Mulher transexual morre após ser esfaqueada no Centro

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LAYSA FORTUNA FAZIA PONTO NO CRUZAMENTO DAS RUAS ESTÂNCIA E ITABAIANA QUANDO FOI ATACADA. LEVADA AO HUSE, NÃO RESISTIU AOS FERIMENTOS E MORREU ONTEM À TARDE
LAYSA FORTUNA FAZIA PONTO NO CRUZAMENTO DAS RUAS ESTÂNCIA E ITABAIANA QUANDO FOI ATACADA. LEVADA AO HUSE, NÃO RESISTIU AOS FERIMENTOS E MORREU ONTEM À TARDE

Laysa foi atacada quando fazia ponto em frente à delegacia de vulneráveis
Laysa foi atacada quando fazia ponto em frente à delegacia de vulneráveis

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Publicada em 20/10/2018 às 06:55:00

 

Gabriel Damásio
A cabeleireira transexu-
al Laysa Fortuna, 25 
anos, morreu após ser esfaqueada em um ataque ocorrido às 22h desta quinta-feira, na esquina entre as ruas Estância e Itabaiana, centro da capital. O crime aconteceu depois que um homem armado fez uma série de provocações a um grupo de travestis que faziam ponto no local, ofendendo-as com palavrões e chegando a exibir o órgão genital para elas. Segundo testemunhas, uma primeira travesti foi atacada pelo agressor, mas Laysa tentou defende-la e acabou ferida na altura do tórax, próximo ao pescoço. As outras transexuais cercaram o homem e conseguiram dominá-lo até a chegada de soldados que estavam de plantão no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar (QCG).
Laysa foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A princípio, a informação dos médicos é de que o ferimento, apesar de profundo, não teria causado danos graves e poderia ser revertido com um procedimento que estabilizou o quadro de saúde da vítima. No entanto, o estado de saúde se agravou ao longo do dia de ontem e um dreno precisou ser implantado para tentar conter o sangramento pulmonar da paciente. Em meio a um procedimento de emergência, a transexual não resistiu e teve sua morte confirmada às 15h30. 
O desdobramento mudou a forma como o crime está sendo investigado pela polícia. O ataque à Laysa foi levado à Delegacia Plantonista Sul e registrado inicialmente como "ameaça seguida de lesão corporal leve", crime no qual o autor do ataque, Alex da Silva Cardoso, foi autuado e liberado na manhã de ontem, após assinar um termo circunstanciado. "Na Delegacia, a guarnição e testemunhas foram ouvidas, bem como mantido contato com o Huse, que informou que o estado de saúde da vítima era estável e havia sido realizado um procedimento de assistência local, sem intercorrência. Em virtude do que foi levantado, (...) foi confeccionado um Termo de Ocorrência Circunstanciado e o acusado responderá em liberdade, como prevê a lei", justificou a Secretaria da Segurança Pública (SSP), em nota divulgada durante a manhã de ontem. 
Com a confirmação da morte de Laysa, a Polícia Civil reavaliou o caso, cujo procedimento já tinha sido remetido ao Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV). A delegada Meire Mansuet, responsável pela unidade que apura crimes relacionados à homofobia, ouviu novas testemunhas e indiciou Alex Cardoso pelo crime de homicídio doloso qualificado e pediu a prisão preventiva dele. A ordem foi concedida pela Justiça e, até o fechamento desta edição, duas equipes de captura do DAGV e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) faziam buscas para prendê-lo, junto com equipes de unidades da Polícia Militar. 
No começo da noite, Mansuet confirmou ao JORNAL DO DIA que o crime foi motivado por transfobia, que é a discriminação contra travestis e transexuais, e que o acusado já tinha uma conduta agressiva em relação à presença das vítimas na região onde ele vive como guardador de carros. "As testemunhas relataram que, já há alguns dias atrás, o autor já provocava tanto a vítima como outras meninas trans que ficam ali pelo Centro. Ele sempre perseguia, importunava e, por ser provavelmente portador de algum distúrbio, ou usuário de drogas, ele tinha essa conduta ofensiva. A motivação foi mesmo a homofobia, a discriminação, a intolerância. Foi um crime lastimável", disse a delegada. 
O crime causou revolta entre familiares, amigas e ativistas que apoiam a causa dos direitos dos homossexuais. Eles lamentaram a liberação do autor do crime e criticaram a onda de discriminação e violência contra a população LGBT. O protesto também se estendeu às redes sociais, onde foi divulgada uma das últimas gravações em vídeo feitas por Laysa. Nela, a transexual rebatia um comentário que criticava a afirmação de que "ser gay é uma doença". "Eu acho que doentes são as pessoas que usam o preconceito como arma para se defender. São pessoas que não têm coragem de expor o que realmente são ou querem para suas vidas. E a arma que eles usam é atacando as pessoas que dão a cara a tapa, que têm coragem de perder o amor de pais, mães, irmãos e amigos. Doentes são os homofóbicos", desabafou Laysa, na gravação. 
O corpo da vítima foi liberado ontem à noite pelo Instituto Médico-Legal (IML) e está sendo velado na casa da família, no bairro Porto Dantas (zona norte). 

