Eleição: quando o crime compensa

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Publicada em 24/10/2018 às 12:20:00

* Ribamar Fonseca

Difícil encontrar alguém ingênuo o suficiente para acreditar que o Tribunal Superior Eleitoral tomaria alguma provldência contra o candidato Jair Bolsonaro,  por conta do  escândalo do esquema milionário, bancado por mais de uma centena de empresários, para disseminar noticias falsas contra o candidato petista Fernando Haddad, através do WhatsApp, o que, segundo um diretor do Datafolha, Mauro Paulino, se constitui fraude, porque influenciou as eleições no primeiro turno impulsionando a candidatura da extrema direita. A denúncia, feita pela "Folha de São Paulo", que repercutiu no mundo inteiro, motivou  o ingresso de várias ações no TSE para investigar o fato e punir o candidato do PSL com a  impugnação da sua candidatura ou anulação do pleito, conforme prevê a legislação eleitoral.  A Corte Eleitoral, no entanto, não parece disposta a tomar as medidas esperadas, como foi  possível perceber  na entrevista da sua presidenta, a ministra Rosa Weber,  que se  acovardou diante da ameaça do filho de Bolsonaro, de fechar o STF com um "cabo e um soldado". Portanto, não houve surpresas. 
Na verdade, tem-se a impressão de que tudo não passou de uma encenação montada  para aplacar a fúria dos que se sentiram lesados pela pratica ilegal da campanha de Bolsonaro, pois não deverá resultar em nenhuma medida prática. Até porque, segundo revelou o marqueteiro da campanha tucana, Marcelo Vitorino, o TSE já sabia, antes mesmo do primeiro turno,  da prática criminosa usada pela campanha do ex-capitão, financiada por empresários, e não fez absolutamente nada.   O Judiciário,  na verdade,  tem se revelado cúmplice do complô destinado a impedir o PT de voltar ao poder, entre outras coisas impedindo o ex-presidente Lula de concorrer às eleições presidenciais deste ano, o que permitiu a ascensão de Bolsonaro. E não será agora, às vésperas do segundo turno, que fará algo para frustrar a eleição do candidato do PSL que, impulsionado pelas  criminosas fakenews, lidera as pesquisas. E mais: com o ex-capitão cercado de generais de pijama, que até já organizam o seu programa de governo,   o acovardado TSE não terá coragem de tomar qualquer medida que possa prejudicar a sua candidatura. Prova mais recente disso é que negou um pedido do PT para realizar busca e apreensão nas empresas responsáveis pela disseminação das fakenews mas, ao mesmo tempo, atendeu pedido de Bolsonaro e retirou do ar a propaganda de Haddad contendo imagens de pessoas torturadas pela ditadura. Essa é a nossa justiça.  
