O menino é pai do homem

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O primeiro cronista do espírito tupiniquim
O primeiro cronista do espírito tupiniquim

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Publicada em 24/10/2018 às 11:28:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br 
Valadares Filho en-
saiou um passo de 
capoeira, o momento mais revelador da campanha pelo governo de Sergipe. O registro da façanha se espalhou com a velocidade de um vírus, empestando as redes sociais. É constrangedor. Desajeitado e careca, o candidato do PSB mal tira o pé do chão.
Nada contra o consolo triste da maturidade. À medida em que os anos passam, a senilidade também se insinua para mim, com os gestos lentos de uma avó, mais e mais convincente. Mas eu jamais pretendi encarnar as feições radiantes da juventude. Já Valadares Filho, para tomar posse de seu lugar no mundo, um legado de ambições hereditárias, foi aconselhado a ostentar o estandarte das mudanças, disfarçado em arauto de um novo tempo. A compleição de reizinho mimado, no entanto, ainda não convenceu ninguém.
Nada mais velho do que um herdeiro político sem feitos próprios para chamar de seus. Valadares Filho parece um personagem do primeiro cronista do espírito tupiniquim, o genial Machado de Assis. Pensem em Bentinho, cujo destino foi decidido por vontade de sua mãe, uma senhora muito beata, pegada com todos os santos. Lembrem, antes, de Brás Cubas, atendido em todas as vontades desde a primeira infância. Com tudo ao alcance das mãos, jamais reuniu forças para conquistar algo por si mesmo.
Segundo Machado, o menino é pai do homem, premissa que nos leva de volta à presepada de Valadares Filho. Se, homem feito, perdendo os cabelos, ele parece resignado a realizar macacadas à sombra de seu pai, aposentado pelo povo no início de outubro, como fazer alguém crer em sua capacidade administrativa, com a incumbência de decidir o destino de dois milhões de sergipanos? 
Valadares Filho não deveria tentar jogar capoeira, um esforço ridículo. Deveria, isso sim, tomar a coragem de perseguir o próprio caminho, ao invés de permanecer conformado à mais servil obediência, como uma criança de cara lisa agarrada à barra da saia de sua mãe.

Valadares Filho en- saiou um passo de  capoeira, o momento mais revelador da campanha pelo governo de Sergipe. O registro da façanha se espalhou com a velocidade de um vírus, empestando as redes sociais. É constrangedor. Desajeitado e careca, o candidato do PSB mal tira o pé do chão.
Nada contra o consolo triste da maturidade. À medida em que os anos passam, a senilidade também se insinua para mim, com os gestos lentos de uma avó, mais e mais convincente. Mas eu jamais pretendi encarnar as feições radiantes da juventude. Já Valadares Filho, para tomar posse de seu lugar no mundo, um legado de ambições hereditárias, foi aconselhado a ostentar o estandarte das mudanças, disfarçado em arauto de um novo tempo. A compleição de reizinho mimado, no entanto, ainda não convenceu ninguém.
Nada mais velho do que um herdeiro político sem feitos próprios para chamar de seus. Valadares Filho parece um personagem do primeiro cronista do espírito tupiniquim, o genial Machado de Assis. Pensem em Bentinho, cujo destino foi decidido por vontade de sua mãe, uma senhora muito beata, pegada com todos os santos. Lembrem, antes, de Brás Cubas, atendido em todas as vontades desde a primeira infância. Com tudo ao alcance das mãos, jamais reuniu forças para conquistar algo por si mesmo.
Segundo Machado, o menino é pai do homem, premissa que nos leva de volta à presepada de Valadares Filho. Se, homem feito, perdendo os cabelos, ele parece resignado a realizar macacadas à sombra de seu pai, aposentado pelo povo no início de outubro, como fazer alguém crer em sua capacidade administrativa, com a incumbência de decidir o destino de dois milhões de sergipanos? 
Valadares Filho não deveria tentar jogar capoeira, um esforço ridículo. Deveria, isso sim, tomar a coragem de perseguir o próprio caminho, ao invés de permanecer conformado à mais servil obediência, como uma criança de cara lisa agarrada à barra da saia de sua mãe.