaro (PSL) e depois Fernando Haddad (PT).

Dois centenários

Dois centenários de jornalistas sergipanos serão comemorados na próxima semana. No dia 15, às 17 horas, na biblioteca Jacintho Uchôa de Mendonça (Campus Farolândia ), a Unit comemora o centenário de nascimento de Joel Silveira, um dos maiores jornalistas e escritores do Brasil; no dia 19, no auditório do TCE, às 9 horas, a Associação Sergipana de Imprensa e a Academia Sergipana de Letras comemoram o 85º aniversário da ASI e o centenário de nascimento de José Eugênio de Jesus.
A Unit também vai colocar à disposição do público todo o acervo de Joel Silveira, doado pela família à biblioteca Jacintho Uchôa. São mais de 6 mil itens colecionados por Joel ao longo da vida, que seriam doados ao Museu Nacional, no Rio, que pegou foi destruído pelo fogo no mês passado. Elisabeth Silveira, Rodrigo Silveira Monte, filha e neto de Joel, e o escritor Zevi Ghivelder estarão presentes.