Um momento crítico

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Publicada em 20/10/2018 às 07:19:00

 

Em outro momento, o assassinato 
de uma travesti nas ruas de Ara-
caju talvez passasse batido, como um fato corriqueiro, apenas mais um entre os tantos crimes naturalizados pela violência nossa de cada dia. Hoje, no entanto, é tempo de luta e afirmação dos direitos individuais. Laysa Fortuna tinha nome e sobrenome, não será aqui tratada como mera estatística.
Dados, há de sobra. Segundo o Grupo Gay da Bahia, por exemplo, a cada 19 horas uma pessoa LGBT é assassinada no Brasil, o país mais letal do mundo para travestis e transgêneros. Os números podem ser ainda mais assustadores, levando-se em conta a provável sub notificação e a ausência de estatísticas oficiais. Laysa, no entanto, tinha quem chorar por ela, não era apenas mais uma.
O dado dá a impressão de que existem dois lugares simbólicos demarcados pelo território nacional. Há o Brasil do papel, no qual os princípios de igualdade são resguardados pela Constituição Federal. E há também o País de verdade, povoado de preconceito, racismo, machismo, homofobia, todo tipo de intolerância, em suma, onde a convivência entre os diferentes é resolvida no braço ou pior, sempre mediante o emprego da força.
O fato é que Laysa foi morta em um momento particularmente sensível para a população LGBT, quando a disputa presidencial em curso revela a emergência de uma sensibilidade odienta na sociedade brasileira. O delegado plantonista que liberou o acusado preso em flagrante, por exemplo, deve explicações públicas. A secretaria de Segurança Pública, órgão ao qual o delegado está subordinado, também. Não se pode admitir que a violência homicida seja naturalizada em âmbito institucional, tratada como uma ocorrência corriqueira. Laysa morreu, mas ainda está presente, não será esquecida pelos sergipanos de bem.

Em outro momento, o assassinato  de uma travesti nas ruas de Ara- caju talvez passasse batido, como um fato corriqueiro, apenas mais um entre os tantos crimes naturalizados pela violência nossa de cada dia. Hoje, no entanto, é tempo de luta e afirmação dos direitos individuais. Laysa Fortuna tinha nome e sobrenome, não será aqui tratada como mera estatística.
Dados, há de sobra. Segundo o Grupo Gay da Bahia, por exemplo, a cada 19 horas uma pessoa LGBT é assassinada no Brasil, o país mais letal do mundo para travestis e transgêneros. Os números podem ser ainda mais assustadores, levando-se em conta a provável sub notificação e a ausência de estatísticas oficiais. Laysa, no entanto, tinha quem chorar por ela, não era apenas mais uma.
O dado dá a impressão de que existem dois lugares simbólicos demarcados pelo território nacional. Há o Brasil do papel, no qual os princípios de igualdade são resguardados pela Constituição Federal. E há também o País de verdade, povoado de preconceito, racismo, machismo, homofobia, todo tipo de intolerância, em suma, onde a convivência entre os diferentes é resolvida no braço ou pior, sempre mediante o emprego da força.
O fato é que Laysa foi morta em um momento particularmente sensível para a população LGBT, quando a disputa presidencial em curso revela a emergência de uma sensibilidade odienta na sociedade brasileira. O delegado plantonista que liberou o acusado preso em flagrante, por exemplo, deve explicações públicas. A secretaria de Segurança Pública, órgão ao qual o delegado está subordinado, também. Não se pode admitir que a violência homicida seja naturalizada em âmbito institucional, tratada como uma ocorrência corriqueira. Laysa morreu, mas ainda está presente, não será esquecida pelos sergipanos de bem.