O disco de rock do ano

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Publicada em 20/10/2018 às 06:35:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Há muito, perdi a fé no 
rock. Cada disco lan-
çado agora é como um fio de cabelo branco, joga mais uma pá de terra sobre as minhas ilusões perdidas. O mal é da idade. Aos meus ouvidos moucos, os riffs da molecada soam sempre mecânicos, cansados, repetem hoje a experiência de ontem.
'Vulcão', obra e graça da banda The Baggios, no entanto, teve o efeito contrário. Fui ouvir o disco com um pé atrás, por curiosidade e dever de ofício, antecipando as resenhas sem nenhum gênio, pontuadas por imagens de erupções, que certamente serão cometidas, aos montes. Mas, para minha surpresa, tudo ali é novo. Para ser sincero, eu mesmo não esperava que Julio Andrade ainda tivesse tantas cartas escondidas na manga.
'Vulcão' é o melhor registro dos Baggios, o mais bem resolvido em termos musicais, stricto sensu. As guitarras seguem em primeiro plano, como sempre. Mas a cozinha formada por Rafael Ramos (baixo e teclados) e Gabriel Perninha (bateria) dá um show à parte, emprestando pulso e calor às 11 faixas do disco, cheia de volume.
Aqui, cabem parênteses. Nos primórdios da banda, um duo de guitarra e bateria, as composições de Julico extraiam força da simplicidade. As canções valiam por si mesmas, prescindiam de qualquer recurso. Foi assim, com a cara e a coragem, sem um tostão furado no bolso, que o menino de São Cristóvão colocou Sergipe no mapa da música independente brazuca. Um caminho sem volta.
As coisas começaram a mudar em 'Brutown' (2016), quando The Baggios superou o blues rock dos primeiros registros, com uma grandiloquência sem par. A transformação rendeu uma indicação ao Grammy Latino, dando status de documento reconhecido em cartório à competência da banda. Com 'Vulcão', os bons e velhos tempos ficam para trás, de uma vez por todas.
'Mutatis mutandis', pra frente é que se anda. Desta feita, percussão, violinos e, sobretudo, os metais, fazem de 'Fera', 'Bem-te-vi'e 'Vermelho-Rubi' os pontos altos de 'Vulcão'. 'Samsara' talvez seja a faixa mais despojada e, por isso mesmo, a de mais fácil assimilação. Participações especiais de Céu e Baiana System atestam a moral dos sergipanos. Aparentemente, o céu é o limite. Capaz de surpreender e renovar a fé em um gênero francamente datado, The Baggios realizou o disco de rock do ano.

Há muito, perdi a fé no  rock. Cada disco lan- çado agora é como um fio de cabelo branco, joga mais uma pá de terra sobre as minhas ilusões perdidas. O mal é da idade. Aos meus ouvidos moucos, os riffs da molecada soam sempre mecânicos, cansados, repetem hoje a experiência de ontem.
'Vulcão', obra e graça da banda The Baggios, no entanto, teve o efeito contrário. Fui ouvir o disco com um pé atrás, por curiosidade e dever de ofício, antecipando as resenhas sem nenhum gênio, pontuadas por imagens de erupções, que certamente serão cometidas, aos montes. Mas, para minha surpresa, tudo ali é novo. Para ser sincero, eu mesmo não esperava que Julio Andrade ainda tivesse tantas cartas escondidas na manga.
'Vulcão' é o melhor registro dos Baggios, o mais bem resolvido em termos musicais, stricto sensu. As guitarras seguem em primeiro plano, como sempre. Mas a cozinha formada por Rafael Ramos (baixo e teclados) e Gabriel Perninha (bateria) dá um show à parte, emprestando pulso e calor às 11 faixas do disco, cheia de volume.
Aqui, cabem parênteses. Nos primórdios da banda, um duo de guitarra e bateria, as composições de Julico extraiam força da simplicidade. As canções valiam por si mesmas, prescindiam de qualquer recurso. Foi assim, com a cara e a coragem, sem um tostão furado no bolso, que o menino de São Cristóvão colocou Sergipe no mapa da música independente brazuca. Um caminho sem volta.
As coisas começaram a mudar em 'Brutown' (2016), quando The Baggios superou o blues rock dos primeiros registros, com uma grandiloquência sem par. A transformação rendeu uma indicação ao Grammy Latino, dando status de documento reconhecido em cartório à competência da banda. Com 'Vulcão', os bons e velhos tempos ficam para trás, de uma vez por todas.
'Mutatis mutandis', pra frente é que se anda. Desta feita, percussão, violinos e, sobretudo, os metais, fazem de 'Fera', 'Bem-te-vi'e 'Vermelho-Rubi' os pontos altos de 'Vulcão'. 'Samsara' talvez seja a faixa mais despojada e, por isso mesmo, a de mais fácil assimilação. Participações especiais de Céu e Baiana System atestam a moral dos sergipanos. Aparentemente, o céu é o limite. Capaz de surpreender e renovar a fé em um gênero francamente datado, The Baggios realizou o disco de rock do ano.