As viúvas do Forró Caju

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Milhões de motivos para se desfazer em pranto
Milhões de motivos para se desfazer em pranto

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Publicada em 27/10/2018 às 07:46:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Sanfoneiro com ver
gonha na cara não 
derrama nem uma lágrima pelo Forró Caju. As viúvas da festa são outras, têm milhões de motivos jamais declarados para se desfazer em pranto, engrossando o chororô entoado pelo poder público municipal, o lengalenga da crise. Verdade é que a fortuna empregada todos os anos, desde 2001, quando inventaram de celebrar os santos de junho com uma megalomania sem a menor relação com a tradição local, não plantou aqui nada que prestasse. Muito ao contrário.
Pode-se atribuir ao Forró Caju o pecado original de subordinar Cultura a entretenimento, sob o nobre pretexto de animar as massas, espalhando a tara milionária dos grandes eventos. Pelo serviço, gente como o cantor Wesley Safadão costuma lavar a jega, encher as burras com o alheio, em negócios que pecam sempre pela ausência de transparência.
Em 2016, por exemplo, o Ministério Público Federal cobrou explicações sobre a diferença exorbitante de cachê cobrado pelo cantor, de um dia para o outro. Em um município, o show custou R$ 195 mil. No outro, o custo da apresentação realizada algumas horas depois pulou para quase R$ 600 mil. Mesmo considerando a eventual flutuação, em função da agenda do cantor, a discrepância é flagrante, sugerindo a prática de superfaturamento.
Assim ocorre, nação nordestina afora. Ninguém sabe quanto o privilégio da ilustre presença custou aos cofres sob os cuidados do perdulário prefeito João Alves Filho, de triste memória. Para o então secretário de comunicação Carlos Batalha, foi mais proveitoso lembrar os doze dias de farra animada por 250 atrações, entre as quais os muito agradecidos 175 artistas locais. Estes, no entanto, subiram ao palco sem dim dim no bolso. Muito não receberam até hoje. Ao fim do Forró Caju 2016, por exemplo, os membros da Orquestra Sanfônica de Aracaju ainda brigavam para receber pela apresentação no Forró Caju 2015.
Todo ano é a mesma novela. Ao anunciar a realização do Forró Caju 2018, o prefeito Edvaldo Nogueira garantiu ter o dinheiro para realizar a festa em caixa. Hoje, meses depois, os artistas locais ainda estão a ver navios, a conversa é muito diferente.

Sanfoneiro com ver gonha na cara não  derrama nem uma lágrima pelo Forró Caju. As viúvas da festa são outras, têm milhões de motivos jamais declarados para se desfazer em pranto, engrossando o chororô entoado pelo poder público municipal, o lengalenga da crise. Verdade é que a fortuna empregada todos os anos, desde 2001, quando inventaram de celebrar os santos de junho com uma megalomania sem a menor relação com a tradição local, não plantou aqui nada que prestasse. Muito ao contrário.
Pode-se atribuir ao Forró Caju o pecado original de subordinar Cultura a entretenimento, sob o nobre pretexto de animar as massas, espalhando a tara milionária dos grandes eventos. Pelo serviço, gente como o cantor Wesley Safadão costuma lavar a jega, encher as burras com o alheio, em negócios que pecam sempre pela ausência de transparência.
Em 2016, por exemplo, o Ministério Público Federal cobrou explicações sobre a diferença exorbitante de cachê cobrado pelo cantor, de um dia para o outro. Em um município, o show custou R$ 195 mil. No outro, o custo da apresentação realizada algumas horas depois pulou para quase R$ 600 mil. Mesmo considerando a eventual flutuação, em função da agenda do cantor, a discrepância é flagrante, sugerindo a prática de superfaturamento.
Assim ocorre, nação nordestina afora. Ninguém sabe quanto o privilégio da ilustre presença custou aos cofres sob os cuidados do perdulário prefeito João Alves Filho, de triste memória. Para o então secretário de comunicação Carlos Batalha, foi mais proveitoso lembrar os doze dias de farra animada por 250 atrações, entre as quais os muito agradecidos 175 artistas locais. Estes, no entanto, subiram ao palco sem dim dim no bolso. Muito não receberam até hoje. Ao fim do Forró Caju 2016, por exemplo, os membros da Orquestra Sanfônica de Aracaju ainda brigavam para receber pela apresentação no Forró Caju 2015.
Todo ano é a mesma novela. Ao anunciar a realização do Forró Caju 2018, o prefeito Edvaldo Nogueira garantiu ter o dinheiro para realizar a festa em caixa. Hoje, meses depois, os artistas locais ainda estão a ver navios, a conversa é muito diferente.