Compreende-se agora, depois do escândalo da organização criminosa montada para disseminar fakenews contra o candidato petista, porque até mesmo mulheres e negros, alvos do ódio do ex-capitão, estão fascinados por ele, mesmo sabendo-o fascista, racista, misógino e homofóbico. Eles se deixaram convencer pelas mentiras disseminadas nas redes sociais, uma técnica importada dos Estados Unidos que garantiu a eleição de Donald Trump. Luiz Alberto Farias, presidente da DOT Group, uma das empresas especializadas no uso das redes sociais em campanhas eleitorais, chegou a oferecer seus serviços aos tucanos, dizendo poder disparar noticias, via WathsApp, para até 80 milhões de usuários, segundo denunciou o marqueteiro do PSDB. Seus serviços, porém, por serem ilegais, foram recusados, o que não aconteceu com Bolsonaro que, segundo comentários, teria contratado inclusive  a assessoria do cérebro desse esquema, o norte-americano Steve Bannon, que também assessorou Trump.   
Com um Judiciário desacreditado e desmoralizado, cuja escandalosa parcialidade é vista de qualquer ponto do planeta, dificilmente a  Corte Eleitoral fará alguma coisa para punir o candidato da extrema direita que, além dos militares, tem o apoio das duas principais redes de televisão do país: a Record e a Globo. Se houver de fato alguma investigação, como esperado, ela deverá se arrastar até depois do segundo turno, quando seus resultados  não servirão mais para nada. Afinal,  a Justiça só funciona com rapidez quando é contra o PT, andando a passos de cágado quando pode beneficiá-lo.  Ninguém, portanto, se iluda: se depender do TSE não vai acontecer nada, apesar dos danos causados à eleição pelo uso criminoso da internet.   E Jair Bolsonaro seguirá, incólume, para as eleições do dia 28, beneficiado pelas mentiras disseminadas criminosamente nas redes sociais, que fizeram a cabeça de milhões de brasileiros, para quem o ex-capitão é o salvador da pátria. O diabo é que se ele for eleito todos sofrerão os efeitos desastrosos do seu governo, não apenas os que votarem nele. 
Na verdade, o país já vive uma pequena mostra do que será o clima durante o seu governo: violência em todos os lugares. Os bolsonaristas, estimulados e empolgados pelo discurso de ódio do seu líder, estão atacando covardemente todos os que se declaram eleitores de Haddad. Já agrediram jornalistas, estupraram uma estudante da Universidade do Paraná, agrediram com barra de ferro um estudante da Unirio, mataram um mestre de capoeira na Bahia e até invadiram uma reunião da CNBB, acusando aos gritos os bispos de comunistas. Jornalistas dos mais diversos veículos, segundo denúncias, estão sendo ameaçados porque noticiam fatos negativos para o candidato da extrema direita. E generais de pijama, entre eles os generais Paulo Chagas e Ajax Pinheiro, já assumem publicamente a candidatura do ex-capitão, o que oferece uma pálida idéia da participação dos militares em seu governo. E a situação será muito pior se ele for eleito porque, além de pregar o ódio, ele pretende armar a população, o que agravará o clima de insegurança no país. Para quem defende a tortura e exalta o torturador; para quem os policiais que matam devem ser homenageados esse deve ser o Brasil ideal. Mas será esse o Brasil  que queremos? 
* Ribamar Fonseca é jornalista e escritor