A cabeleireira transexu- al Laysa Fortuna, 25  anos, morreu após ser esfaqueada em um ataque ocorrido às 22h desta quinta-feira, na esquina entre as ruas Estância e Itabaiana, centro da capital. O crime aconteceu depois que um homem armado fez uma série de provocações a um grupo de travestis que faziam ponto no local, ofendendo-as com palavrões e chegando a exibir o órgão genital para elas. Segundo testemunhas, uma primeira travesti foi atacada pelo agressor, mas Laysa tentou defende-la e acabou ferida na altura do tórax, próximo ao pescoço. As outras transexuais cercaram o homem e conseguiram dominá-lo até a chegada de soldados que estavam de plantão no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar (QCG).
Laysa foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A princípio, a informação dos médicos é de que o ferimento, apesar de profundo, não teria causado danos graves e poderia ser revertido com um procedimento que estabilizou o quadro de saúde da vítima. No entanto, o estado de saúde se agravou ao longo do dia de ontem e um dreno precisou ser implantado para tentar conter o sangramento pulmonar da paciente. Em meio a um procedimento de emergência, a transexual não resistiu e teve sua morte confirmada às 15h30. 
O desdobramento mudou a forma como o crime está sendo investigado pela polícia. O ataque à Laysa foi levado à Delegacia Plantonista Sul e registrado inicialmente como "ameaça seguida de lesão corporal leve", crime no qual o autor do ataque, Alex da Silva Cardoso, foi autuado e liberado na manhã de ontem, após assinar um termo circunstanciado. "Na Delegacia, a guarnição e testemunhas foram ouvidas, bem como mantido contato com o Huse, que informou que o estado de saúde da vítima era estável e havia sido realizado um procedimento de assistência local, sem intercorrência. Em virtude do que foi levantado, (...) foi confeccionado um Termo de Ocorrência Circunstanciado e o acusado responderá em liberdade, como prevê a lei", justificou a Secretaria da Segurança Pública (SSP), em nota divulgada durante a manhã de ontem. 
Com a confirmação da morte de Laysa, a Polícia Civil reavaliou o caso, cujo procedimento já tinha sido remetido ao Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV). A delegada Meire Mansuet, responsável pela unidade que apura crimes relacionados à homofobia, ouviu novas testemunhas e indiciou Alex Cardoso pelo crime de homicídio doloso qualificado e pediu a prisão preventiva dele. A ordem foi concedida pela Justiça e, até o fechamento desta edição, duas equipes de captura do DAGV e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) faziam buscas para prendê-lo, junto com equipes de unidades da Polícia Militar. 
No começo da noite, Mansuet confirmou ao JORNAL DO DIA que o crime foi motivado por transfobia, que é a discriminação contra travestis e transexuais, e que o acusado já tinha uma conduta agressiva em relação à presença das vítimas na região onde ele vive como guardador de carros. "As testemunhas relataram que, já há alguns dias atrás, o autor já provocava tanto a vítima como outras meninas trans que ficam ali pelo Centro. Ele sempre perseguia, importunava e, por ser provavelmente portador de algum distúrbio, ou usuário de drogas, ele tinha essa conduta ofensiva. A motivação foi mesmo a homofobia, a discriminação, a intolerância. Foi um crime lastimável", disse a delegada. 
O crime causou revolta entre familiares, amigas e ativistas que apoiam a causa dos direitos dos homossexuais. Eles lamentaram a liberação do autor do crime e criticaram a onda de discriminação e violência contra a população LGBT. O protesto também se estendeu às redes sociais, onde foi divulgada uma das últimas gravações em vídeo feitas por Laysa. Nela, a transexual rebatia um comentário que criticava a afirmação de que "ser gay é uma doença". "Eu acho que doentes são as pessoas que usam o preconceito como arma para se defender. São pessoas que não têm coragem de expor o que realmente são ou querem para suas vidas. E a arma que eles usam é atacando as pessoas que dão a cara a tapa, que têm coragem de perder o amor de pais, mães, irmãos e amigos. Doentes são os homofóbicos", desabafou Laysa, na gravação. 
O corpo da vítima foi liberado ontem à noite pelo Instituto Médico-Legal (IML) e está sendo velado na casa da família, no bairro Porto Dantas (zona norte).