O ministro trapalhão

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Sem cavalo branco
Sem cavalo branco

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Publicada em 19/10/2018 às 06:36:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Sérgio Sá Leitão per
deu excelente opor
tunidade de ficar calado. Provocado por um jornalista, indagado a respeito do bate boca travado entre Roger Waters (Pink Floyd) e a platéia do show realizado há poucos dias, em São Paulo, o ministro da Cultura desatou a falar bobagem. Para ele, há excesso de manifestação política no ambiente criativo brasileiro. Em suas próprias palavras: "Um saco!".
A essa altura do campeonato, talvez seja supérfluo esmiuçar o episódio. Basta informar a algum eventual desavisado que os branquelos do sul maravilha morderam a bunda de raiva quando o artista no centro do palco apontou o dedo para o presidenciável Jair Bolsonaro. A bem da verdade, o ministro de Temer não tinha nada com o assunto. Mas, encorajado pelo próprio ressentimento, resolveu tomar partido e meter o bedelho numa conversa para a qual não foi chamado.
Sérgio Sá Leitão está longe de ser o pior ministro da Cultura que já esteve à frente da pasta. Em matéria de ruindade, Ana de Hollanda, cujo maior predicado é o próprio sobrenome, a relação de parentesco com um compositor popular de grande mérito, merece a lembrança de todos os brasileiros. Surpreende, no entanto, a sua disposição suicida para o confronto com os artistas da brava gente. Se a classe se coloca majoritariamente a uma margem, o ministro acena do outro lado, na margem oposta, como um louco em pose de herói, como se montado num cavalo branco. 
No caso em questão, por exemplo, não bastou ao ministro repudiar a natural e até desejável manifestação política do músico inglês contra a emergência do fascismo, mundo afora. Sérgio Sá Leitão foi além e fez questão de elogiar a coragem de dissidentes como a atriz Regina Duarte, ex-namoradinha do Brasil, apoiadora declarada da candidatura Bolsonaro. Segundo ele, outros fariam o mesmo, não fosse o receio de enfrentar represálias.
Chega a ser engraçado. Não se trata aqui de apontar o dedo para quem quer que seja. Sérgio Sá Leitão, Regina Duarte e até o nosso querido Paulo Lobo, um dos maiores compositores das ruas de Ará, outro admirador declarado do capitão reformado, têm o direito de embarcar na canoa furada que bem entenderem. De um ministro da Cultura, contudo, espera-se o mínimo de identificação com os sopapos e lamentos aflorando nos tambores do populacho.

Sérgio Sá Leitão per deu excelente opor tunidade de ficar calado. Provocado por um jornalista, indagado a respeito do bate boca travado entre Roger Waters (Pink Floyd) e a platéia do show realizado há poucos dias, em São Paulo, o ministro da Cultura desatou a falar bobagem. Para ele, há excesso de manifestação política no ambiente criativo brasileiro. Em suas próprias palavras: "Um saco!".
A essa altura do campeonato, talvez seja supérfluo esmiuçar o episódio. Basta informar a algum eventual desavisado que os branquelos do sul maravilha morderam a bunda de raiva quando o artista no centro do palco apontou o dedo para o presidenciável Jair Bolsonaro. A bem da verdade, o ministro de Temer não tinha nada com o assunto. Mas, encorajado pelo próprio ressentimento, resolveu tomar partido e meter o bedelho numa conversa para a qual não foi chamado.
Sérgio Sá Leitão está longe de ser o pior ministro da Cultura que já esteve à frente da pasta. Em matéria de ruindade, Ana de Hollanda, cujo maior predicado é o próprio sobrenome, a relação de parentesco com um compositor popular de grande mérito, merece a lembrança de todos os brasileiros. Surpreende, no entanto, a sua disposição suicida para o confronto com os artistas da brava gente. Se a classe se coloca majoritariamente a uma margem, o ministro acena do outro lado, na margem oposta, como um louco em pose de herói, como se montado num cavalo branco. 
No caso em questão, por exemplo, não bastou ao ministro repudiar a natural e até desejável manifestação política do músico inglês contra a emergência do fascismo, mundo afora. Sérgio Sá Leitão foi além e fez questão de elogiar a coragem de dissidentes como a atriz Regina Duarte, ex-namoradinha do Brasil, apoiadora declarada da candidatura Bolsonaro. Segundo ele, outros fariam o mesmo, não fosse o receio de enfrentar represálias.
Chega a ser engraçado. Não se trata aqui de apontar o dedo para quem quer que seja. Sérgio Sá Leitão, Regina Duarte e até o nosso querido Paulo Lobo, um dos maiores compositores das ruas de Ará, outro admirador declarado do capitão reformado, têm o direito de embarcar na canoa furada que bem entenderem. De um ministro da Cultura, contudo, espera-se o mínimo de identificação com os sopapos e lamentos aflorando nos tambores do populacho.