* Ribamar Fonseca

Difícil encontrar alguém ingênuo o suficiente para acreditar que o Tribunal Superior Eleitoral tomaria alguma provldência contra o candidato Jair Bolsonaro,  por conta do  escândalo do esquema milionário, bancado por mais de uma centena de empresários, para disseminar noticias falsas contra o candidato petista Fernando Haddad, através do WhatsApp, o que, segundo um diretor do Datafolha, Mauro Paulino, se constitui fraude, porque influenciou as eleições no primeiro turno impulsionando a candidatura da extrema direita. A denúncia, feita pela "Folha de São Paulo", que repercutiu no mundo inteiro, motivou  o ingresso de várias ações no TSE para investigar o fato e punir o candidato do PSL com a  impugnação da sua candidatura ou anulação do pleito, conforme prevê a legislação eleitoral.  A Corte Eleitoral, no entanto, não parece disposta a tomar as medidas esperadas, como foi  possível perceber  na entrevista da sua presidenta, a ministra Rosa Weber,  que se  acovardou diante da ameaça do filho de Bolsonaro, de fechar o STF com um "cabo e um soldado". Portanto, não houve surpresas. 
Na verdade, tem-se a impressão de que tudo não passou de uma encenação montada  para aplacar a fúria dos que se sentiram lesados pela pratica ilegal da campanha de Bolsonaro, pois não deverá resultar em nenhuma medida prática. Até porque, segundo revelou o marqueteiro da campanha tucana, Marcelo Vitorino, o TSE já sabia, antes mesmo do primeiro turno,  da prática criminosa usada pela campanha do ex-capitão, financiada por empresários, e não fez absolutamente nada.   O Judiciário,  na verdade,  tem se revelado cúmplice do complô destinado a impedir o PT de voltar ao poder, entre outras coisas impedindo o ex-presidente Lula de concorrer às eleições presidenciais deste ano, o que permitiu a ascensão de Bolsonaro. E não será agora, às vésperas do segundo turno, que fará algo para frustrar a eleição do candidato do PSL que, impulsionado pelas  criminosas fakenews, lidera as pesquisas. E mais: com o ex-capitão cercado de generais de pijama, que até já organizam o seu programa de governo,   o acovardado TSE não terá coragem de tomar qualquer medida que possa prejudicar a sua candidatura. Prova mais recente disso é que negou um pedido do PT para realizar busca e apreensão nas empresas responsáveis pela disseminação das fakenews mas, ao mesmo tempo, atendeu pedido de Bolsonaro e retirou do ar a propaganda de Haddad contendo imagens de pessoas torturadas pela ditadura. Essa é a nossa justiça.  
Compreende-se agora, depois do escândalo da organização criminosa montada para disseminar fakenews contra o candidato petista, porque até mesmo mulheres e negros, alvos do ódio do ex-capitão, estão fascinados por ele, mesmo sabendo-o fascista, racista, misógino e homofóbico. Eles se deixaram convencer pelas mentiras disseminadas nas redes sociais, uma técnica importada dos Estados Unidos que garantiu a eleição de Donald Trump. Luiz Alberto Farias, presidente da DOT Group, uma das empresas especializadas no uso das redes sociais em campanhas eleitorais, chegou a oferecer seus serviços aos tucanos, dizendo poder disparar noticias, via WathsApp, para até 80 milhões de usuários, segundo denunciou o marqueteiro do PSDB. Seus serviços, porém, por serem ilegais, foram recusados, o que não aconteceu com Bolsonaro que, segundo comentários, teria contratado inclusive  a assessoria do cérebro desse esquema, o norte-americano Steve Bannon, que também assessorou Trump.   
Com um Judiciário desacreditado e desmoralizado, cuja escandalosa parcialidade é vista de qualquer ponto do planeta, dificilmente a  Corte Eleitoral fará alguma coisa para punir o candidato da extrema direita que, além dos militares, tem o apoio das duas principais redes de televisão do país: a Record e a Globo. Se houver de fato alguma investigação, como esperado, ela deverá se arrastar até depois do segundo turno, quando seus resultados  não servirão mais para nada. Afinal,  a Justiça só funciona com rapidez quando é contra o PT, andando a passos de cágado quando pode beneficiá-lo.  Ninguém, portanto, se iluda: se depender do TSE não vai acontecer nada, apesar dos danos causados à eleição pelo uso criminoso da internet.   E Jair Bolsonaro seguirá, incólume, para as eleições do dia 28, beneficiado pelas mentiras disseminadas criminosamente nas redes sociais, que fizeram a cabeça de milhões de brasileiros, para quem o ex-capitão é o salvador da pátria. O diabo é que se ele for eleito todos sofrerão os efeitos desastrosos do seu governo, não apenas os que votarem nele. 
Na verdade, o país já vive uma pequena mostra do que será o clima durante o seu governo: violência em todos os lugares. Os bolsonaristas, estimulados e empolgados pelo discurso de ódio do seu líder, estão atacando covardemente todos os que se declaram eleitores de Haddad. Já agrediram jornalistas, estupraram uma estudante da Universidade do Paraná, agrediram com barra de ferro um estudante da Unirio, mataram um mestre de capoeira na Bahia e até invadiram uma reunião da CNBB, acusando aos gritos os bispos de comunistas. Jornalistas dos mais diversos veículos, segundo denúncias, estão sendo ameaçados porque noticiam fatos negativos para o candidato da extrema direita. E generais de pijama, entre eles os generais Paulo Chagas e Ajax Pinheiro, já assumem publicamente a candidatura do ex-capitão, o que oferece uma pálida idéia da participação dos militares em seu governo. E a situação será muito pior se ele for eleito porque, além de pregar o ódio, ele pretende armar a população, o que agravará o clima de insegurança no país. Para quem defende a tortura e exalta o torturador; para quem os policiais que matam devem ser homenageados esse deve ser o Brasil ideal. Mas será esse o Brasil  que queremos? 

* Ribamar Fonseca é jornalista e escritor